Levantamento sobre transparência e governança pública indica melhoria na qualidade da informação divulgada pelos municípios do Espírito Santo. Na nova edição do Ranking Capixaba de Transparência e Governança Pública, divulgada nesta terça-feira (25), 55 municípios foram classificados como “ótimo” no ranking geral, com somente quatro no nível “regular”. Mas o recorte no ranking da saúde e da adaptação climática aponta os desafios das prefeituras para os próximos anos.
No ranking da área da saúde, por exemplo, mesmo com a média dos municípios subindo de 65,1 para 72 pontos, de 2025 para 2026, 13 foram classificados como “regular”, 8 como “ruim” e Governador Lindenberg como “péssimo”. E a condição é mais desafiadora na parte da adaptação climática: 25 em “regular” e 10 em “ruim”. Outros seis aparecem como “péssimo”: Baixo Guandu, Alfredo Chaves, Brejetuba, Água Doce do Norte, Vila Valério e Águia Branca.
As informações sobre a adaptação climática, por sinal, entram pela primeira vez no ranking de transparência e governança pública, explica Adila Damiani, diretora executiva da ONG Transparência Capixaba, instituição responsável pela elaboração da classificação em parceria com o movimento empresarial ES em Ação.
12
municípios com nota 100
dentro do ranking geral da Transparência e Governança Pública
E esses dados já são o principal desafio para os municípios capixabas. “As prefeituras tiveram a oportunidade de conhecer a metodologia, no ano passado, e agora precisam melhorar na disponibilização dos dados”, pontua Damiani.
A média dos 78 municípios do Espírito Santo, dentro do recorte de adaptação climática, foi de 56,4 pontos, o que fica na faixa “regular”. Na classificação referente à saúde, essa média é de 72 pontos, dentro do conceito de “bom”, enquanto na transparência geral a classificação média foi de “ótimo”, atingindo 86,9 pontos.
“São dados que vão melhorar e já percebemos isso em um ano. As cidades conheceram a metodologia aplicada para esse ranking, no ano passado, e só com esse movimento houve municípios que não tinham Plano de Avaliação Climática e passaram a ter. Outros não divulgavam o trabalho realizado pela Defesa Civil e passaram a divulgar. O desafio maior é ajudar as prefeituras a encontrar as informações e saber como torná-las públicas. E, caso não tenham, buscar meios de atender e garantir os serviços”, explica Damiani.
Já para a melhoria no ranking da saúde, a diretora executiva da Transparência Capixaba avalia que o caminho também está na divulgação de informação, a exemplo dos serviços à população, como consulta de medicamentos e filas de espera para atendimento, mas sem esquecer da transparência nos dados financeiros e da participação popular. “Falta um pouco de zelo, por parte de algumas prefeituras, em adequar os dados para a avaliação, respeitando a necessidade da população”, afirma.
Mas a diretora reconhece que o avanço na transparência e na governança pública dos 78 municípios é bem mais positivo do que negativo. A evolução das prefeituras entre 2022 e 2026 foi alta. “Há quatro anos, seis municípios chegaram a 'ótimo' no ranking da transparência geral. Então, começamos um trabalho de assessoria e, com a ajuda do ES em Ação, chegamos a 44 'ótimos' no ano passado, subindo para 55 neste ano”, reforça Damiani.
Agora, todo mundo quer ficar no topo do ranking, e isso foi muito importante para chegarmos ao resultado de 2026.
Adila Damiani diretora executiva da ONG Transparência Capixaba
Outra prova dessa melhoria está nas metas atualizadas pela ONG para o próximo ranking, o de 2027. “Previmos não ter nenhum município na condição 'ruim' do ranking geral para 2026 e atingimos em 2025. Agora, queremos que não haja 'regular' em 2027, com todos classificados em 'bom' e 'ótimo'”, apresenta Adila Damiani.
Uma meta que, com o apoio do movimento empresarial ES em Ação, o diretor de Gestão Pública André Brito acredita ser possível alcançar. “A régua está alta, e os municípios, agora, precisam encontrar as oportunidades para trazer a informação para a população. Por isso, adotamos a entrega de um relatório de avaliação para entregar às prefeituras, mostrando as oportunidades e indicando o que fazer”, alerta Brito.
Cada município recebe um mapa de bordo, que ajuda a enxergar com clareza o que pode ser feito para melhorar a transparência e a governança pública.
André Brito diretor de Gestão Pública do ES em Ação
Os rankings de transparência têm metodologia desenvolvida pela Transparência Internacional – Brasil, chamada de Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) e composta por três módulos avaliados e pontuados separadamente: Geral, Saúde e Adaptação Climática. A aplicação é feita por organizações da sociedade civil em seus próprios territórios. Essas entidades coletam as informações, analisam os recursos apresentados pelas prefeituras e divulgam os resultados de sua região.
O principal objetivo é avaliar a transparência, a governança pública e a participação cidadã em municípios brasileiros. Sendo considerados exclusivamente como dados para os rankings as informações públicas disponíveis nos portais oficiais das prefeituras, organizados em seis dimensões: legislação, plataformas, administrativo e governança, obras públicas, transparência financeira e orçamentária, e comunicação, engajamento e participação.
Para o ranking, cada município recebe uma nota de 0 a 100 pontos, classificada em cinco faixas: Péssimo (0 a 19,9), Ruim (20 a 39,9), Regular (40 a 59,9), Bom (60 a 79,9) e Ótimo (80 a 100). Antes da divulgação, todas as prefeituras avaliadas recebem sua nota preliminar e têm prazo para apresentar recursos.