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Publicado em 20 de maio de 2025 às 18:19
Uma organização criminosa com atuação no Espírito Santo lavava dinheiro para um dos principais fornecedores de drogas e armas do Primeiro Comando de Vitória (PCV), grupo já liderado por Marujo, segundo apontou a Polícia Civil. O alvo central da investigação é o ex-agente penitenciário Thiago Cândido Viana, conhecido como Baé, preso desde 2021 e considerado o elo entre o tráfico local e fornecedores da fronteira com o Paraguai. >
O esquema foi desarticulado pela Operação Baest, coordenada pelo Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) e realizada na última quarta-feira (14). A investigação mapeou mais de 20 envolvidos e resultou no bloqueio de cerca de R$ 100 milhões em contas bancárias, imóveis e veículos. A ofensiva teve desdobramentos também no Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, além da Grande Vitória.>
Preso desde 2021 durante a Operação Sicário 1, que mirou lideranças do PCV, Baé era uma peça-chave no tráfico estadual, segundo o subsecretário de Inteligência da Sesp, Romualdo Gianordoli Neto. “Ele tinha um perfil diferente do traficante de rua. Nunca apareceu, sempre ficou nas sombras”, explicou.>
Mesmo preso, Baé continuava movimentando altos valores por meio de terceiros. A polícia analisou o fluxo bancário dele e descobriu incompatibilidade total com qualquer rendimento lícito. “ Ele não tinha nenhum rendimento de fixo. E ele tinha aberto uma pessoa jurídica também para lavar dinheiro, que era uma transportadora. Mas era uma transportadora que não tinha nenhum veículo, não tinha nenhum empregado e na sede física nunca existiu qualquer empresa. Então era uma empresa puramente de fachada, como costuma acontecer.”, disse Romualdo.>
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Segundo a polícia, Baé mandava dinheiro para cidades de fronteira com o Paraguai — como Guaíra (PR), Mundo Novo e Eldorado (MS) — onde fornecedores providenciavam o envio de armas e drogas para o Espírito Santo. “A droga e a arma não passavam por ele. Ele pagava pela carga, e os fornecedores faziam a logística. Quando o material chegava aqui, era entregue ao PCV, que vendia e distribuía”, detalhou o subsecretário.>
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Além do envolvimento com o tráfico, o ex-agente também chefiava um esquema de lavagem de dinheiro que usava imóveis, veículos e empresas laranjas. Ele comprava casas e apartamentos por valores altos, registrava por quantias muito menores e revendia com lucro aparente. “Ele comprava um imóvel por R$ 1 milhão, registrava por R$ 300 mil. Depois, vendia pelo valor real e o restante virava lucro limpo. Fazia o mesmo com carros e usava títulos de capitalização e depósitos fracionados para não chamar atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) ”, explicou o delegado Alan de Andrade, coordenador do Ciat.>
A investigação também identificou o uso de pessoas jurídicas temporárias para receber e movimentar valores, incluindo empresas que eram abertas e rapidamente encerradas, padrão comum em esquemas de lavagem. Durante as buscas, foram apreendidos veículos de luxo, documentos, eletrônicos e outros itens. As investigações seguem para apurar se há ligações com o tráfico internacional e identificar possíveis novos envolvidos.>
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