Após uma publicação nas redes sociais em que ameaça petistas depois do resultado do segundo turno das Eleições 2026, uma advogada foi demitida da Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Espírito Santo (OAB-ES). A manifestação de Julia Gobbo Amorim foi considerada discriminatória, o que motivou seu desligamento da entidade.
Em um vídeo compartilhado em seu perfil, Julia dizia que na OAB tem "muita gente petista".
"E eu tô com preconceito. Muita gente não trabalha, muita gente que quer mamar na teta dos outros e, aí, no que depender de mim, meu amor, eu vou dificultar a vida dessas pessoas", declarou no vídeo, enquanto tentava arrumar o arrumar o rabo de cavalo.
Procurada, a OAB se manifestou em nota, ressaltando que é uma instituição apartidária, defensora intransigente da democracia, da pluralidade de ideias e da dignidade humana.
Afirmou, ainda, que respeita a liberdade de expressão de seus colaboradores, mas não tolera manifestações discriminatórias nem ataques que diminuam pessoas em razão de suas convicções políticas.
"Por esses motivos, a OAB-ES repudia as declarações ofensivas divulgadas em vídeo gravado por uma colaboradora nas dependências da instituição e informa que ela foi desligada de seu quadro."
O ex-presidente da entidade José Carlos Rizk Filho, em publicação na internet, compartilhou o vídeo e questionou como uma advogada expõe tal preconceito. Ele reforçou que a OAB dever ser uma casa plural, respeitando todos os posicionamentos políticos, de direita e de esquerda.
Rizk também chama atenção para um trecho em que Julia fala sobre "mamar na teta" (usufruir de benefícios), indagando sobre quem estaria se favorecendo da suposta prática. Na legenda, ela escreveu: "Tem negrinho que vai quicar hoje".
Outros perfis nas redes sociais também compartilharam a publicação da advogada, como Sammery Roberts, uma das fundadoras da Associação de Juristas Negras Capixabas. "Não vamos nos calar nem tolerar racismo ou discursos de ódio dentro da OAB-ES. O ódio nunca foi apenas contra o PT, mas também contra as minorias e os nossos direitos", afirmou.
A reportagem de A Gazeta tenta contato com Julia Gobbo, que desativou seu perfil nas redes sociais após a recupercussão do caso, para que possa se posicionar sobre o assunto. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
Em contexto semelhante, listas de boicote a comerciantes e profissionais identificados com a esquerda estão circulando em diversos municípios do Espírito Santo, sugerindo que produtos e serviços deixem de ser adquiridos por bolsonaristas.
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