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Conflitos na Capital

Tensão em Vitória: cinco são presos durante operação da PM após ataques

Suspeitos foram capturados nas regiões de Santos Dumont, Bairro da Penha e Consolação; policiamento está reforçado com 100 militares nas ruas

Publicado em 11 de Outubro de 2023 às 10:17

Redação de A Gazeta

Publicado em 

11 out 2023 às 10:17
Armas e drogas apreendidas em Consolação e Santos Dumont, em Vitória
Armas e drogas apreendidas em Consolação e Santos Dumont, em Vitória Crédito: Divulgação | PM
Cinco pessoas foram presas nas regiões de Santos Dumont, Bairro da Penha e Consolação, em Vitória, durante uma operação entre a noite de terça-feira (10) e a madrugada de quarta-feira (11). Além disso, duas pistolas e drogas foram apreendidas. O reforço no policiamento desses e de outros bairros aconteceu após uma escalada da violência relacionada à guerra entre facções do tráfico na Capital, que se intensificou nesta semana. 
A informação das prisões foi confirmada pelo coronel Alexandre Ramalho, secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, em entrevista à reportagem de A Gazeta. "Durante a noite ocupamos a região do Bairro da Penha, São Benedito com 100 policiais militares. Ontem nós tivemos pessoas presas, duas pistolas apreendidas, drogas. Dessa forma que a gente vai trabalhando e procurando minimizar esse tipo de problema".
Por volta das 20h30, dois homens de 20 e 38 anos foram presos em Consolação, Vitória. Com eles, segundo a Polícia Militar, foram encontradas: buchas e cigarro de maconha, pinos de cocaína, pedra de crack, haxixe, loló, dinheiro, rádio comunicador e papeis com anotações do tráfico.
No Bairro da Penha, no mesmo horário, equipes da Força Tática estavam no Beco Dois quando receberam a informação de que um suspeito estava andando pela região com roupas camufladas. O homem, de 27 anos, foi localizado, tentou fugir, mas foi abordado. Com ele não tinha nada de ilícito, mas ele estava um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Sendo assim, ele foi levado para a delegacia. 
Já na madrugada de quarta, por volta de meia-noite e meia, mais duas pessoas foram presas, dessa vez em Santos Dumont. "Equipes da Força Tática receberam informações de que indivíduos do bairro Bonfim estavam a caminho de Santos Dumont, com objetivo de promover um ataque a rivais do tráfico de drogas. Foi montado um cerco na região, sendo que no momento em que avistaram as guarnições, os suspeitos empreenderam fuga, sendo localizados escondidos no quintal de residências. Os dois, de 30 e 22 anos, portavam uma pistola calibre 380 cada, além de munição. Ambos foram conduzidos para a Delegacia Regional de Vitória", informou a PM.

Semana de terror

Uma mulher de 40 anos e um motoboy foram baleados durante um ataque de traficantes no bairro Santos Dumont, em Vitória, na noite de domingo (8). A Polícia Militar chegou a perseguir os criminosos até a região de Tabuazeiro, também na Capital, mas eles conseguiram escapar. 
Testemunhas contaram que um churrasco acontecia no bairro, em frente a uma distribuidora, quando suspeitos chegaram em um carro. Armados, eles desceram já abrindo fogo. Só para ter uma ideia, no local foram encontradas 39 cápsulas de fuzil e mais de 50 cápsulas de pistola. A mulher, que estava no churrasco, foi baleada. Um motoboy, morador do bairro, estava saindo para trabalhar e também foi atingido.
A polícia chegou a perseguir o carro dos criminosos até a região de Tabuazeiro, mas eles abandonaram o veículo e conseguiram fugir para o Morro do Macaco. Os suspeitos deixaram para trás uma pistola de calibre 9mm de Israel, que foi apreendida.
No início da tarde, mais violência: um adolescente de 15 anos foi morto a tiros em ItararéEm vídeo que circulou pelas redes sociais, é possível ver que no momento do crime uma pessoa tenta impedir a ação segurando um dos suspeitos, mas não consegue detê-lo. A vítima foi assassinada em um beco e não teve a identidade divulgada. 
No Bairro da Penha, vizinho a Itararé, também teve ocorrência. Durante a manhã, dois suspeitos passaram de motocicleta e atearam fogo no carro de um policial militar da reserva que estava estacionado na rua. As chamas no veículo foram apagadas pelos próprios moradores da região, e conforme o Corpo de Bombeiros, não houve perícia no local.
Carro de policial militar é incendiado no Bairro da Penha, em Vitória.
Carro de policial militar é incendiado no Bairro da Penha, em Vitória Crédito: Leitor | A Gazeta
O clima ficou tenso. Ônibus deixaram de circular pela parte alta dos bairros Itararé, Consolação, São Benedito e Da Penha. Na manhã desta quarta-feira (11), a situação continua a mesma. "As alterações foram realizadas para garantir a operação com segurança. Os itinerários originais voltarão a ser cumpridos assim que a situação nos bairros for normalizada", informou a Companhia de Transportes Urbanos (Ceturb). 

Policiamento reforçado

Após os casos, o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, informou que o policiamento foi reforçado nas regiões. O secretário Alexandre Ramalho afirmou que cerca de 100 militares foram alocados para atuar nos locais onde ocorreram os confrontos, e que a força-tarefa permanecerá atuando enquanto a situação não for normalizada.

Briga entre rivais

As facções Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando de Vitória (PCV), lideradas, respectivamente, por Luan Vera e Marujo estão se enfrentando, segundo o coronel Douglas Caus. Esse seria o motivo dos ataques frequentes. “A operação (de reforço no patrulhamento) vai funcionar até a situação nesses locais se acalmar”, declarou o comandante.
Na manhã desta quarta, o coronel Alexandre Ramalho detalhou o conflito entre os grupos rivais. "Existem organizações criminosas que dominam determinados locais. Naquele local uma organização não aceita a presença de indivíduos que pertencem a outras. Até um determinado momento eles viviam com essa desavença, mas afastados, cada um tocando sua vida na questão do tráfico de entorpecentes, o que é um absurdo; só que agora eles entraram em conflito. Um resolve tomar o ponto de outro, enfrentar o outro, e isso traz uma consequência enorme para as comunidades em vulnerabilidade social."

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