Um dia após oficializar a exoneração do secretário municipal de Serviços Urbanos, Fernando Oliveira, alvo de denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) por suposta violência psicológica contra a então procuradora-geral do município, o prefeito de São Gabriel da Palha, Tiago Rocha (PL), nomeou a esposa do ex-servidor para assumir, interinamente, posto no primeiro escalão do município do Noroeste do Estado.
Alice Oliveira Cipriano foi nomeada secretária de Governo e Comunicação. A decisão foi publicada na edição do Diário Oficial dos Municípios desta quinta-feira (23), conforme apurado pela reportagem de A Gazeta. Até então, ela ocupava o cargo de auxiliar de educação infantil na administração municipal. Nas redes sociais, Alice destaca ser casada com o ex-secretário.
Procurada, a Prefeitura de São Gabriel da Palha informou, por meio de nota, que a nomeação é legal e que a escolha de ocupantes de cargos comissionados é atribuição exclusiva do chefe do Executivo. Segundo a administração, a servidora é efetiva, tem “trabalho exemplar” e já vinha sendo cotada para assumir a pasta, diante do afastamento da então titular, que passou por cirurgia.
No Portal de Transparência da prefeitura, consta a informação de que a agora secretária integra os quadros de servidores efetivos do município desde junho de 2025, com remuneração fixada em R$ 1.242,33.
Fernando Oliveira também foi procurado para comentar a nomeação da esposa, mas disse que não iria se manifestar.
Entenda o caso
Na quarta-feira (22), a prefeitura exonerou Fernando Oliveira do comando da Secretaria de Serviços Urbanos. Como mostrou A Gazeta, na sexta-feira (17), a Justiça já havia determinado o afastamento do então secretário das funções, com base em denúncia do MPES. A decisão foi proferida pelo juiz da 2ª Vara de São Gabriel da Palha, Roberto Wolff.
Além do afastamento, a Justiça impôs ao investigado a proibição de acessar repartições públicas municipais, participar de eventos da prefeitura e manter contato com a vítima, devendo respeitar distância mínima de 200 metros. O descumprimento das medidas pode levar à prisão preventiva.
Na ocasião, Fernando afirmou que não havia sido informado da decisão e disse ter sido surpreendido. Informou ainda que sua defesa iria recorrer e classificou o caso como perseguição pessoal relacionada ao trabalho que vinha desenvolvendo no município.
Denúncia envolve episódio com procuradora grávida
Segundo o MPES, o episódio ocorreu em outubro de 2025, durante uma reunião na prefeitura.
O então secretário teria gritado com a procuradora-geral, mandado que ela “calasse a boca” e deixasse a sala, em uma conduta considerada intimidatória e constrangedora.
A vítima estava grávida de 37 semanas.
De acordo com a denúncia, a atitude provocou abalo emocional e teria como objetivo desestabilizar a atuação profissional da procuradora. O caso é tratado, em tese, como constrangimento ilegal e violência psicológica contra a mulher.
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