A diferente expectativa de vida entre homens e mulheres tem intrigado cientistas desde o início do século passado. Existem diferenças geográficas. Na Rússia e em países do leste europeu, como Ucrânia e Belarus, as mulheres chegam a viver de dez a treze anos mais que os homens (isto antes da guerra...). Em países pobres da África subsaariana, com alta mortalidade materna, essa diferença pode ser de pouco mais de dois anos. No Brasil, a diferença de expectativa de vida está em torno de quase seta anos a mais para as mulheres.
As principais causas destas diferenças importantes de expectativa de vida entre os sexos envolvem múltiplos fatores. Os homens sofrem mais as consequências de doenças não transmissíveis como doença cardiovascular, vários tipos de câncer e diabetes. Causas externas como suicídio, acidentes de trânsito, quedas e violência interpessoal são mais frequentes em homens.
O suicídio é uma causa importante de morte em homens com menos de 50 anos em muitos países e regiões. Doenças infecciosas como infecções respiratórias, tuberculose, HIV/Aids e hepatites doenças relacionadas ao uso de álcool e drogas também são mais comuns no sexo masculino. Diferenças genéticas (telomerases nos cromossomas das mulheres) e hormonais também estão sendo estudadas.
A manutenção da diferença de mortalidade entre os sexos, mesmo com aumento do tabagismo e uso de álcool entre mulheres, tem levado os pesquisadores a entender as causas da persistência deste paradigma. Algumas características do patriarcado histórico, ligados à masculinidade, como porte e acesso mais fácil às armas, violência como solução de conflitos, tabagismo mais precoce e comum, envolvimento com jogos contribuem com o risco maior masculino. A masculinidade tóxica impulsionada em certos canais de mídias sociais hoje, o retorno saudoso da machosfera, certamente não contribuem para o enfrentamento destas questões.
Nas últimas décadas, os sistemas de saúde de diferentes países têm procurado enfrentar essas questões da menor longevidade masculina. Agências de saúde tentam entender e enfrentar a relutância conhecida dos homens em procurar serviços e profissionais de saúde. Mulheres fazem mais prevenção procuram mais por vacinas do que os homens.
Recentemente, no mês de outubro, a prestigiada revista européia The Lancet iniciou a publicação de uma série de artigos intitulados “Men´s Health”. Os autores realçam que a saúde masculina constitui um intrigante paradoxo político: apesar de séculos de dominância masculina na medicina e na vida sociopolítica, as necessidades específicas da saúde masculina constituem em evidentes pontos cegos nas políticas nacionais e globais de saúde.
Novembro azul é uma oportunidade real para início do enfrentamento desse paradigma. Trata-se de incentivar os homens de sua família, prezada leitora que se cuida, a fazer a prevenção do câncer de próstata.