O mercado imobiliário brasileiro vive um momento de forte intenção de compra, mas também de transformação no perfil de quem procura um imóvel. Segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica, mais de 50% das famílias brasileiras afirmam ter intenção de adquirir uma propriedade até o fim do ano. Entre os mais jovens, o interesse é ainda maior: cerca de 67% da Geração Z, formada por pessoas de 21 a 28 anos, pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses.
Os números indicam que o mercado está aquecido pela intenção, embora boa parte dos potenciais compradores ainda esteja nos primeiros estágios da jornada. A procura digital, por exemplo, já alcança 4,3 milhões de famílias, um aumento de 500 mil no último trimestre. Por outro lado, apenas 10% dos interessados já pesquisam imóveis pela internet e 4% realizam visitas presenciais, mostrando que ainda existe uma distância entre o desejo de comprar e a efetivação do negócio.
A renda também aparece como um importante fator para essa disposição. A intenção de compra chega a 58% entre famílias com renda mensal acima de R$ 20 mil e a 52% entre aquelas que recebem de R$ 10 mil a R$ 20 mil. O movimento mostra que, neste momento, o avanço da demanda está mais concentrado entre consumidores com maior poder de compra e capacidade de entrada, financiamento ou investimento de longo prazo.
Além disso, os dados da Brain revelam uma mudança na composição da demanda entre diferentes gerações. Enquanto a Geração Z lidera a intenção de aquisição, a Geração Y, formada pelos millennials de 29 a 44 anos, aparece com 53%. Entre a Geração X, de 45 a 60 anos, o índice é de 47%, enquanto os Baby Boomers, de 61 a 79 anos, registram 25%.
Para os mais jovens, a compra está frequentemente relacionada a momentos de transição, como sair da casa dos pais, deixar o aluguel, casar ou mudar de cidade. Já entre os consumidores mais velhos, ganha espaço a aquisição com finalidade de investimento.
“O consumidor está mais racional e busca imóveis que reduzam custos no longo prazo e melhorem sua qualidade de vida. Eficiência deixou de ser diferencial e passou a ser critério básico de escolha”, afirma Mauricio Dallagrana, superintendente da Vanguard Construtora.
A mudança de comportamento também influencia a forma como os novos empreendimentos são pensados. Tecnologia, design, conforto ambiental, iluminação natural, ventilação adequada, localização e espaços multifuncionais passam a integrar a equação de valor do imóvel. Segundo o levantamento, projetos com essas características tendem a apresentar maior liquidez e atratividade no mercado.
Para Christiano Pereira, conselheiro da Ademi-ES, o cenário revela um mercado mais maduro, no qual o imóvel ganha importância como instrumento de construção de patrimônio.
“Há uma nova geração que enxerga o imóvel não apenas como como parte de uma decisão de independência e qualidade de vida no presente, embora estes sejam fatores importantes, a aquisição imobiliária também está diretamente ligada à geração de riqueza, mesmo que hoje seja visto apenas como moradia. Estar atento às boas oportunidades do Mercado Imobiliário pode trazer impacto positivo para o presente e principalmente para o futuro. O desafio do setor é transformar essa intenção em acesso real, com produtos adequados, crédito viável e soluções que acompanhem os diferentes momentos de vida do comprador”, finaliza.