Repórter / [email protected]
Publicado em 22 de setembro de 2025 às 17:31
Um homem de 34 anos foi preso na última terça-feira (16), em Vitória, por suspeita de estuprar a própria filha por dois anos seguidos. A prisão foi realizada apenas quatro dias após a adolescente, de 14 anos, relatar os abusos à mãe. Ambas procuraram a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) na sexta-feira (12) e a investigação foi iniciada de imediato. O nome dele não foi divulgado para preservar a identidade da vítima, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad). >
De acordo com a polícia, o pai ameaçava a filha com uma arma de fogo apontada para a cabeça dela, dizia que a mataria, e também que assassinaria a mãe da menina caso ela contasse algo. Ele ainda monitorava as redes sociais da vítima e também a vida dela. “Esses abusos começaram quando ela tinha cerca de 12 anos e vinham ocorrendo até atualmente. Eles aconteciam de forma reiterada”, afirmou a adjunta da DPCA, delegada Sabrina Kiesel Schons.>
Segundo as investigações, os pais da adolescente estavam separados desde o início do ano. A menina vivia com a mãe, na Serra, e fazia visitas quinzenais ao pai, em Vitória. Nesses encontros, os abusos passaram a acontecer com frequência. Antes disso, eles ocorriam dentro da casa onde a família morava. “A genitora não sabia desses abusos. A menina contou para a mãe na quinta-feira à noite, e na sexta pela manhã elas procuraram a delegacia”, relatou a delegada. Por segurança, mãe e filha foram levadas para um abrigo até que a prisão do suspeito fosse concretizada.>
Durante a apuração da denúncia, a Polícia Civil descobriu que o suspeito tinha uma passagem por homicídio e havia ficado foragido do sistema penitenciário por um período. Com apoio do serviço de inteligência da Polícia Militar e da Polícia Civil, também foi constatado que ele era integrante da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória (PCV) e ocupava posição de liderança no tráfico de drogas na região da Grande São Pedro. >
>
“A DPCA compartilhou as informações com o Serviço de Inteligência da PM, que conseguiu identificar a residência do suspeito e confirmou que ele era a segunda liderança do tráfico ali de Fruta Pão”, afirmou o comandante da Força Tática do 1º BPM, tenente Leopoldino.>
Com a confirmação do endereço, os policiais montaram uma operação para cumprir o mandado de prisão por estupro. O homem foi encontrado em uma casa no bairro Universitário, usada como centro de distribuição de drogas. No local, foram apreendidos os seguintes materiais: 13 quilos de cocaína; 443 pedras de crack; 370 buchas de maconha; 143 tiras de maconha; 210 gramas de maconha; 100 gramas de crack; 5 balanças de precisão; 5 aparelhos celulares e 1 rádio comunicador. >
Além do homem de 34 anos, outras três pessoas foram presas em flagrante no local: dois homens, de 18 e 34 anos, e a atual companheira do pai da vítima, uma mulher de 24 anos. Segundo a PM, todos têm ligação com o tráfico da região "Fruta Pão" e estavam envolvidos na distribuição de drogas. Os quatro foram autuados por tráfico de drogas e associação para o tráfico, além do cumprimento do mandado já existente contra o pai da vítima.>
A residência, segundo a PM, funcionava como base logística para abastecer pontos de venda na Grande São Pedro. “Havia uma movimentação intensa no local, típica de centros de distribuição de drogas. Esse homem havia herdado a liderança do tráfico na região da Fruta Pão após a prisão do antigo chefe”, explicou o tenente Leopoldino.>
O delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, destacou a gravidade do crime e a resposta rápida das forças de segurança. “Sabemos quão traumatizante é essa situação. Ser abusada pelo próprio pai e viver sob ameaças abala a paz de espírito da pessoa. A vítima terá que conviver com essa dor pelo resto da vida”, disse. A adolescente e a mãe, segundo a Polícia Civil, receberão acompanhamento psicológico pela rede de proteção social.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta