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Surpreso com nomeação, novo reitor da Ufes defende universidade pública

Surpreso com nomeação, novo reitor da Ufes defende universidade pública

Paulo Sérgio Vargas assumiu o cargo nesta semana, contrariando expectativas da comunidade acadêmica

Publicado em 26 de março de 2020 às 12:21

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Paulo Sérgio Vargas: novo reitor da Ufes pede apoio à comunidade acadêmica para enfrentar os desafios da gestão
Paulo Sérgio Vargas: novo reitor da Ufes pede apoio à comunidade acadêmica para enfrentar os desafios da gestão. (Ana Paula Vieira/Ufes)

Assim como a comunidade acadêmica, o novo reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o professor Paulo Sérgio de Paula Vargas, ficou surpreso com a sua nomeação para o cargo. Ele esperava que a professora Ethel Maciel, que havia obtido a maioria dos votos do Conselho Universitário, e também entre estudantes, educadores e servidores em uma consulta informal, se tornasse a primeira mulher a comandar a instituição. Contudo, ao assumir a função para o quadriênio 2020-2024, ele mantém o propósito de defender a universidade pública e gratuita. 

Em nota dirigida à comunidade universitária, Paulo Vargas destaca que compartilha dos mesmos princípios de Ethel e, embora reconheça que alguns possam se sentir frustrados e indignados pelo fato da antiga vice-reitora não ter sido nomeada, ela mesma já declarou o seu apoio para o novo reitor conduzir o projeto que construíram juntos para a Ufes.

Vargas, em seu texto, frisa os tempos atípicos em que vivemos e o enorme desafio de comandar a universidade, esperando contar com o apoio e a participação de toda a comunidade  universitária.

ELEIÇÃO

Em novembro do ano passado, em consulta informal, Ethel Maciel recebeu 67,5% dos votos da comunidade acadêmica. Paulo Vargas, na ocasião, apoiou a sua candidatura. Mas, para comandar a Ufes, é preciso passar também pelo crivo do Conselho Universitário. 

Preocupados com a possibilidade de uma candidatura mais à direita assumir a instituição, ou seja, com propostas ligadas ao bolsonarismo, o grupo formado por Ethel, Vargas e também pelo professor Rogério Faleiros decidiu que os três participariam da disputa oficial, em dezembro. Ela recebeu 26 votos e os dois professores, 16 cada um, compondo a lista tríplice que foi enviada para  Jair Bolsonaro escolher o novo reitor. Neste pleito, a professora Gláucia de Abreu teve a preferência de 12 conselheiros, e Surama Freitas, alinhada com os projetos do presidente, obteve um voto. 

 Depois de três meses, e quando já havia vencido o mandato do ex-reitor Reinaldo Centoducatte, na segunda-feira (23) à noite Jair Bolsonaro decidiu escolher Paulo Vargas para comandar a Ufes. A opção pelo segundo colocado na lista tríplice está dentro da legalidade, mas foge do que historicamente vinha sendo registrado nos últimos 20 anos na universidade: a nomeação do mais votado pela comunidade acadêmica. 

A posse de Paulo Vargas ainda não tem data definida e deverá ocorrer a distância, devido às restrições de deslocamento e reuniões colocadas em função da epidemia do novo coronavírus. No entanto, o professor já assumiu a função de reitor na terça-feira (24).

Paulo Vargas é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Ufes, mestre em Arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo. Atualmente, é professor no curso de Arquitetura e Urbanismo, diretor do Centro de Artes e subcoordenador do Laboratório de Planejamento e Projetos da Ufes.

Veja  nota dirigida por Paulo Vargas aos membros da comunidade universitária.

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"Temos um enorme desafio pela frente"

A minha nomeação para o cargo de reitor apanha todos nós de surpresa. Sei perfeitamente que a escolha do presidente diverge dos anseios expressos pela comunidade acadêmica. Esperávamos a nomeação da professora Ethel, que seria o mais óbvio e natural, observado o processo democrático interno da Universidade. Mas, vivemos tempos atípicos... 

De todo modo, sabia-se que esta era uma possibilidade que estava dada, quando conseguimos compor a lista tríplice no colégio eleitoral, constituída por nomes afinados com o projeto vencedor na consulta realizada junto à comunidade universitária, sob a liderança de Ethel e Roney (Pignaton).  

Ainda sob o impacto desta inesperada nomeação, gostaria de dizer que entendo e respeito alguns posicionamentos indignados em face da não observância da escolha preferencial da comunidade acadêmica, pois fere questões de princípios da democracia universitária, com os quais também comungamos. 

Porém, quando eu e o professor Rogério Faleiros, juntamente com Ethel, aceitamos fazer parte da lista tríplice, assumimos formalmente por escrito o compromisso de aceitar a nomeação de qualquer dos nossos nomes por livre escolha do presidente. 

A decisão está dada e cumpre-me o papel de desempenhar o cargo para o qual fui nomeado. O ato de nomeação do novo reitor da Ufes frustra a expectativa da comunidade universitária que ansiava pela primeira reitora da Universidade. No entanto, por outro lado, esta nomeação sacramenta a confirmação do projeto vencedor submetido ao escrutínio sob a liderança de Ethel e Roney, considerando o fato de que o mesmo foi sempre assumido integralmente por mim e os demais membros da lista que, desde o início, participamos da sua elaboração. 

Tanto é assim que a professora Ethel, de maneira extremamente íntegra e compromissada com a Ufes, após a nomeação, manifestou o seu apoio e confiança no nosso nome para a condução deste projeto na próxima gestão. Agradecemos à professora Ethel por este gesto honrado e coerente com a sua trajetória pessoal e profissional.  

Temos um enorme desafio pela frente na condução dos destinos da nossa Universidade e aquilo de melhor que pudermos construir dependerá do apoio e participação de toda a comunidade universitária. Neste sentido, quero agradecer as manifestações de apoio, especialmente da professora Ethel, e conclamar a todos da comunidade acadêmica para a unificação em torno do projeto que se sagrou vencedor nas urnas, juntando forças no enfrentamento dos desafios que se impõem para a nossa universidade nestes novos tempos. Permanecemos Juntos pela Ufes!

Paulo Sérgio Vargas

A Gazeta

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