A Prefeitura de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, vai abrir uma sindicância para apurar a suposta atuação do procurador municipal Raony Scheffer em listas de boicote a comerciantes e profissionais da cidade que seriam eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A listagem, montada de maneira colaborativa em grupos de aplicativo de mensagem, atinge até lideranças religiosas.
Nesta quinta-feira (29), a prefeitura publicou uma portaria que dispõe sobre a nomeação de funcionários efetivos que vão compor a comissão de sindicância para investigar o envolvimento de servidores na elaboração e divulgação de material de cunho político eleitoral que visava ao boicote. O grupo tem 15 dias para apresentar relatório e propor ações legais a serem adotadas no caso de confirmação de participação. Em contato com A Gazeta, Raony nega as suspeitas relacionadas a seu nome.
Em prints anexados à portaria da prefeitura, o nome de Raony Scheffer aparece em várias trocas de mensagens, como em uma que compartilha a foto de um açougue. "Fiquei sabendo agora que esse açougue o dono também é PT doente. Atualizem a lista."
Raony que, além de procurador municipal é conselheiro da seccional capixaba da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), também havia repostado conteúdos em suas redes sociais com teor semelhante, mas apagou as publicações após a repercussão do caso.
O prefeito de Barra de São Francisco, Enivaldo dos Anjos, afirmou que pediu a abertura da sindicância ao tomar conhecimento da lista com suposto envolvimento de servidores. A nomeação da comissão foi feita nesta quinta (29), mas os trabalhos vão começar na próxima terça-feira (3), devido ao feriado prolongado — em razão do Dia do Servidor, cuja folga será nesta sexta (30), e do Dia de Finados, celebrado na segunda-feira (2).
"Condenamos totalmente esse tipo de comportamento (listas de boicote). Nesses prints, tem registro até de que vão colocar estrelas nas portas dos comerciantes para identificá-los. A prefeitura não vai permitir essas situações", ressaltou Enivaldo, acrescentando que essa prática de marcação de comerciantes lembra o período do fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha.
O prefeito diz, ainda, que a criação e disseminação de listas é uma demonstração de ódio e que as pessoas devem ser livres para fazer suas próprias escolhas políticas.
A OAB-ES também foi procurada para se manifestar sobre o caso do conselheiro, mas não deu retorno. A subseção da ordem, que abrange o município de Barra de São Francisco, porém, divulgou uma carta pública em que manifesta repúdio à criação, divulgação e fomento de "listas de boicote" direcionadas a comerciantes, emrpesários e prestadores de serviço por motivações político-eleitorais.
Nesse contexto, outro episódio envolvendo a OAB-ES foi registrado esta semana. A entidade demitiu a advogada Júlia Gobbo Amorim por ameaças a petistas.
Procurado por A Gazeta, Raony negou envolvimento na listagem. "Eu não fiz lista alguma, não participei de elaboração de lista, não mandei lista para ninguém, e muito menos compartilhei. E sou contra qualquer forma de discriminação ou perseguição", afirmou.
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