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Lauro Ferreira Pinto

Sexo forte: por que elas vivem mais?

Os pesquisadores concluem que diferenças biológicas existentes entre os sexos provavelmente têm influência para explicar a diferença na expectativa de vida

Publicado em 04 de Junho de 2026 às 04:00

Públicado em 

04 jun 2026 às 04:00
Lauro Ferreira Pinto

Colunista

Lauro Ferreira Pinto

As mulheres vivem mais que os homens. As viúvas são mais numerosas que os viúvos. A expectativa de vida ao nascer atingiu 76,6 anos no Brasil em 2024, segundo o IBGE, já superando os níveis pré-pandemia. As mulheres vivem em média 79,9 anos contra 73,1 dos homens (6,7 anos a mais). 


Essa diferença de mortalidade entre os sexos têm intrigado pesquisadores nas últimas décadas. Um estudo clássico publicado em 2010, coordenado pelo prof Richard Rogers, da Universidade do Colorado, analisando a população dos EUA entre 1988 e 1995 atribuiu essa diferença a estilo de vida e procura aos serviços de saúde.


Os homens fumavam mais, ingeriam mais álcool, expunham-se mais frequentemente a situações de risco (no trânsito ou na vida em geral) e procuravam menos os serviços de saúde. 

Longevidade
Longevidade Shutterstock

Essa diferença entres os sexos é observada em diferentes civilizações e países, sendo quase inexistente no México e muito divergente no Japão, onde as mulheres têm uma das maiores expectativas de vida observadas (há 3 a 4 vezes mais homens tabagistas no Japão do que mulheres).


Um novo estudo publicado no Jama (Jornal da Associação Medica Americana) agora em 2026, coordenado por uma mulher, a Dra. Sarah Jackson, do Instituto Nacional do Câncer em Maryland (EUA), traz curiosas e novas informações.


Jackson e sua equipe estudaram dados mais recentes de mortalidade e estilo de vida nos EUA até 2019. Os pesquisadores conseguiram ajustar seus dados de acordo com nível educacional, hábitos (como tabagismo, etilismo, atividade física), história de diabetes, hipertensão arterial e câncer, acesso a serviços de saúde, etc. 


Os autores comentam que nas últimas décadas ocorreu uma convergência de comportamentos entre os dois sexos. Por exemplo, em 1965, 51% dos homens e 34% das mulheres fumavam nos EUA, comparado com 13% dos homens e 9% das mulheres que se diziam fumantes no mesmo país, em 2023. 


Também a diferença entres os sexos no abuso de álcool também se reduziu. Até mesmo a diferença de busca e acesso a serviços de saúde se reduziu entre os sexos nas últimas décadas.


No entanto, a diferença de expectativa de vida entre os sexos permaneceu praticamente inalterada nos EUA (75,8 anos para homens e 81,8 para mulheres), ao final da década passada.

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Os pesquisadores concluem que diferenças biológicas existentes entre os sexos, como fatores cromossomiais e mesmo hormonais, provavelmente têm influência para explicar a diferença na expectativa de vida. Os relógios biológicos do envelhecimento feminino são mais lentos que os masculinos. 


As mulheres têm telómeros mais longos, em média, que os homens. Esses são as extremidades dos cromossomas, que têm relação com o número de vezes que uma célula pode se dividir ao longo da vida. 


Recentemente, na pandemia de Covid, ser homem aumentava os riscos de uma evolução desfavorável. 


Está na hora de rever muitos de nossos conceitos atávicos. Nossa sociedade tradicionalmente patriarcal que vem assistindo, muitas vezes com relutância, à ascensão das mulheres no mercado de trabalho precisa repensar o conceito de sexo forte.

Lauro Ferreira Pinto

Doutor em Doenças Infecciosas pela Ufes e professor da Emescam. Neste espaço, reflete sobre saúde e qualidade de vida

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