Desde que cinco homens foram mortos após confronto com a Polícia Militar no Morro do Macaco, em Tabuazeiro, Vitória, na última segunda-feira (14), mensagens vêm circulando nos grupos de WhatsApp e redes sociais sobre possíveis toques de recolher e ameaças de incêndio a coletivos.
A repórter Tarciane Vasconcelos, da TV Gazeta, conversou com o tenente-coronel Costa Leite, comandante do 1º Batalhão da Polícia Militar. Ele afirmou que não houve qualquer registro de toque de recolher ou tentativa de ataques a ônibus.
"Desde a última segunda-feira, após a ocorrência do Morro do Macaco, o policiamento da área continua reforçado e continuará até o necessário para reestabelecer a tranquilidade. Nós não tivemos nenhum episódio de tentativa de parar vias ou qualquer iniciativa de grupos criminosos para realizar ataques à sociedade. Não temos hoje informações de toque de recolher e estamos sempre atentos. Tivemos durante o dia algumas mensagens, vídeo, e a gente sabe que isso traz uma certa insegurança, mas estamos aqui para garantir a segurança da população", declarou o comandante.
Na manhã desta quarta-feira (16), o comércio da região abriu normalmente. A reportagem da TV Gazeta circulou pelo local e constatou viaturas da PM posicionadas nos acessos ao Morro do Macaco. Além disso, confirmou que os ônibus voltaram a circular no alto da comunidade. Mais de 200 militares estão reforçando a segurança do local.
Na terça-feira (15), um vídeo mostrou traficantes fugindo de São Benedito em direção ao Jaburu, em Vitória. Nessa mesma região, durante a manhã e a tarde desta quarta, moradores registraram muitos foguetórios.
O policiamento foi reforçado depois que cinco suspeitos foram mortos confronto com policiais militares. Quatro deles foram identificados: Andreso Felipe Motta, o Mexerica, de 36 anos; Gabryel Santos Bento, de 20 anos; Lucas Bravim Passos, de 19 anos, e Felype Yuri Pinto Arcanjo, de 18 anos.
Segundo a polícia, todos tinham ligação com o crime e estariam protegendo Andreso, apontado como uma das lideranças do tráfico da região. Além das mortes, foram apreendidas cinco pistolas, munição e uma granada.
A professora de Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Luizane Guedes, estuda como nasceram e se organizaram os bairros pobres da Grande Vitória. Ela explicou que mortes como as que aconteceram no Morro do Macaco não resolvem o problema da criminalidade.
"As operação policiais não têm surtido efeito que a população espera. Com as mortes, a gente não tem uma sensação de segurança aumentada, muito pelo contrário; o 'RH do tráfico' funciona muito mais rápido do que as políticas públicas. A gente tem bolsões de miséria, e onde a gente encontra pobreza, a gente encontra pouco acesso. E onde a gente encontra pouco acesso, infelizmente o tráfico chega e domina", disse ela em entrevista à TV Gazeta.