A Polícia Militar divulgou a identidade do 5º suspeito morto durante confronto na noite da última segunda-feira (14), no Morro do Macaco, em Tabuazeiro, em Vitória. João Daniel de Jesus Silva, nascido em setembro de 2001, natural de Itabuna, na Bahia, era o único que não havia sido identificado até o momento. Os outros quatro suspeitos mortes têm nomes, idades e imagens divulgadas.
São eles:
- Andreso Felipe Motta, o Mexerica, 36 anos
- Gabryel Santos Bento, 20 anos
- Lucas Bravim Passos, 19 anos
- Felype Yuri Pinto Arcanjo, 18 anos
- João Daniel de Jesus Silva, de 21 anos
Segundo apuração da TV Gazeta, o sepultamento de João Daniel deve acontecer em uma cidade da Bahia. A família veio ao Espírito Santo fazer a liberação do corpo. De acordo com o que foi divulgado inicialmente pela Polícia Militar, todos os cinco mortos no Morro do Macaco, em Vitória, tinham uma ficha criminal. Ou seja, eram suspeitos ou apontados de algum crime e eram conhecidos pela polícia. A informação, no entanto, foi corrigida.
Uma fonte da Polícia Militar informou ao repórter Caíque Verli, da TV Gazeta, que João Daniel de Jesus Silva não tinha passagens criminais. Procurada, a Secretaria de Estado de Justiça, que monitora o sistema prisional capixaba, confirmou que o nome de João Daniel não consta nos registros dos presídios do Espírito Santo. Ou seja, não há registro de prisão do jovem de 21 anos por qualquer crime.
Em entrevista ao repórter Paulo Ricardo Sobral, da TV Gazeta, o comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, afirmou que João Daniel atirou contra os policiais que estavam na região durante o confronto armado.
"Durante a ação da polícia, todos [os cinco] atiraram contra os policiais. Independente de ter ou não passagem anterior pela polícia, ele [João Daniel] estava atirando e, por isso, houve o revide", afirmou Caus.
O confronto na última segunda-feira (14) deixou cinco pessoas mortas na região do Morro do Macaco. Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Douglas Caus, a corporação recebeu a informação de que aproximadamente 30 indivíduos estariam no local durante a tarde, fortemente armados, para receber uma grande carga de drogas. A PM foi até a região e, conforme o comandante, houve confronto.
Cinco armas foram apreendidas durante a operação. Ainda na região, a polícia descobriu que os criminosos tinham a intenção de jogar uma granada nos policiais.
Após o confronto que resultou em mortes, o Ministério Público de Espírito Santo (MPES) informou que "acompanha o caso e aguarda o recebimento do Inquérito Policial Militar (IPM), a ser enviado pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar, e do Inquérito Policial, da Polícia Civil, para posterior análise e adoção das providências cabíveis e previstas em lei, pela Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar e pela Promotoria de Justiça Regional de investigação e Controle Externo da Atividade Policial, respectivamente".
Ainda de acordo com o MP, a Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar apura a possível prática de crimes militares e a Promotoria de Justiça Criminal atua na apuração crimes dolosos contra a vida.
Veja quem é quem
Segundo a Polícia Militar, Andreso Felipe Motta teve passagens por tráfico de cocaína duas vezes em 2008, nos meses de setembro e dezembro. Em 21 de dezembro de 2020, foi cumprido um mandado de prisão temporária contra ele — o crime não foi informado.
Andreso teria voltado para o Morro do Macaco após sair da cadeia em Minas Gerais em março de 2022. Inclusive, a suspeita da polícia é que eles que atiraram contra os militares durante o confronto no Morro do Macaco estavam tentando proteger Andreso, considerado uma das lideranças do tráfico local.
Já Gabriel Santos Bento teve passagens em setembro de 2018 e março de 2021 por porte ilegal de arma de fogo. Em maio de 2020, há ainda a informação de que houve uma averiguação para saber se ele estava com mandado de prisão em aberto. Na ficha dele também há uma anotação de "crimes diversos" em 21 de maio de 2012, quando Gabriel era menor de idade.
Lucas Bravim Passos, de acordo com a PM, estava com um mandado de prisão em aberto. Ele teve passagens por porte ilegal de arma de fogo em junho de 2017 e setembro de 2019; em novembro de 2019, também há uma anotação no nome dele de veículo recuperado com restrição de furto e roubo.
As passagens continuam em agosto de 2020 e de 2021, por tráfico. Em junho e novembro de 2021 há passagem por tentativa de latrocínio; em novembro do mesmo ano, o nome dele aparece em uma operação policial com anotação de "pessoa com mandado de prisão".
Em 2023, Lucas aparece duas vezes nos registros policiais: em maio, por lesão corporal contra a mulher, e em 7 de agosto, como "indivíduo não localizado" para cumprimento de mandado de prisão.
A ficha criminal de Felipe Yuri Pinto Arcanjo começa em dezembro de 2020, com cumprimento de mandado de prisão. Em agosto de 2021, há uma anotação sobre apreensão de arma e munições, assim como em agosto de 2022. A última passagem foi em maio de 2023, em que o nome dele aparece em um caso de tentativa de homicídio por arma de fogo.
Protesto dias após mortes no Morro do Macaco
Um protesto em Tabuazeiro, Vitória, movimentou forças de segurança e deixou alguns acessos ao bairro interditados nos dois sentidos na quinta-feira (17), três dias após as mortes no Morro do Macaco. O motivo da manifestação foi o confronto da PM com os suspeitos, que terminou em cinco mortes, segundo moradores contaram à reportagem de A Gazeta.
Manifestantes colocaram fogo em pneus e colchões no meio da avenida Coronel José Martins de Figueiredo, a principal da região. Por volta das 18h30, algumas lojas do entorno também estavam de portas fechadas. O Corpo dos Bombeiros e a Polícia Militar atuaram na ocorrência. A manifestação terminou por volta das 20h20, e a região liberada para o trânsito de veículos. Viaturas foram mantidas na região.
Polícia identifica 5º morto em confronto no Morro do Macaco, em Vitória