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Assassino de Gerson Camata desvia olhar de vídeo e chora ao ouvir testemunhas de defesa

Marcos Venicio de Andrade confessou ter matado ex-governador. Júri formado por sete mulheres vai decidir o destino do assassino, que já está preso preventivamente

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 03/08/2021 às 17h51
Marcos Venicio Moreira Andrade chegou ao Fórum Criminal, no Centro de Vitória, na manhã desta terça (3)
Marcos Venicio Moreira Andrade chega ao Fórum Criminal, no Centro de Vitória, na manhã desta terça (3). Crédito: Carlos Alberto Silva

O assassino confesso do ex-governador Gerson Camata, Marcos Venicio Moreira Andrade, começou a ser julgado nesta terça-feira (3) no Fórum Criminal de Vitória. O júri, composto por sete mulheres, vai definir o destino dele. Marcos Venicio está preso preventivamente desde o dia do crime, 26 de dezembro de 2018.

Durante o julgamento, foram exibidos vídeos, gravados por câmeras de segurança, que mostram o momento do assassinato. O crime foi cometido durante o dia, em uma calçada da Praia do Canto. 

Marcos Venicio assistiu sem esboçar emoção às imagens dos dois vídeos apresentados, mas abaixou a cabeça, desviando o olhar, no momento em que Camata, já ferido, cai no chão.

O sobrinho de Camata, o secretário de Estado de Controle e Transparência, Edmar Camata, que acompanhava o depoimento, deixou a sala pouco antes de ser exibido o momento da morte do tio. O filho da vítima, Bruno David Paste Camata, também. 

CHORO

Marcos Venicio foi às lágrimas ao ouvir o depoimento de duas das testemunhas de defesa, Antonio Carlos Franca e Clovis Menescau. Eles teceram elogios ao réu, disseram que ele era introvertido, mas simpático e costumava ajudar as pessoas.

Franca e Menescau eram também amigos de Gerson Camata. 

Marcos Venicio Moreira Andrade é assassino confesso de Camata
Marcos Venicio Moreira Andrade é assassino confesso de Camata. Crédito: Divulgação/Polícia Civil

"ELE ME MATOU"

Já uma das testemunhas arroladas pela acusação, o chef de cozinha Carlos Mariano Miranda Ayres, o Cassinho Ayres, contou que ouviu parte do que Marcos Venicio disse a Gerson Camata pouco antes do disparo de arma de fogo que matou o ex-governador. 

"Mas me sinto roubado", afirmou o assassino, de acordo com a testemunha. Já ferido, Camata disse, ainda segundo Ayres: "Ele me matou, ele me matou".

O chef contou, em entrevista para A Gazeta, ainda em 2019, como foram esses momentos. Ele chegou a tentar socorrer o ex-governador, que morreu no local. 

O CRIME

O crime ocorreu no dia seguinte ao Natal, em 26 de dezembro de 2018. Gerson Camata havia acabado de comprar um livro e cumprimentava conhecidos em uma calçada na Praia do Canto, em Vitória, quando foi abordado por Marcos Venicio, ex-assessor dele. Aos 77 anos, o ex-governador foi morto com um tiro, um crime que chocou o Espírito Santo.

Marcos Venicio foi detido em flagrante horas depois do assassinato e, no dia seguinte, a prisão foi convertida em preventiva. Ele é mantido no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Viana II.

Em 2019, o ex-assessor confessou o crime em interrogatório prestado ao juiz Felipe Bertrand Sardenberg Moulin, da 1ª Vara Criminal de Vitória. Na ocasião, afirmou que não premeditou o crime e que saber que tirou a vida do ex-chefe é uma “tortura diária”. "O presídio é muito duro, mas mais duro ainda é saber que tirei a vida dele", disse Marcos Venicio, de acordo com a transcrição das declarações prestadas por ele em juízo.

Assessor de Camata por 20 anos, Marquinhos, como é conhecido, foi denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPES) pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima. Marcos Venicio relatou ao juiz que abordou a vítima para questionar sobre um processo judicial por danos morais movido por Camata, em que o ex-assessor teve cerca de R$ 60 mil na conta bancária bloqueados pela Justiça.

Ainda em 2019, o ex-assessor foi pronunciado – decisão para conduzi-lo a júri popular – pelo juiz Moulin. A decisão sobre a condenação ou não de Marcos Venicio vai ser tomada pelos jurados e a sentença será proferida pelo juiz de Direito.

O QUE DIZ A DEFESA

Procurada pela reportagem, a advogada Junia Karla Passos Rutowistsch Rodrigues, umas das responsáveis pela defesa de Marcos Venicio, informou que aguarda um julgamento tranquilo e esclarecedor.

"Marcos é réu confesso e desde o fatídico dia, quando se apresentou espontaneamente e confessou o fato, contribui com a Justiça. Não esperamos pela absolvição, até mesmo porque ele já foi condenado há muito tempo, mas que os jurados e toda a sociedade possam conhecer a cronologia dos fatos desde 1986, quando o senador e ele se conheceram, e todos os eventos que se sucederam a partir de então", iniciou.

"A acusação pretende descaracterizar, desconstruir toda a sequência de fatos que ocorreram ao longo desses anos. A acusação qualificou o homicídio pelo pior desvalor humano, a torpeza, a ganância, tão repugnante que no rol das qualificadoras é a primeira, o que não é verdade. A defesa pretende, desde o início, esclarecer e permitir que Marcos tenha um julgamento justo e não um justiçamento a qualquer custo. Todos sofreram e ainda sofrem, e o Marcos não menos. Ele, como a pessoa justa e correta que foi ao longo de toda a vida, hoje sofre pelo seu ato que tirou a vida de um ser humano, sofre pelo seu ato que matou a pessoa que mais amava e, por fim, sofre na pele as consequências da prisão. Não pedimos clemência, mas sim Justiça", afirmou.

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