Publicado em 22 de setembro de 2025 às 19:03
Um crânio de veado e até a ossada de uma onça-parda, marcada por perfurações compatíveis com disparos, foram encontrados na primeira fase da Operação Arca de Noé, deflagrada nesta segunda-feira (22) no Espírito Santo. A ação teve como foco o combate aos maus-tratos e ao comércio ilegal de aves silvestres, resultando no resgate de 78 espécies em oito endereços denunciados via Disque-Denúncia 181 — quatro na Serra, dois em Vila Velha e dois em Cariacica. >
A operação foi coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e reuniu a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), guardas municipais, secretarias de Meio Ambiente e equipes de veterinários. “Foi uma resposta construída a partir da informação qualificada que chega pelo 181. Quanto melhor for a denúncia, mais rápida e efetiva é a atuação”, afirmou o delegado Paulo Expedicto Amaral, gerente do Disque-Denúncia. Segundo ele, o canal já recebeu 3.462 denúncias neste ano, um aumento de 25% em relação a 2024, com a Serra liderando o ranking.>
Em Vila Velha, policiais apreenderam 29 galos confinados em gaiolas individuais, muitos feridos e em condições compatíveis com preparo para rinha. Havia também galinhas, pintinhos e aves silvestres. O morador chegou a abrir gaiolas para tentar soltar os pássaros e evitar o flagrante, mas sete aves foram resgatadas. No mesmo endereço estavam os crânios de onça e veado. “Além do comércio irregular, ficou caracterizado o crime de maus-tratos. Todas as gaiolas e materiais foram apreendidos”, disse o delegado Marcelo Nolasco, titular da DPMA.>
Já na Serra, equipes encontraram um criadouro de ringnecks — aves exóticas — com ovos, chocadeira e filhotes. “O responsável foi autuado por manter a criação sem licença do órgão ambiental”, explicou o delegado Leandro Piquet, do Núcleo de Proteção Animal da DPMA. Outros pontos abrigavam canário-da-terra e trinca-ferro, mantidos irregularmente.>
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Em Cariacica, a Polícia Ambiental flagrou um endereço onde já haviam sido apreendidas aves neste ano. Desta vez, foram encontrados coleiros, trinca-ferro e sabiá. “Isso mostra que muitos persistem na prática criminosa, mesmo após autuações anteriores”, destacou a tenente Ivi, do BPMA.>
Os responsáveis pelos locais foram enquadrados na Lei de Crimes Ambientais, nos artigos 29 (captura e manutenção de animais silvestres) e 32 (maus-tratos). Além dos procedimentos criminais, houve multas aplicadas pelas secretarias municipais. Os animais domésticos foram encaminhados a abrigos conveniados, enquanto as aves silvestres seguiram para centros autorizados de triagem e reabilitação. As forças de segurança envolvidas destacam que a Arca de Noé terá novas fases e reforçam a importância de novas denúncias anônimas pelo 181.>
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