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Publicado em 23 de março de 2026 às 10:56
Nesta segunda-feira (23), a cidade de Vitória completaria 653 dias sem registro de feminicídios. O marco foi interrompido pelo assassinato da comandante da Guarda Municipal Dayse Barbosa Mattos, morta pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. O crime ocorreu durante a madrugada, na casa da vítima. Segundo o pai de Dayse, a motivação foi o término do relacionamento entre os dois, fato que o assassino não aceitava.>
"Atingimos mais de 650 dias sem feminicídio exatamente pelas políticas públicas que a Dayse comandava, e infelizmente ela se torna vítima dessa violência", disse o prefeito Lorenzo Pazolini, em entrevista à TV Gazeta. >
Dayse era reconhecida pela atuação no combate ao feminicídio. Primeira mulher a ocupar o cargo, ela se tornou símbolo de força e dedicação na defesa de mulheres e crianças.>
"Dayse, que lutou tanto contra o feminicídio, realizava um trabalho extraordinário. Ela dedicou a vida para proteger mulheres e crianças. Temos lutado muito contra violência doméstica, a Dayse simbolizava isso", destacou o prefeito de Vitória.>
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Lorenzo Pazolini
Prefeito de VitóriaDayse estava dormindo em casa quando seu quarto foi invadido pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, na madrugada desta segunda-feira (23). Segundo testemunhas, ele entrou no imóvel, em Mário Cypreste, com o auxílio de uma escada e arrombou a porta. O pai da vítima, Carlos Roberto Trindade Teixeira, dormia no cômodo ao lado.>
"Ele entrou atirando. No primeiro tiro, eu acordei. Ouvi três disparos. Abri a porta devagar, olhei e vi ele correndo com a arma engatilhada”, contou Carlos, em entrevista ao repórter André Afonso, da TV Gazeta. Após cometer o feminicídio, Diego tirou a própria vida na cozinha da casa.>
O secretário municipal da Segurança Urbana de Vitória, Amarilio Boni, detalhou que Diegou chegou a pular uma marquise. "Ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou os materiais para poder entrar na residência, para poder subir na marquise. Tudo indica que ela estava deitada, dormindo, e ele efetuou os disparos sem possibilidade de reação [...] Na condição que estava o quarto, deu a entender que ela só levantou e levou os disparos", disse.>
Dayse deixa uma filha de sete anos. Nas redes sociais, ela compartilhava momentos com a menina, mostrando a rotina das duas, como a preparação de lancheiras saudáveis e a presença da filha em atividades do trabalho.>
Segundo o pai de Dayse, o relacionamento do casal durava cerca de quatro anos e era marcado por conflitos. Ele afirmou que a filha havia decidido encerrar a relação. “Isso aconteceu porque ela terminou e disse: ‘Você precisa se tratar’. Já aconteceu de eu ter que tirar ele de cima dela, porque ele a estava segurando pelo pescoço”, relatou.>
No Dia Internacional da Mulher de 2024, Dayse concedeu entrevista ao site da Prefeitura de Vitória e falou sobre a importância de ser a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal. "Confesso que é uma função exaustiva e desgastante, na maioria das vezes. Mas é por acreditar que estou mais acertando do que errando que sigo firme nessa missão que recebi. Fiz um compromisso de liderar, inspirar e motivar. Tenho orgulho de usar este uniforme, de fazer parte desta instituição e de representar a Guarda de Vitória", declarou à época.>
Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, em Vitória, e era formada em Pedagogia. Ela deixou as salas de aula para ingressar na segurança pública em 2012. Desde então, acumulou experiência em patrulhamento, abordagens e situações de risco.>
"Apenas 'estou' comandante, amanhã ou depois, estarei na rua de novo fazendo tudo isso. Sou preparada para isso. A Guarda é um aprendizado diário, não tem rotina. Eu posso programar todo meu dia amanhã, mas por fazer parte da segurança pública e acontecer adversidades é o 'normal", disse, na ocasião.>
Nas redes sociais, o prefeito Lorenzo Pazolini informou que a prefeitura decretou luto oficial de três dias. "Profissional exemplar, Dayse Barbosa destacou-se também como por sua firme atuação na defesa dos direitos das mulheres, contribuindo de forma significativa para o enfrentamento à violência e para a construção de uma sociedade mais justa e segura. Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público", publicou Pazolini. >
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