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Lauro Ferreira Pinto

Quer viver cem anos? Olhe seus antepassados

A descoberta de que a longevidade tem base genética forte facilita o foco das pesquisas em envelhecimento

Publicado em 27 de Agosto de 2026 às 04:20

Públicado em 

27 ago 2026 às 04:20
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto Lauro Ferreira Pinto

O estudo da longevidade tem fascinado pesquisadores em todo o mundo ao longo de décadas. A humanidade deu um salto extraordinário do século XIX para o século 20. No início do século XX (por volta de 1901) a expectativa de vida média era por volta de 35 anos. 


Cem anos depois no alvorecer do século XXI, a expectativa de vida duplicou chegando a mais de 70 anos nos países mais desenvolvidos. Fatores extrínsecos, do ambiente, como água potável, saneamento básico, vacinas, o soro oral nas doenças diarreicas, várias foram as causas por trás desta conquista. Muito cientistas então têm se perguntado até quando pode viver o ser humano?

 

Até recentemente se acreditava que os fatores genéticos na longevidade eram responsáveis por uma média de 25% nos seres humanos. No entanto os estudos antigos eram contaminados por fatores externos. 

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Agora em 2026, pesquisadores israelenses, liderados por Bem Shenhar, um biofísico do Weizmann Institute of Science, em Israel, publicou um estudo revolucionário na revista Science, mostrando que longevidade está essencialmente nos gens dos seres humanos


Com o objetivo de controlar a influência de fatores externos, Shenhar e colaboradores reexaminaram dados de gêmeos idênticos de coortes dinamarquesas e suecas, que viveram depois em ambientes distintos, comparando com gêmeos fraternos ou mesmo irmãos de centenários nos Estados Unidos. 


Os pesquisadores demonstraram que a longevidade tem determinância genética em 55%, mais do que o dobro do que se acreditava ate então. Claro que viver muito não quer dizer matematicamente viver com qualidade. 

Idoso Pixabay

A qualidade e saúde de envelhecer bem continua ligada ao estilo de vida das pessoas. Atividade física, não fumar, cuidado no uso do álcool e alimentação saudável continuam a ter um importante papel na saúde humana. 


Pesquisadores chineses, britânicos e norte-americanos também publicaram na Science este ano que dietas adequadas, como a Dash, dieta mediterrânea, e dietas de redução de risco de diabetes, acrescentavam em média 1,9 a 3 anos de vida aos homens e 1,5 a 2,3 anos de vida às mulheres


No entanto, a descoberta de que a longevidade tem base genética forte facilita o foco das pesquisas em envelhecimento. Se você, caro leitor ou leitora, tem centenários ou mesmo nonagenários saudáveis na família, alegre-se. Pode ter herdado seus genes.

Lauro Ferreira Pinto

Lauro Ferreira Pinto Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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