A medalha Fields é considerada o Nobel da matemática. Foi criada por iniciativa do matemático canadense John Charles Fields e concedida pela primeira vez em 1936. Ela é entregue sempre a 2 ou 4 matemáticos de destaque que tenham idade inferior a 40 anos.
A regra de premiar apenas menores de 40 anos foi um pedido do próprio Fields, conferida no alvorecer da carreira de um matemático, para que servisse tanto para reconhecer trabalhos passados quanto para incentivar descobertas futuras.
Em 2014, o brasileiro Artur Ávila ganhou a medalha, tornando-se o primeiro latino-americano a receber a honraria. Ela é conferida a cada 4 anos, igual à Copa do Mundo, que recentemente se encerrou com escassas alegrias para nós brasileiros.
O prêmio consiste em 15 mil dólares canadenses (pouco mais de R$ 54 mil) dados com uma medalha de ouro com o rosto barbudo de Arquimedes. Afinal, Arquimedes foi um dos maiores matemáticos da Antiguidade (na verdade um polímata), que teria gritado Eureka, ao descobrir na banheira o princípio do empuxo (o volume de água deslocado corresponde ao volume de seu corpo).
No último 23 de julho, a medalha Fields de 2026 foi entregue a 4 matemáticos. É curioso descobrir quem são os “matematletas”: o primeiro foi Yu Deng, 37 anos, nascido na China e hoje na Universidade de Chicago. Deng trabalhou em modelos estatísticos relacionados a leis de Newton sobre movimento para estimar interações entre bilhões de objetos em ricochete.
O segundo foi John Pardon, 37 anos, americano, da Universidade Stony Brook, do estado de Nova York, que trabalha com geometria e topologia. O terceiro foi Jacob Tsimerman, 38 anos, da Universidade de Toronto. Nascido na Rússia, é considerado um teórico dos números. Ele admite que é complicado explicar o que é um teórico dos números. No entanto, está mudando seu foco de pesquisa para a inteligência artificial. Ele quer ter certeza de que poderosos modelos de inteligência artificial não sairão de controle.
A quarta e última premiada foi Hong Wang, 35 anos, também nascida da China e hoje na Universidade de Nova York. Ela explica que gasta a maior parte do seu tempo pensando em tubos longos e finos, como espaguete cru.
Esse limite incomum de idade para premiação da medalha Fields constitui, como falei atrás, além de um tributo ao trabalho dos vencedores, também uma aposta no seu futuro. O New York Times diz que são matemáticos para se observar e acompanhar as pesquisas que farão de ora em diante.
Segundo o mesmo jornal, no último domingo da Copa do Mundo um matemático refutou uma conjuntura que existia há 87 anos, enquanto assistia à final do campeonato mundial. Tsimerman afirmou que a Inteligência Artificial dobrou sua produtividade em matemática.
Está imaginando, querido leitor ou leitora, por que um médico está escrevendo sobre matemática? A resposta é que é muito interessante registrar que, quando, não apenas os EUA, mas boa parte da Europa, procuram dificultar ao máximo a imigração, três imigrantes, sem dúvida atraídos pelo ambiente fértil das grandes universidades americanas e canadenses, tenham conquistado o Nobel da Matemática. Afinal, uma das razões da América sempre ter sido grande é a atração que suas universidades sempre exerceram em talentos do mundo inteiro.