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Primeiro turno

Lula X Bolsonaro: cidades do ES que migraram para o PT de 2018 para 2022

Ex-presidente saiu vitorioso em 22 municípios neste ano, mas Bolsonaro continua tendo vitória expressiva no Espírito Santo

Publicado em 19 de Outubro de 2022 às 09:57

Natalia Bourguignon

Publicado em 

19 out 2022 às 09:57
Presença do PT cresceu no Estado entre 2018 e 2022
Presença do PT cresceu no Estado entre 2018 e 2022 Crédito: Arte/A Gazeta
A presença do PT cresceu no Estado, pelo menos no que diz respeito à eleição para presidente. Enquanto em 2018, início da onda bolsonarista, o candidato petista Fernando Haddad venceu em 14 cidades capixabas, neste ano o ex-presidente Lula saiu vitorioso em 22 municípios, oito a mais. 
Em porcentagem de votos, o PT quase dobrou na preferência dos eleitores capixabas. Em 2018, Haddad obteve 24,20% dos votos. Já neste ano, Lula alcançou 40,40% do eleitorado. 
Lula X Bolsonaro: cidades do ES que migraram para o PT de 2018 para 2022
Ainda assim, o presidente Jair Bolsonaro (PL) continua tendo vitória expressiva no Espírito Santo, tanto na contagem geral dos votos dos eleitores capixabas quanto em número de municípios. O atual presidente ficou na dianteira em 56 cidades e alcançou 52,23% dos votos em 2022 — pouco menos do que obteve em 2018, quando ficou com 54,76%. No entanto, não houve o movimento contrário: nenhuma cidade em que Haddad ganhou na eleição passada migrou para Bolsonaro neste ano.
A Região Norte do Estado é onde o PT tem a maior presença. Em 2018, todas as 14 cidades em que o Partido dos Trabalhadores venceu ficavam nessa região. Neste ano, a presença se ampliou por lá, chegando a 18 municípios, inclusive São Mateus, uma das principais cidades da região e que, no pleito anterior, tinha escolhido Bolsonaro majoritariamente. Na cidade, Lula teve 50% dos votos; e Bolsonaro, 42% no dia 2 de outubro.
Presença do PT cresceu no Estado entre 2018 e 2022
Presença do PT cresceu no Estado entre 2018 e 2022 Crédito: Arte/A Gazeta
A presença do PT também chegou a três cidades no extremo Sul capixaba e a Fundão, na Região Metropolitana da Grande Vitória. Nesta última, a disputa foi acirrada, com Lula obtendo 47,46% dos votos e Bolsonaro ficando com 46,36%, menos de um ponto percentual de diferença.
Embora a presença da sigla de esquerda tenha se ampliado de uma eleição geral para a outra no Espírito Santo, ela ainda não chegou ao patamar de 2014, ocasião da reeleição de Dilma Rousseff. Naquele ano, no primeiro turno, a ex-presidente obteve maioria dos votos em 39 cidades. Ainda assim, na contagem eleitoral do Estado, Aécio venceu com 35%. Dilma ficou com 33,12% e Marina com 28,76%.
O cientista político e professor Rodrigo Prando indica que há pontos de similaridades entre as trajetórias e visão política dos dois candidatos que, embora tenham muitas diferenças ideológicas, são populistas.
Ele levanta a possibilidade de que o recebimento do Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família, tenha alguma influência na escolha do eleitor. Segundo dados do governo federal, é justamente nas cidades do Norte do Estado e nas do extremo Sul onde há a maior percentual de famílias beneficiárias de programas sociais.
Embora o Auxilio Brasil tenha sido criado no governo Bolsonaro, muitos eleitores associam programas sociais aos governos do PT e a Lula, que criou o Bolsa Família.
“A imagem comunicada e construída do Lula como alguém que tem fortes preocupações sociais e uma memória de uma parcela do eleitorado, especialmente do primeiro mandato, são muito fortes. A figura carismática do Lula é incomparável dentro do PT e dentro da política brasileira”, diz Prando.
Outro ponto de destaque tem a ver com quem representou o PT nas duas últimas eleições. Em 2014 o ex-presidente Lula não se candidatou, porque estava preso. Ele apoiou o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que disputou a presidência contra Bolsonaro. Contudo, a transferência de votos direta não ocorreu.
O especialista ressalta ainda que o eleitorado brasileiro não escolhe os candidatos unicamente pela questão partidária ou ideológica. Assim, é possível que faça mudanças “bruscas” de uma eleição para a outra.
É pela mesma razão, explica o cientista político, que cidades elejam simultaneamente candidatos com ideologias e posições políticas muito distintas no mesmo pleito.
“Há lugares em que o eleitor vota em um presidente de esquerda, em um governador de direita, em um deputado de centro-esquerda e em um senador de outro viés. Não tem nada que faça o eleitor colocar tudo no mesmo patamar ideológico”, avalia.
O Espírito Santo de forma geral comprova esse ponto, já que no Estado o candidato que ficou em primeiro lugar no primeiro turno para presidente foi o presidente Jair Bolsonaro, que é de direita, e para governo, quem ficou com a liderança foi o atual governador Renato Casagrande, que é do PSB, um partido de centro-esquerda.

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