Uma cardiologista foi afastada do hospital em que atua, em Vila Velha, após publicações na internet ameaçando a troca de remédios de pacientes. O conteúdo viralizou e a profissional apagou o perfil das redes sociais, mas o caso já está em investigação pela Associação Evangélica Beneficente Espírito-Santense (Aebes).
Trata-se de Kamila Silva Marins Chamon, a qual, na postagem, declarou que trocaria um tipo de medicação comum para quem tem nível elevado de colesterol no organismo, um fator de risco cardiovascular.
"Eu vou trocar sua sinvastatina e não aceito um 'não tenho dinheiro' pra rosuva (rosuvastatina)", diz um trecho da publicação, em que ela anunciava se tratar do último pronunciamento do dia.
Fontes do hospital em que Kamila Marins atua indicam que a publicação foi feita num contexto político. Tanto que o conteúdo foi mencionado pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que criticou a postagem e estabeleceu uma equivalência com as listas de boicote a comerciantes e profissionais supostamente de esquerda que têm circulado pelo país, inclusive no Espírito Santo. "Agora estão boicotando a vida das pessoas", lamentou a futura parlamentar.
"A sindicância tem como objetivo apurar os fatos e pode resultar em abertura de um Processo Ético Profissional, caso haja elementos suficientes de indícios de materialidade e autoria de infração ao Código de Ética Médica", diz a entidade, em nota.
O posicionamento do CRM-ES é padrão porque a entidade não se manifesta sobre casos concretos, como o que envolve a cardiologista Kamila Marins, a não ser nos autos. Conforme disposto no Código de Processo Ético Profissional, segundo o conselho, todos os trâmites processuais correm em segredo de Justiça.
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