A história da cachorrinha Carol, Sem Raça Definida (SRD), de dois anos, com a jornalista Marli Moras começou recentemente em uma visita ao abrigo Vira Lata Vira Luxo e agora passa pelo processo de adestramento do animal. E é um período de muitos aprendizados.
“Foi Carol que me adotou. Assim que me viu, ainda dentro do canil, veio em minha direção e lambeu minhas mãos. Ao ser retirada da baia para dar um passeio ao meu lado, não quis mais voltar. Não deu outra, a levei para casa, e ela entrou para a minha família”.
O processo de adaptação está em curso e Carol, apesar de muito carinhosa, é extremamente assustada. “Passear com ela é um desafio. Quando a chamo para dar uma volta, ela vem eufórica para colocar a coleira, mas assim que chega na rua, a euforia se transforma em medo e ela coloca o rabinho entre as pernas e começa a tremer. Qualquer barulho é motivo de pânico”.
Diante desse impasse, a cunhada de Marli sugeriu que ela procurasse a ajuda de um adestrador. “Descobri que adestrar um cachorrinho exige regras e rigor para que o animal se acostume a cumpri-las. Confesso que meu ‘coração mole’ acaba atrapalhando um pouco o processo. Olho para a carinha assustada da Carol, seu olhar de súplica por carinho, e me desmancho em mimos. Mas estou aprendendo e com paciência e amor as conquistas estão surgindo”.
O adestrador Carlos Lessa explica as vantagens em adestrar um cachorro: melhora a comunicação, proporciona segurança, controle, vínculo mais forte, ajuda a reduzir problemas comportamentais, permite um enriquecimento mental, facilita a socialização e dá mais liberdade ao animal. “Ajuda na convivência mais harmoniosa e gratificante entre ele e seu tutor”.
Ele frisa que tutores com “coração mole” tendem a fazer todas as vontades dos pets. “Essa postura muda toda a hierarquia dentro de uma matilha, pois o tutor começa a obedecer o animal sem perceber e com isso ele se coloca em submissão e eleva a liderança do pet que passa a entender que ele é o líder e que o tutor lhe deve obediência. E quando isso não acontece, o cão protesta de várias formas, faz xixi ou cocô pela casa, destroi coisas, late, entre outros problemas comportamentais”.
E ele faz um alerta: cobrar disciplina não significa maus-tratos. Não há agressão física ao animal no processo de adestramento. No caso de Carol, o grande desafio é o medo da cachorrinha, que sempre encontra uma fuga para se esconder. “Isso faz com que o adestramento se torne mais lento, pois temos que ganhar a confiança do animal e fazer ele entender que não somos uma ameaça. Mas é totalmente possível”.