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Publicado em 19 de fevereiro de 2021 às 21:08
- Atualizado há 5 anos
A bancada capixaba na Câmara dos Deputados ficou divida ao votar sobre a prisão de Daniel Silveira (PSL-RJ), detido em flagrante por insultar, em um vídeo, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com discurso de ódio e fazer apologia à ditadura militar. Cinco parlamentares do Espírito Santo votaram pela manutenção da prisão e outros cinco, pela soltura. Por 364 votos contra 130, no entanto, a Câmara referendou a determinação do próprio STF e Silveira vai continuar na cadeia.>
O deputado é um ferrenho defensor de Jair Bolsonaro (sem partido) e emula em discursos e nas redes sociais o comportamento do presidente da República, outro admirador da ditadura militar. >
Entre os deputados do Espírito Santo, Evair de Melo (PP), que é um dos vice-líderes do governo Bolsonaro, votou para manter a prisão de Silveira, seguindo orientação do partido. Procurado pela reportagem durante a semana, ele não havia informado como pretendia se posicionar.>
Já Felipe Rigoni (PSB), que havia dito que votaria contra a prisão, votou a favor, seguindo também a orientação do partido.>
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Rigoni havia dito que discordava das declarações de Silveira e defendeu a cassação de mandato do parlamentar, mas considerava que a prisão "não cabia ao STF". Na votação desta sexta, no entanto, o parlamentar mudou o posicionamento, conforme registrou o painel eletrônico da Câmara.>
Há no Conselho de Ética da Casa, inclusive, uma representação contra Silveira, protocolada pelo partido de Rigoni, após o carioca ofender o parlamentar capixaba.>
Helder Salomão (PT) manteve seu posicionamento e votou a favor da manutenção da prisão de Silveira. O petista, que mantém uma atuação de oposição ao governo, ainda defende que o parlamentar tenha o mandato cassado. Do outro lado do espectro político e alinhado a Bolsonaro, Evair de Melo votou da mesma forma.>
Já Ted Conti (PSB) não havia declarado como pretendia votar, mas disse por nota, no entanto, que "se houve abusos" a Câmara não poderia ser "obstáculo" para a tramitação dos processos judiciais e que "ninguém está acima da lei". O parlamentar também votou a favor da prisão. O PSB apresentou, juntamente com outros partidos da oposição, uma representação ao Conselho de Ética da Câmara pedindo a cassação do mandato do deputado do PSL.>
Amaro Neto (Republicanos) esperava decisão do partido e seguiu o Republicanos, votando a favor da prisão.>
Quem havia dito que votaria contra a prisão e manteve o posicionamento foi Soraya Manato (PSL). A parlamentar criticou as declarações de Silveira, mas as considerou opiniões, abarcadas pelo direito à liberdade de expressão. >
Josias Da Vitória (Cidadania), Norma Ayub (DEM) e Lauriete (PSC) não haviam cravado anteriormente como votariam, apenas criticado as falas do deputado e levantado questionamentos sobre a "previsão constitucional" para a aplicação da prisão em flagrante. Os três votaram para soltar Silveira.>
Também no time dos que votaram pela soltura do deputado está Neucimar Fraga (PSD). Ele havia gravado um vídeo para se posicionar sobre a questão, no qual considerou que o parlamentar cometeu, sim, crime ao fazer o vídeo com os ataques, mas que a prisão em flagrante não foi uma ação correta. >
A Constituição determina que a Câmara deve decidir, em votação aberta e nominal, sobre prisões de parlamentares. O ministro Alexandre de Moraes considerou que o crime cometido por Silveira é inafiançável. O placar final foi de 364 votos a favor e 130 contra e 3 abstenções. A relatora do caso, Magda Mofatto (PL-GO), leu o parecer da Comissão de Constituição e Justiça que votou pela manutenção da prisão. A parlamentar leu a transcrição das falas de ameaças e críticas feitas por Silveira no vídeo que o levou à cadeia.>
Bolsonaro não se manifestou sobre o caso e tem sido aconselhado por interlocutores a permanecer em silêncio. O caso também colocou em xeque a capacidade de articulação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que é próximo de Bolsonaro, mas também é réu em processos de corrupção no STF. O placar folgado pela manutenção da prisão indica que a articulação foi para seguir o entendimento do Supremo.>
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