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Publicado em 23 de março de 2026 às 12:38
Um dia antes de ser morta pelo namorado, a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, trocou o cadeado de casa. Isso porque o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza a perseguia e, segundo a família, já havia danificado a porta da residência meses em uma tentativa de invasão. Segundo o pai de Dayse, o relacionamento era marcado por idas e vindas. O policial não aceitava o fim do relacionamento e assassinou a vítima a tiros, na madrugada desta segunda-feira (23), em Mário Cypreste, na capital do Espírito Santo. >
"Ele falou que, se ela não ficasse com ele, não ficaria com ninguém. Ela me falou que ele a estava ameaçando de morte. Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Nem ela imaginava, nunca acreditava", declarou o pai de Deyse, Carlos Roberto Trindade Teixeira. >
A comandante dormia em casa quando o quarto foi invadido por Diego. Segundo testemunhas, ele acessou o imóvel com o auxílio de uma escada e arrombou a porta da sacada. O pai da vítima dormia no cômodo ao lado.>
"Ele entrou atirando. No primeiro tiro, eu acordei. Ouvi três disparos. Abri a porta devagar, olhei e o vi correndo com a arma engatilhada”, contou Carlos, em entrevista ao repórter André Afonso, da TV Gazeta. Após cometer o feminicídio, Diego tirou a própria vida na cozinha do imóvel. >
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O secretário municipal da Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Boni, detalhou que Diego chegou a pular uma marquise. "Ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Levou os materiais para poder entrar na residência, para poder subir na marquise. Tudo indica que ela estava deitada, dormindo, e ele efetuou os disparos sem possibilidade de reação. Na condição em que estava o quarto, deu a entender que ela só levantou e levou os disparos", disse.>
Dayse deixa uma filha de sete anos, fruto de um relacionamento anterior. Nas redes sociais, ela compartilhava momentos com a menina, mostrando a rotina das duas, como a preparação de lancheiras saudáveis e a presença da filha em atividades do trabalho.>
Reconhecida pela atuação no combate ao feminicídio, Dayse foi a primeira mulher a ocupar o cargo de comandante da Guarda Municipal de Vitória, tornando-se símbolo de dedicação na defesa de mulheres e crianças.>
"Dayse, que lutou tanto contra o feminicídio, realizava um trabalho extraordinário. Ela dedicou a vida para proteger mulheres e crianças. Temos lutado muito contra violência doméstica. A Dayse simbolizava isso", destacou o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. >
Lorenzo Pazolini
Prefeito de VitóriaNo Dia Internacional da Mulher de 2024, Dayse concedeu entrevista ao site da Prefeitura de Vitória e falou sobre a importância de ser a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal. "Confesso que é uma função exaustiva e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi. Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória", declarou à época.>
Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, em Vitória, e era formada em Pedagogia. Ela deixou as salas de aula para ingressar na área de segurança pública em 2012. Desde então, acumulou experiência em patrulhamento, abordagens e situações de risco.>
"Apenas 'estou' comandante, amanhã ou depois, estarei na rua de novo fazendo tudo isso. Sou preparada para isso. A Guarda é um aprendizado diário, não tem rotina. Eu posso programar todo meu dia amanhã, mas, por fazer parte da segurança pública, acontecer adversidades é o 'normal'", disse, na ocasião.>
Nesta segunda-feira (23), Vitória completaria 653 dias sem registro de feminicídios. "Atingimos esse marco exatamente pelas políticas públicas que a Dayse comandava, e infelizmente ela se torna vítima dessa violência", lamentou o prefeito.>
O prefeito Lorenzo Pazolini informou que a decretou luto oficial de três dias. "Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público", afirmou.>
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