Uma parede gigante, perguntas de conhecimentos gerais e a possibilidade de voltar para casa com o bolso cheio - ou sem nenhum prêmio. Foi nesse mar de desafios que os capixabas Verônica Lopes de Jesus e Luiz Claudio Pereira fizeram história: os fundadores do Instituto Oportunidade Brasil (IOB) conquistaram R$ 283.210 no The Wall, quadro do Domingão com Huck exibido neste domingo (26).
Segundo Verônica para HZ, o dinheiro será destinado ao fortalecimento da ONG, que atua com educação, qualificação profissional e inclusão de jovens negros e moradores de regiões periféricas da Grande Vitória.
A história até chegar ao palco do programa começou de maneira inesperada. Verônica conta que o instituto não se inscreveu para participar do The Wall. O convite partiu da própria produção, e a primeira reação foi de desconfiança.
Ficamos com medo de ser mentira. Depois, começamos a pensar que, se fosse verdade, seria uma oportunidade incrível de dar visibilidade ao trabalho da instituição
Verônica Lopes, diretora-presidente do IOB
Depois do primeiro contato, os fundadores passaram por diferentes etapas de seleção. Segundo Verônica, o processo foi intenso e permitiu que a equipe do programa conhecesse melhor a trajetória e a atuação do IOB. Quando veio a confirmação, a alegria dividiu espaço com a ansiedade.
Os dois já acompanhavam o The Wall e sabiam que, dependendo do desempenho no jogo e da sorte com as bolas lançadas na parede, havia o risco de terminar a disputa sem prêmio.
De Vila Velha para os palcos do Domingão
Verônica e Luiz chegaram ao estúdio já sabendo como dividiriam as funções. Luiz ficaria confinado respondendo às perguntas, enquanto ela ficaria diante da parede ao lado de Luciano Huck. Embora a produção não forneça material de estudo, a dupla decidiu se preparar por conta própria.
"O Luiz estudou bastante, pesquisamos vários assuntos e assistimos a muitos programas para entender como eram as perguntas. No fim, nada do que estudamos apareceu", contou em meio a risadas.
A estratégia para lidar com a pressão, porém, era simples: aproveitar a oportunidade.
Decidimos que iríamos aproveitar aquela experiência da melhor maneira possível, sem estresse. Estávamos chegando sem nada, então qualquer valor que conseguíssemos seria lucro
Ao entrar no estúdio e se deparar com a estrutura do programa, a dimensão da experiência ficou ainda mais evidente. "A sensação era de que estávamos vivendo um sonho. Passa um filme pela cabeça. Nós estávamos ali para participar de um programa que seria assistido por milhões de pessoas, no maior canal de televisão do Brasil", relata Verônica.
A famosa parede também impressionou. Mas, para a presidente do instituto, o impacto ia além do cenário. Segundo ela, acompanhar uma produção desse porte, com mais de 200 profissionais envolvidos, ajudou a dimensionar o momento que estavam vivendo.
Momento mais marcante
Entre os momentos mais emocionantes da gravação, Verônica destaca a hora de revelar a Luiz quanto a dupla havia conseguido acumular no jogo. Outro episódio ganhou significado especial: a última pergunta da disputa foi sobre samba.
"O samba faz parte das nossas raízes, então foi muito emocionante", conta.
No final, os capixabas deixaram o The Wall com R$ 283.210. O dinheiro chega com uma característica especialmente importante para o instituto: poderá ser utilizado para fortalecer a própria estrutura da organização.
"Vamos investir no fortalecimento institucional, ou seja, cuidar da estrutura da organização. Contratar pessoas, fortalecer nossa equipe, investir na gestão e na estrutura da instituição", explica Verônica.
É muito difícil encontrar editais que permitam esse tipo de investimento. Então vamos aproveitar esse recurso, literalmente, para cuidar da casa
Visibilidade fundamental para o crescimento
Criado para ampliar oportunidades de educação e qualificação profissional para a população negra e periférica da Grande Vitória, o Instituto Oportunidade Brasil já formou mais de 150 jovens em seus programas educacionais.
Segundo a instituição, 70% deles foram inseridos no mercado de trabalho. Considerando também as ações realizadas junto a comunidades e empresas, aproximadamente 5 mil pessoas já foram impactadas direta ou indiretamente.
Para Verônica, entretanto, a participação no Domingão representa algo que não pode ser medido apenas pelo valor conquistado. O espaço em rede nacional também colocou em evidência o trabalho realizado pelo terceiro setor no Espírito Santo.
"Eu costumo dizer que o Espírito Santo é o 'Acre da Região Sudeste' quando falamos de filantropia e captação de recursos. Muitas pessoas pensam na Região Sudeste e lembram apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O Espírito Santo acaba sendo esquecido", afirma.
"Poder mostrar que estamos aqui, fazendo um trabalho sério, assim como centenas de outras ONGs capixabas, não tem preço. Toda visibilidade que conseguimos trazer para a filantropia no Espírito Santo é muito importante", completa.
E a repercussão começou imediatamente. Segundo Verônica, o número de seguidores do perfil do instituto no Instagram mais que dobrou após a participação, e mensagens chegaram de diferentes partes do Brasil, muitas delas de pessoas que disseram ter se emocionado ou se inspirado com a história apresentada no programa.
Para familiares e amigos, a surpresa foi ainda maior. Por causa do contrato de confidencialidade assinado com a produção, os participantes não podiam revelar antecipadamente o resultado da gravação. "Os amigos se engajaram muito para divulgar nossa participação. E também querem nos matar, porque ninguém sabia! Nem minha mãe sabia", brinca Verônica.
Além dos fundadores, o jovem Marlon Viana, de 18 anos, ex-aluno do IOB, e a pedagoga Krys Keyser também viajaram para acompanhar as gravações em São Paulo.