De acordo com as estatísticas médicas, quase 1/3 dos idosos acima de 65 anos experimentam quedas ao longo de sua existência, e muitas destas resultam em fraturas.
As hospitalizações em decorrência das quedas e fraturas resultam em sequelas com declínio funcional ou mesmo mortes. Quantos de nós temos pessoas queridas idosas que morreram em consequência delas?
Em razão de seu papel no metabolismo ósseo, as suplementações com cálcio e vitamina D são rotineiramente usados para prevenção deste risco de fratura associada a quedas. Embora o custo limite seu uso em larga escala no SUS, na saúde suplementar é raro encontrar idosos que não estejam usando cálcio ou vitamina D ou mesmo ambos.
No entanto um grupo de pesquisadores de Quebéc, Canadá, publicou recentemente no British Medical Journal uma revisão sistemática envolvendo publicações científicas entre 2014 e 2025, com o objetivo de avaliar a suplementação de cálcio e vitamina D na prevenção de fraturas.
Essa revisão envolveu 69 trabalhos que acompanharam mais de 150 mil idosos. A conclusão é que nem a suplementação de cálcio nem a suplementação de vitamina D, ou mesmo ambas, tiveram impacto significativo na prevenção de quedas ou mesmo de fraturas associadas às quedas em idosos.
Nas principais fraturas de nossos pacientes idosos, de quadril ou mesmo de vértebras, a suplementação de cálcio e vitamina D foram irrelevantes.
Em editorial na mesma revista, pesquisadores canadenses destacam a importância de exercícios de resistência muscular, especialmente de fortalecimento e manutenção de massa muscular em membros inferiores, na prevenção de quedas em idosos.
Também ressaltam a importância de marcha (caminhar) e exercícios de equilíbrio na prevenção de quedas, já que os idosos mostram importante declínio de equilíbrio à medida que os anos passam. Outras atividades como Tai Chi Chuan e até mesmo dança ajudam a preservar equilíbrio à medida que envelhecemos.
A adequação dos domicílios quando possível também é muito importante, com o cuidado na remoção de tapetes que possam facilitar e propiciar quedas. Enfim, os pesquisadores alertam que não basta corrigir eventuais deficiências de vitamina D e cálcio e confiar que estamos protegendo nossos pais e avós.
Caso não cuidemos da massa muscular e do equilíbrio, nossos avós seguirão com quedas e fraturas e correndo risco de vida ou no mínimo de declínio funcional após as inevitáveis quedas.