Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 20:12
Quando o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor foi preso por volta das 8h desta quinta-feira (19/02), a detenção não tinha nada a ver com Virginia Giuffre, a mulher que o acusou de abuso sexual.>
O que levou à sua prisão começou com informações divulgadas nos arquivos de Epstein em janeiro, referentes às atividades desempenhadas por Andrew enquanto enviado comercial do governo britânico.>
Mas não parou por aí.>
Foram os e-mails presentes nesses arquivos, aparentemente trocados entre Andrew e o criminoso sexual Jeffrey Epstein, que levaram a polícia de Thames Valley a se envolver no caso.>
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Um e-mail em particular chamou a atenção. Em novembro de 2010, depois de retornar de uma viagem à Ásia financiada pelo governo do Reino Unido, Andrew recebeu uma série de relatórios sobre os países visitados.>
Cinco minutos depois de recebê-los, o ex-príncipe aparentemente os enviou para Epstein, que, àquela altura, já havia sido condenado e cumprido pena por crimes sexuais.>
Novas revelações surgiram a partir dos e-mails encontrados nos arquivos.>
Um mês depois, na véspera de Natal, Andrew teria enviado a Jeffrey Epstein um e-mail com informações confidenciais sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão — na época supervisionada pelas Forças Armadas britânicas e financiada com recursos do governo do Reino Unido. >
Em um outro e-mail, enviado em 9 de fevereiro de 2011, Andrew parece sugerir que Epstein invista em uma empresa de private equity (fundos de capital privado) que ele havia visitado na semana anterior. >
Essas mensagens devem ter sido o ponto de partida para o que hoje se transformou em uma investigação conduzida pela polícia de Thames Valley. >
Mas os investigadores não devem ter se baseado apenas nos e-mails divulgados.>
Para construir o caso, a polícia provavelmente procurou o governo britânico e também o palácio, solicitando acesso a comunicações que possam esclarecer o que, de fato, estava acontecendo. >
Na última segunda-feira, o palácio afirmou que "apoiaria" a investigação da polícia de Thames Valley.>
Os investigadores também devem ter vasculhado os cerca de três milhões de documentos que compõem os arquivos de Epstein, além de solicitar cópias na íntegra ao FBI e ao Departamento de Justiça americano.>
A Agência Nacional de Combate ao Crime está auxiliando as forças policiais do Reino Unido nesses pedidos.>
Até agora, o que veio à tona parece ser apenas a ponta do iceberg, mas os investigadores podem ter visto mais do que aparece na superfície.>
É muito improvável que a polícia tenha detido Andrew nesta quinta com base apenas em alguns e-mails encontrados nos arquivos de Epstein. >
Até o momento, Andew foi apenas preso. Ele não foi acusado de algum crime. >
Ele sempre negou qualquer irregularidade decorrente da sua relação com Epstein e não respondeu a perguntas específicas da BBC sobre os arquivos divulgados em janeiro. >
E vale lembrar novamente: essa prisão não tem nenhuma relação com as alegações feitas anteriormente por Giuffre, que acusou Andrew de forçá-la a fazer sexo em diversas ocasiões no início dos anos 2000. >
Um acordo financeiro extrajudicial foi firmado entre Andrew e Giuffre em 2022, que não incluiu nenhuma admissão de culpa por parte do ex-príncipe.>
A polícia liberou Andrew na noite desta quinta-feira, mantendo-o sob investigação.>
Em prisões relacionadas a crimes de "colarinho branco" é comum que as pessoas detidas sejam mantidas sob custódia por algumas horas para que buscas e interrogatórios sejam feitos.>
Ser liberado nessa condição não descarta a possibilidade de novos depoimentos no futuro. >
Agora, os investigadores terão uma decisão importante a tomar — um processo que pode levar semanas.>
Policiais com uma coroa em seus distintivos deverão se reunir com advogados do Ministério Público da Coroa para decidir se há provas suficientes para apresentar uma denúncia formal contra o irmão do rei.>
Se decidirem levar o caso adiante, o processo será registrado como "R versus Mountbatten-Windsor" — ou, em termos simples, o rei contra o irmão do rei.>
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