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Segurança

Ex-comandante da PM é criticado por usar escolta; Sesp diz que está dentro da lei

O coronel Douglas Caus passou a contar com a proteção, após deixar o comando, devido a uma análise do setor de inteligência apontando risco ao militar

Publicado em 07 de Julho de 2026 às 18:42

Aline Nunes

Publicado em 

07 jul 2026 às 18:42

Durante sessão na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) na segunda-feira (6), deputados criticaram o uso de escolta pelo coronel Douglas Caus. Ele já usufruía da proteção enquanto esteve no comando da Polícia Militar, mas conseguiu manter o benefício após deixar a função, em abril.


Parlamentares apontaram para a possibilidade de uso indevido de recursos do Estado. Em grupos de aplicativos de mensagem, militares também se manifestaram contra a medida. A Secretaria da Segurança (Sesp) diz que escolta está dentro da lei e foi concedida devido ao risco à vida do ex-comandante.

Posse do Governador Renato Casagrande e do Vice-Governador Ricardo Ferraço, na Ales
O coronel Douglas Caus esteve no comando da Polícia Militar por seis anos no Espírito Santo Fernando Madeira

As críticas na Assembleia começaram no momento em que um deputado foi à tribuna e pediu para ser exibido um vídeo em que aparece um carro, supostamente do governo do Estado, usado por Caus e militares fazendo escolta, na região do 3º Batalhão da PM, em Alegre, no Caparaó capixaba. Ele ainda pediu uma aproximação da imagem, com destaque para a placa do veículo, antes de anunciar do que se tratava a exibição.


"Esse vídeo é relativo à utilização de um veículo público e alguns militares estaduais que estão à disposição do ex-comandante geral para que ele faça visita nas unidades e faça a política partidária nas unidades e em eventos públicos", pontuou o parlamentar, lembrando que o coronel Caus é pré-candidato nas Eleições 2026. 

O deputado afirmou que, diante do benefício concedido ao ex-comandante, todos os demais pré-candidatos deveriam ter o mesmo direito de proteção.


"Segundo informações, foi alegado que (Caus) estaria sendo ameaçado, em razão do tempo em que ele ficou no comando. Mas todos os outros servidores, seja do bombeiro militar, seja da polícia militar, também fizeram seus preciosos serviços à sociedade capixaba, prenderam muita gente no estrito cumprimento do seu dever legal, nem assim se sentiram ameaçados", comparou.


Outro parlamentar também se manifestou, classificando o caso como "uma vergonha" e provocou a Comissão de Segurança da Assembleia, da qual é membro, a fazer pedido de informação urgente ao governo do Estado sobre a situação.

"Se essa denúncia for verdadeira, que o coronel Caus está andando por aí com oito policiais militares, custeado pelo povo do Espírito Santo, e andando de carro também custeado pelo povo, isso é caso de prisão."


Durante as manifestações, um deputado afirmou ter consultado a placa do veículo no Ciodes e no Detran e não apareceu o cadastro, enquanto outro reforçou a necessidade de pedido de informação ao governo do Estado sobre o caso, para que sejam detalhados gastos com combustível, diárias e pessoal porque haveria indícios de pré-campanha eleitoral com dinheiro público.


Por fim, uma deputada afirmou que seu nome poderia ser incluído no pedido de informação ou qualquer outra medida para esclarecer o caso e questionou: "o coronel está com escolta policial reconhecida pelo Estado, autorizada pelo Estado, com fins de proteção a partir de argumentos comprovados, ou o que a gente viu aqui são imagens de uso da máquina pública de maneira indevida para um pré-candidato a deputado estadual?"

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Escolta estava autorizada 

Procurado pela reportagem de A Gazeta, o coronel Douglas Caus assegurou que a escolta recebida está, sim, autorizada pelo governo do Estado e foi concedida após análise do setor de inteligência pelo risco iminente contra sua vida.


O ex-comandante observou que, ao longo dos seis anos em que esteve ocupando a função, fez um enfrentamento firme contra as facções criminosas, ação que, segundo ele, o tornou um alvo em potencial dos bandidos. Ainda durante o período em que esteve no comando, a escolta foi concedida, mas seria retirada ao deixar o cargo. Então, fez uma solicitação para que pudesse manter a proteção.


"Em 36 anos de PM sempre fui ameaçado, desde aspirante já recebia ameaças. Mas, hoje em dia, é diferente", analisa Caus, citando casos em que facções atacaram autoridades, como  o ex-delegado de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, assassinado no ano passado por ordem do Primeiro Comando da Capital (PCC).


Para Caus, sua atuação no comando da PM impediu o avanço das facções em território capixaba, que querem revidar. "Combatemos de frente. Por causa disso, não dominaram. Elas têm áreas de atuação, mas não conseguem expandir. No cômputo desses seis anos, tiveram um prejuízo imenso, diria de bilhões de reais, falando em drogas, armas e munição apreendidas."


O ex-comandante disse que, ainda na função, havia indícios de vulnerabilidade e vários casos foram reportados para justificar a escolta. Questionado sobre os episódios, Caus argumentou que não poderia pontuá-los por questão de segurança, mas acrescentou que tudo está documentado e formalizado no pedido de proteção.


Sobre o fato de estar circulando pelo Estado, mesmo diante do risco, o coronel sustentou que uma pessoa sob ameaça não pode demonstrar covardia nem se subjugar ao crime organizado. "Não tem que ficar enclausurado em casa. Vou continuar circulando, é meu direito de ir e vir. O Estado está me protegendo pelo que fiz e os policiais não fazem parte de pré-campanha. Eles têm a função profissional de proteger a minha vida."


Diante da gravação do vídeo, Caus sustentou que o autor estaria do lado das facções criminosas. "Quem faz um vídeo desses, não é um servidor de boa-fé. Quem filma a escolta, coloca em grupos e chega até a Assembleia, está querendo o quê? Quando a placa e o veículo são expostos, é um grande desserviço. Se alguma coisa acontecer a mim, uma emboscada, eu reputo diretamente ao alto grau de exposição a que fiquei submetido."

Sesp diz que medida é legal

A  Sesp confirma, em nota, que recebeu a solicitação de escolta policial do coronel Douglas Caus em abril — ele deixou o comando no dia 2 daquele mês para poder disputar as eleições.


"Conforme previsto em lei, o requerimento foi encaminhado para análise pela área de Inteligência, que reconheceu e classificou o risco como alto. Tendo em vista risco de vida relevante decorrente do tempo em que o oficial exerceu o cargo de comandante, o requerimento foi deferido. A quantidade de policiais e viaturas designados à escolta atende a critérios técnicos", diz.


A secretaria também foi questionada sobre o fato de a placa do veículo não estar registrada no sistema. "Por padrão, esse tipo de serviço é realizado com viaturas identificadas por placas reservadas, cuja divulgação e consulta pública têm restrições por motivos de segurança", esclarece.


Ainda segundo a nota, todos os trâmites foram realizados dentro do previsto na legislação (Lei Estadual 10.794/2017 e Lei Federal 12.694/2012) e seguiram os ritos necessários para concessão de escolta a autoridades.

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