A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Efeito Colateral, que investiga o comércio ilegal de canetas emagrecedoras e outros medicamentos sem autorização de venda por órgãos sanitários. Ao todo, são cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. Até o momento três pessoas foram presas em flagrante.
A ação conta com um efetivo de 32 policiais e 16 viaturas. As diligências seguem em andamento.
O titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), delegado Eduardo Passamani, explicou que a operação teve como foco a apreensão de canetas emagrecedoras contrabandeadas para o Brasil. Entre os produtos encontrados está a retatrutida, substância que, segundo o delegado, não possui autorização para uso em nenhum país e ainda está em fase de estudos.
"É uma promessa de futuro e está em fase de estudo. Está sendo produzida fora do país de modo clandestino e as pessoas estão usando. É um risco à saúde. Ninguém sabe qual é o dano a longo prazo e nem o que tem dentro do material", afirmou.
Os alvos da operação incluem pequenos comércios e clínicas que, conforme a investigação, podem estar fazendo promessas de emagrecimento e oferecendo a aplicação das substâncias.
A primeira fase da operação foi deflagrada em 28 de maio, nos municípios da Serra e Vila Velha, quando foram cumpridas sete medidas judiciais. Na ocasião, um dos principais investigados, apontado pela polícia como o principal contrabandista de canetas emagrecedoras do Estado, foi preso temporariamente.
A ação também resultou na apreensão de medicamentos de origem estrangeira sem documentação fiscal e comprovação sanitária, produtos vencidos e materiais utilizados na comercialização clandestina.
As investigações identificaram um esquema estruturado de contrabando, distribuição e venda irregular de medicamentos, incluindo canetas emagrecedoras.
Segundo a Polícia Civil, os produtos eram anunciados e comercializados por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, sem garantia de procedência, eficácia ou condições adequadas de armazenamento.
A apuração também apontou indícios de envolvimento de servidores públicos da área da saúde na aquisição e revenda irregular dessas substâncias.
O chefe da Divisão Especializada da Região Metropolitana (DIV-DRM), delegado Leonardo Ávila, chamou a atenção para as condições inadequadas de armazenamento dos medicamentos apreendidos durante a operação. Segundo ele, parte dos produtos estava misturada a alimentos, como alho e cebola, enquanto outros eram mantidos em geladeiras sem controle de temperatura ou até mesmo fora da refrigeração.
O delegado alertou que o uso dessas substâncias sem acompanhamento profissional representa um risco à saúde. "A gente não sabe a origem ou como está sendo o armazenamento. São produtos contrabandeados, sem qualquer fiscalização, vendidos de forma fracionada", afirmou.
Ávila orientou que pessoas interessadas em utilizar medicamentos para emagrecimento procurem profissionais de saúde e estabelecimentos regulares, com acompanhamento médico e prescrição. Ele ressaltou a importância de conhecer a procedência dos produtos e garantir que sejam armazenados adequadamente.
A operação é realizada pela Superintendência de Polícia Especializada (SPE) e pela Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (Decon), com apoio da Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES) e da Subsecretaria de Inteligência (SEI) da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).