Harriet Rumgay, cientista britânica, com Ph.D em Epidemiologia do Câncer pela Erasmus University em Rotterdam (Holanda), publicou recentemente, com diversos colaboradores, um estudo importante sobre associação de câncer com infecção na revista Lancet Oncology.
A carga global de câncer deve aumentar de 20 milhões de casos novos em 2024 para estimados 35 milhões de novos casos em 2050 (quase duas vezes mais), principalmente em razão do envelhecimento da população.
Considerando os enormes custos sociais e econômicos dessa extraordinária cifra, é fundamental que agências e serviços de saúde em todo o mundo invistam em prevenção. Os pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer usaram, nesse estudo publicado, dados do Global Cancer Observatory, uma plataforma digital interativa dessa mesma agência, integrante da Organização Mundial de Saúde, que possibilita análise de estatísticas globais sobre incidência e prevalência dos mais diversos tipos de câncer.
Estudando os registros até 2024, os cientistas relatam que um número estimado de 2,3 milhões de casos de câncer (12% do total) são causados por agentes infecciosos e, portanto, potencialmente preveníveis. Apenas o cigarro isoladamente tem mais impacto na gênese de câncer do que a soma desses agentes infecciosos.
Entre estes, cinco assumem destaque: HPV, H. pilory, vírus da hepatite B, vírus de Epstein Barr e vírus de hepatite C. Mais de 2/3 (77%) das neoplasias malignas associadas à infecção ocorrem em países de baixa e média renda.
O HPV (papilomavírus humano) está associado a câncer de colo de útero, carcinoma anal, do pênis, da vulva, da vagina, da cavidade oral e da laringe. Existe uma vacina extremamente eficaz de proteção contra HPV, chamada 4 valente (protege contra os 4 principais tipos) disponível na rede publica para adolescentes meninas e meninos. Existe uma vacina 9 valente (com proteção adicional para 5 novos tipos) hoje disponível somente na rede privada. Importante é vacinar!
Estamos ainda no Outubro Rosa, momento em que os meios de comunicação alertam para prevenção do câncer da mulher, de mama e de colo de útero, principalmente. Esse último é prevenível pela vacina contra HPV. Nosso Espírito Santo está com boas coberturas vacinais dessa vacina nos adolescentes, mas ainda há muitos a vacinar.
Além da vacina, é importante o rastreamento das lesões por HPV, que pode ser feito pelo tradicional método de citologia de Papanicolau e também por meio de técnicas moleculares para identificação dos tipos de HPV. Toda mulher deve estar em dia com seu exame citológico ou molecular.
E, por último, o SUS precisa dar atendimento rápido e eficaz àqueles casos identificados como lesões cancerosas ou pré-cancerosas. A fila do SUS muitas vezes engole tempo precioso para tratar com agilidade as mulheres já doentes.