Em 1899, um surto de peste bubônica que se propagava a partir do porto de Santos levou a administração pública do estado de São Paulo a criar um laboratório de produção de soro para combater a peste.
Em 1901, nascia o Instituto Butantan, que logo se tornou o maior produtor de vacinas e soros da América Latina. Na pandemia de Covid-19, o Butantan produziu a Coronavac, primeira vacina disponível no Brasil para profissionais de saúde e mesmo para nossa população.
O Instituto produz todo ano as vacinas de influenza de acordo com as cepas selecionadas pela Organização Mundial da Saúde, bem como as vacinas de HPV disponíveis na rede pública para todos os adolescentes na prevenção de câncer de colo de útero, orofaringe e tantos outros.
O atual diretor do Butantan é o médico Esper Kallas, professor titular e livre docente da Faculdade de Medicina da USP. Pesquisador sério e responsável, com um currículo brilhante, foi escolhido para o cargo no atual governo de Tarcísio de Freitas.
O Butantan tem uma invejável e respeitosa trajetória em pesquisa clínica. Entre seus esforços, a pesquisa de uma vacina de dengue brasileira sempre foi um alvo importante, já que a doença há mais de uma década tem causado mortes de milhares de cidadãos brasileiros, sem dúvida o país que mais sofre com esse agravo de saúde pública.
A fase 3 da vacina de dengue do Butantan foi publicada em uma das mais prestigiadas revistas científicas em todo o mundo, o New England Journal of Medicine em janeiro de 2024.
Agora, em março de 2026, os estudos de segurança de mais de cinco anos de experiência com a vacina do Butantan foram publicados em outra revista de ponta, a Nature. Em novembro de 2025, a Anvisa autorizou a liberação da vacina de dengue do Butantan. Vamos lembrar que apenas em 2024 a dengue matou mais de 6 mil brasileiros.
A vacina mostrou potencial de proteção contra dengue grave de mais de 80% com apenas uma dose. Após seu uso em larga escala, depois de ser aplicada em mais de 500 mil brasileiros, o achado de 42 pessoas com dengue com sinais de alerta e dois óbitos levou o Ministério da Saúde a suspender sua aplicação enquanto se investiga se a vacina teve importância nessas duas mortes ou apenas não conseguiu evitá-las.
A Vacina Qdenga da Takeda segue sendo usada sem nenhuma observação de risco maior após ser aplicada em mais de 8 milhões de brasileiros.
Isso mostra que os cientistas e autoridades da saúde pública levam a sério as vacinas. Os estudos rigorosos com mais de 15 mil brasileiros vacinados foram publicados em revistas internacionais e liberaram o uso da vacina. O uso em larga escala, com 500 mil vacinas aplicadas, pode mostrar efeitos até então desconhecidos, que odem ou não estar relacionados à vacina.
A farmacovigilância no Brasil é bem estruturada e não se alimenta de boatos, mas com dados de realidade. Eu torço para que a vacina seja inocentada e volte a ser usada. A produção da Takeda, japonesa, sozinha não dá conta de tantos brasileiros vulneráveis.