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Diversidade cultural

Do Congo ao Ballroom: projeto vai criar acervo inédito sobre a cultura do ES

Iniciativa da Secult e do Museu da Pessoa vai registrar 30 trajetórias ligadas a tradições, artes e movimentos que ajudam a contar a identidade do Espírito Santo
Aline Almeida

Publicado em 15 de Julho de 2026 às 11:45

Aniversário de Cariacica
Carnaval de Congo de Máscaras Fernando Madeira

Do Ticumbi do Sapê do Norte às batalhas da cultura Ballroom, passando pelo Congo, pela gastronomia, pelos saberes indígenas e pelas tradições da imigração europeia. Um projeto inédito está mapeando e registrando histórias de vida que ajudam a contar a diversidade cultural do Espírito Santo e a construir um retrato mais amplo do que significa ser capixaba.


A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Secretaria da Cultura do Espírito Santo (Secult), por meio da Midiateca Capixaba e do Cais das Artes, e o Museu da Pessoa, considerado o maior acervo de histórias de vida do Brasil e referência nacional em tecnologia social da memória.


Ao longo de 2026, o projeto Diversidade Cultural Capixaba irá registrar 30 histórias de vida de pessoas que representam diferentes expressões artísticas e culturais do Estado. O acervo reunirá relatos ligados à cultura popular, música, artes visuais, gastronomia, movimentos sociais, tradições quilombolas e indígenas, manifestações como Congo, Ticumbi e Carnaval, além de experiências ligadas à cultura urbana e às identidades contemporâneas.

MovCidade abre inscrições para oficinas e batalhas de ballroom, breaking e slam
Batalha de Ballroom
Diego Padilha

Um dos diferenciais da iniciativa é justamente a amplitude dos perfis retratados. Entre os personagens já registrados estão o líder indígena e integrante do Coral Guarani Karai Dju, Josias Carvalho Marinho; Zilda Antonia, do tradicional Bar da Zilda, cuja trajetória mistura gastronomia e samba capixaba; Mestre Quino, referência do Ticumbi e da cultura popular do Sapê do Norte; e Matysha Matielo, representante da cultura Ballroom e das vivências LGBTQIAP+, que compartilha experiências relacionadas à maternidade e à travestilidade.


Além de preservar memórias, o projeto também investe na formação de novos pesquisadores capixabas. Dez bolsistas residentes no Espírito Santo foram selecionados entre mais de 500 inscritos para participar de uma formação baseada na Tecnologia Social da Memória, metodologia criada pelo Museu da Pessoa que reconhece cada história de vida como patrimônio coletivo.


Desde fevereiro, os pesquisadores participam de encontros presenciais e virtuais, atividades de campo e registros audiovisuais das entrevistas. Até agora, o projeto já percorreu 14 cidades e territórios capixabas, entre eles Vitória, Serra, Cariacica, Aracruz, Itaúnas, Conceição da Barra, Santa Teresa, Santa Maria de Jetibá, Domingos Martins, Muqui, Cachoeiro de Itapemirim e Alegre. Das 30 entrevistas previstas, 24 já foram realizadas.

Zilda, do bar da Zilda Carlos Alberto Silva

O material coletado dará origem a um acervo inédito sobre a cultura capixaba, além de curtas-metragens, catálogo, exposição virtual, exposição física e ações educativas. A culminância do projeto será uma mostra no Cais das Artes, prevista para o segundo semestre deste ano.

O projeto nasce do entendimento de que preservar a memória é também reconhecer quem constrói a cultura todos os dias. Ao registrar essas histórias de vida, ampliamos os repertórios sobre o que é ser capixaba e fortalecemos a valorização da diversidade cultural do estado

Marcos Terra, consultor estratégico do Museu da Pessoa

Interessados em acompanhar o andamento do projeto e conhecer as histórias registradas podem se inscrever gratuitamente pelo site https://marketing.museudapessoa.org/diversidade-capixaba para receber atualizações sobre a iniciativa.

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