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Valcemiro Nossa

Artigo de Opinião

É conselheiro e Head Educação do LIDE ES e presidente da Fundação Fucape
Valcemiro Nossa

Currículos envelhecem em silêncio enquanto a tecnologia se reinventa em meses

Valcemiro Nossa
É conselheiro e Head Educação do LIDE ES e presidente da Fundação Fucape

Publicado em 19 de Maio de 2026 às 10:00

Publicado em 

19 mai 2026 às 10:00

A conta não fecha na mesa do CEO. O país nunca formou tantos profissionais e nunca foi tão difícil contratar. Oito em cada dez empresas brasileiras têm dificuldade para preencher vagas, segundo a ManpowerGroup. É o pior número da série histórica. A CNI confirma: o nível de indústrias afetadas pela falta de mão de obra qualificada bateu recorde. 


Nos serviços, o "apagão de talentos" já freia expansão e empurra salários para cima sem que a produtividade acompanhe. A economia cresce abaixo do potencial porque, no chão da operação, falta gente preparada e o problema deixou de caber na agenda do RH.


Como chegamos aqui num país que distribui mais diplomas do que nunca? A resposta incomoda: o problema não é de quantidade, é de qualidade. E qualidade, em educação, virou sinônimo de conexão com a realidade. 

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Currículos envelhecem em silêncio enquanto a tecnologia se reinventa em meses. Escolas e universidades seguem treinando alunos para problemas previsíveis, aquilo que a IA já faz com um clique. O mercado exige o que sobra à máquina: pensamento crítico, leitura de contexto, fluência digital e capacidade de enfrentar problemas complexos sem manual.


Esperar que o sistema educacional, sozinho, vire essa chave é torcer pelo improvável. Onde a defasagem encolheu (Alemanha, Suíça, Cingapura, EUA) foram as empresas que assumiram protagonismo. Bancaram bolsas para talentos sem condição de pagar. Abriram seus problemas reais como sala de aula. Receberam estudantes em projetos com prazo e risco. 


Construíram trilhas internas que terminam, na prática, com a fronteira entre estudar e trabalhar. Nos EUA, fundos patrocinados por empresas e ex-alunos sustentam parte expressiva da elite acadêmica. No Brasil, isso ainda é exceção, quando deveria ser estratégia.

Professor em sala de aula
Professor em sala de aula Freepik

Some-se a isso a inteligência artificial, que deixou de ser pauta futurista para virar competência básica. Quem aprende a usar IA com método produz mais, decide melhor e ocupa o espaço que resta quando a máquina engole o repetitivo. 


Empresas que qualificam suas equipes em IA e dados fazem algo além do treinamento: estão, na prática, se transformando em escolas. Quem ainda trata educação corporativa como gasto vai descobrir o preço no balanço.


É esse debate, sem rodeios, que o Seminário de Educação e Trabalho do LIDE Espírito Santo coloca na mesa neste 19 de maio, na Galeria Matias Brotas, em Vitória. Sob o tema "Empresas como Escolas: o investimento em capital humano como motor de crescimento", o encontro reúne CEOs e especialistas em dois painéis sendo um sobre a “Formação de Mão de Obra como Estratégia de Negócio” e o outro discutirá a “Educação 4.0: conectando formação, tecnologia e demandas do mercado”, com Roberta Kato, Flávia Rapozo, Andreia Gabriel, Bartira Almeida, Talles Brugni, Frederico Comério e Marco Cesarino entre os debatedores.


Produto, capital e tecnologia se compram. Talento, não. Por isso, capital humano virou agenda de CEO.

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