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Operação Telic mira integrantes do PCV que atuam em Vila Velha

Operação Telic mira integrantes do PCV que atuam em Vila Velha

Ação visava cumprir 26 mandados de prisão temporária e 40 de busca e apreensão após investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES

Publicado em 11 de novembro de 2025 às 08:21

MPES, PM e Sejus deflagram segunda fase da Operação Telic contra organização criminosa em Vila Velha
MPES, PM e Sejus deflagram segunda fase da Operação Telic contra organização criminosa em Vila Velha Crédito: Divulgação | MPES

Mais de 20 pessoas foram alvos da segunda fase da Operação Telic, iniciada na madrugada desta terça-feira (11) em Vila VelhaCariacica e Santa Maria de Jetibá. A ação, que continua em andamento, mira integrantes da facção Primeiro Comando de Vitória (PCV) que atuam na região da Grande Terra Vermelha, no município canela-verde.

Durante as buscas do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), da Polícia Militar e da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), foram cumpridos 16 mandados de prisão temporária, inclusive contra um dos braços direitos da liderança da facção, que destruiu o próprio celular antes de ser preso, e três pessoas que já estavam cumprindo pena em presídios. Além dos alvos originais, uma pessoa que não estava na mira da operação acabou presa em flagrante.

A investigação foi instaurada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPES, para identificar e desarticular as ações criminosas de tráfico de drogas e outros crimes atribuídos a integrantes do PCV na região da Grande Terra Vermelha. Até as 19 horas desta terça (11), dez investigados continuavam foragidas.

Além das prisões, foram cumpridos 40 mandados de busca e apreensão, que resultaram no recolhimento de dinheiro, máquinas de cartão, celulares, drogas e armas, incluindo uma submetralhadora.

Armas foram apreendidas durante a Operação Telic, nesta terça-feira (11)
Armas foram apreendidas durante a Operação Telic, nesta terça-feira (11) Crédito: Reprodução

As provas obtidas pelo MPES revelaram que as ordens do grupo eram emitidas de dentro das unidades prisionais, por meio de mensagens repassadas por familiares e advogados, e executadas por comparsas em liberdade, com divisão hierárquica de funções. 

Sem dar detalhes, o comandante-geral da PMES, coronel Douglas Caus, citou que o eventual desfecho da operação pode apontar para o envolvimento de funcionários públicos e líderes comunitários com a facção.

"Toda facção criminosa que quer se estabelecer em uma região, ter áreas, ela busca essa cooptação de funcionários públicos, que facilita a questão do trânsito da informação, as lideranças comunitárias para lavar o dinheiro e os pontos de venda de droga. É uma forma de essas facções se estabelecerem e se enraizarem dentro das comunidades. Isso tudo dificulta o trabalho da Polícia Militar. Operações podem ser vazadas, pontos de venda de drogas podem estar dentro de estabelecimentos comerciais…"

Na primeira fase da Operação Telic, que ocorreu em agosto deste ano, uma advogada foi alvo da ação. Um empresário dono de uma fazenda no bairro Village do Sol, em Guarapari, chegou a ser preso. 

Quem são os presos

Da esquerda para a direita: Marcelo Schunk e Wadryan Braga Vitalino
Da esquerda para a direita: Marcelo Schunk e Wadryan Braga Vitalino Crédito: Fabrício Christ

O MPES não divulgou os nomes dos presos, mas, segundo apuração da TV Gazeta, um deles foi identificado como Wadryan Braga Vitalino, apontado como um dos responsáveis pela logística de distribuição e venda de drogas para a facção. Outro é Marcelo Schunk, responsável pela articulação e corrupção de agentes públicos.

Conforme apuração da repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta, os presos foram levados ao Instituto Médico Legal (IML), em Vitória, antes de serem encaminhados para o presídio. Entre eles estava um homem apontado como braço armado da facção, que tinha mandados de prisão em aberto por assassinato e tentativa de homicídio. A operação mira também os responsáveis pela logística de distribuição de drogas da facção.

Um homem apontado como braço direito da liderança do Primeiro Comando de Vitória (PCV), na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha, foi preso durante a tarde. Antes de ser capturado, ele destruiu o próprio aparelho celular, para dificultar a extração de informações. De acordo com a apuração do repórter Álvaro Guaresqui, da TV Gazeta, ele seria Raphael Will Alberto, vulgo Suquinho.

Outro preso na operação é o preparador físico Wallace Pessanha, que acumula passagens por clubes tradicionais do Espírito Santo, como Desportiva, Vitória, Serra e Real Noroeste. Ele foi preso em Vila Velha.

Mais de 120 policiais militares foram mobilizados para o cumprimento das ordens judiciais, realizando buscas, apreensões, prisões e conduções dos investigados. 

Além de membros do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, da Agência Central da Diretoria de Inteligência da PMES, a ação contou com participação de agentes de Inteligência e equipes ostensivas das Forças Táticas do Batalhão de Ações com Cães (BAC), 4º BPM, 7º BPM, 10º BPM, 11ª Companhia Independente, 13ª Companhia Independente, 16ª Companhia Independente e 17ª Companhia Independente.

A reportagem tenta localizar a defesa dos investigados.

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