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Crime em Vitória

Seis réus pelo assassinato de irmãos da Piedade vão a júri popular. Entenda

Os irmãos Damião e Ruan foram vítimas das disputas do tráfico de drogas no bairro da Piedade e Fonte Grande, em Vitória. Foram executados em março de 2018, cada um com mais de 20 tiros

Publicado em 29 de Outubro de 2021 às 09:00

Vilmara Fernandes

Publicado em 

29 out 2021 às 09:00
Seis pessoas vão enfrentar o Tribunal do Júri pelo assassinato dos irmãos Damião Marcos Reis, 22 anos, e Ruan Reis, 19 anos. Eles foram mortos em março de 2018, em meio a uma guerra do tráfico pelo controle dos bairros Piedade e Fonte Grande, em Vitória.  A decisão de pronúncia — que os encaminha para julgamento — é do Juizado da Primeira Vara Criminal de Vitória, responsável pelo Tribunal do Júri.
Vão sentar no banco dos réus para enfrentar o júri popular, em data que ainda será marcada, as seguintes pessoas:
  • Allan Rosário Oliveira, o Alan Rosário ou Gordinho
  • Leandro Correia Ramos Barcelos, o Leandro Bomba
  • Renato Correira Ramos
  • Rafael Batista Lemos, o Boladão
  • Flavio Sampaio, o Coroa ou Flavinho
  • Gean Gaia de Oliveira, o Chocolate
Na sentença é informado que o crime teria acontecido em razão da disputa do tráfico de drogas, diante da intenção da retomada do controle dos Morros da Piedade e da Fonte Grande. Foi motivado pelo fato das vítimas não terem fornecido os endereços dos chefes do tráfico local.
Ao apontar que foram utilizados no assassinato recursos que dificultaram a defesa das vítimas, o juiz faz referência à dinâmica dos acontecimentos. “Não se pode negar que existem indícios que as vítimas foram surpreendidas quando estavam desarmadas por um grupo de pessoas, em superioridade numérica e armados, reduzindo-lhes a possibilidade de reação”, diz a sentença.
Em uma segunda denúncia,  O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou outras duas pessoas como responsáveis pelo crime, mas o processo deles está em tramitação e ainda não há previsão de quando serão julgados. São eles:
  • Geovani de Andrade de Andrade Bento, o Vaninho
  • Tiago da Silva, o Tiago Floresta
Moradores deixam o Morro da Piedade após crimes em 2018 Crédito: Fernando Madeira

O DIA DO CRIME

Segundo a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o crime aconteceu no dia 25 de março de 2018, por volta de 1 hora, na Rampa Odilio Ferreira, próximo à Escadaria 25 de Abril, no bairro Piedade, em Vitória.
Foi onde onde o grupo matou os irmãos. “Os denunciados, com vontade livre e consciente de ceifar a vida das vítimas, fazendo uso de armas de fogo, efetuaram diversos disparos contra as vítimas Ruan Reis e Damião Marcos Reis, causando-lhes os ferimentos que foram causa das suas mortes”, diz o texto da sentença de pronúncia.
À época do crime, a polícia informou que foram mais de 60 disparos. A perícia encontrou 22 perfurações no corpo de Ruan e 20 no corpo de Damião. No local foram encontradas mais de 60 cápsulas de calibre 380, Ponto 40 e 9mm.
Amigos, que preferiram não se identificar, disseram que os dois irmãos eram boas pessoas, conhecidas pelos projetos sociais e também pela participação deles na escola de samba do bairro.
Ruan Reis (à esquerda) e Damião  Marcos Reis (à direita): irmãos mortos  com mais de 20 tiros cada no Morro da Piedade
Ruan Reis (à esquerda) e Damião Marcos Reis (à direita): irmãos mortos com mais de 20 tiros cada no Morro da Piedade Crédito: Reprodução Facebook

SEQUÊNCIA DE CRIMES NA REGIÃO

Os assassinatos resultaram em outros crimes na região e até em protestos da comunidade pedindo por mais segurança. Dezenas de moradores acabaram deixando o bairro em decorrência do avanço da criminalidade e do medo de novos confrontos.
Segundo a investigação que embasou a denúncia do MPES, desde o final do ano de 2017, cerca de 20 pessoas portando armas de fogo e trajando toucas ninjas, coletes e coturnos se revezavam na procura pelos chefes do tráfico de drogas local, com o objetivo de eliminá-los e tomar o controle da região da Piedade, Fonte Grande e Moscoso.
Este grupo, junto com suas famílias, haviam sido expulsos destas localidades pelos que estavam chefiando o tráfico na região. Naquela ocasião, o comando do tráfico estava nas mãos dos integrantes da Família Ferreira Dias, e era em busca deles que o grupo estava. Contavam com o apoio do PCV/Trem Bala. Na tentativa de obter o controle do tráfico foram cometidos os seguintes crimes:
  • 25 de março de 2018 - o grupo armado matou os irmãos Damião Marcos Reis, 22, e Ruan Reis, 19, que não sabiam a localização do chefe do morro. Nas semanas que se seguiram, os ataques ao bairro em busca dos traficantes que comandavam a região continuaram.
  • 27 de maio de 2018 -  foi morto a tiros Aladir de Oliveira Filho, apontado pela polícia como um dos homens que colaboraram no assassinato dos irmãos Reis. Ele era pai de um dos acusados pelo crime dos irmãos, Alan Rosário. Segundo a polícia, ele foi morto por Walace de Jesus Santana, que era uma das lideranças do tráfico na Piedade.
  • 28 de maio de 2018 - foi assassinado Lucas Teixeira Verli, de 19 anos, segundo a polícia, com mais de 15 tiros durante outro ataque ao Morro da Piedade. Um bando formado por cerca de 20 pessoas encapuzadas entrou no local atirando em quem estivesse pela frente. No total, mais de 60 cápsulas de munição foram recolhidas pela polícia. Segundo as investigações, o ataque foi vingança de Alan pela morte do pai, e deixou outros moradores feridos.
  • 10 de junho de 2018 - Os criminosos invadiram a comunidade mais uma vez, e mataram Walace de Jesus Santana, apontado como braço direito do "dono" do morro, João Paulo Ferreira Dias, o JP. Após o homicídio, a família dele foi expulsa da Piedade e teve a casa incendiada. Segundo a investigação policial, após a execução de Walace, o grupo fez ameaças aos moradores,  gritando pelo morro e exigindo a saída de todos os familiares das pessoas que comandavam o tráfico local, e deram um prazo de 30 dias. Nos meses que se seguiram, dezenas de moradores decidiram abandonar suas casas na Piedade. 
  • 14 de janeiro de 2019 - Mais uma noite sangrenta, desta vez na divisa entre os Morros da Piedade e Moscoso, em uma área conhecida como "Poeirão", três jovens foram assassinados. Outros dois conseguiram sobreviver. A perícia criminal da Polícia Civil, na época, informou que foram encontradas aproximadamente 40 cápsulas de calibres .380 e 9mm. As vítimas que morreram foram atingidas por cerca de 10 a 15 perfurações, cada uma. Naquele dia morreram: Luiz Fernando da Conceição Gomes, 18 anos; Patrick Oliveira de Souza, 26; e Wemerson da Silva Lima, 23. Sobreviveram um coletor de lixo de 28 anos, e uma adolescente, de 15 anos.

O OUTRO LADO

A advogada Paula Maroto Gasiglia Schwan faz a defesa dos réus Leandro Correia Ramos Barcelos, Renato Correira Ramos e Flavio Sampaio. Ela informou que ainda vai se reunir com seus clientes para decidir se irá recorrer contra a decisão de pronúncia que os encaminhou ao júri popular.
Destaca que o processo está em segredo de justiça, mas que a defesa acredita que a Justiça será feita, e os réus vão provar sua inocência no plenário.
“A decisão de pronúncia é um mero juízo de admissibilidade, só diz sobre a prova de materialidade e dos indícios de autoria do crime. O tribunal do júri é que é juiz competente para casos dolosos contra a vida, os homicídios. É onde iremos provar a inocência deles”, explicou Paula.
O advogado Fernando Admiral Souza é o responsável pela defesa de Thiago Floresta. Ele informou que ainda não conversou com seu cliente sobre a decisão. “Embora o Thiago seja inocente e sem envolvimento com o crime, acredito que não vamos recorrer para que o processo siga a júri, onde vou mostrar que ele é inocente”.
Disse ainda que Thiago passou a ser citado no processo após a realização de uma operação policial no Morro de São Benedito. “Uma das armas apreendidas no local, utilizada no crime dos irmãos, foi encontrada próxima ao Thiago. E por conta desta arma é que ele passou a figurar como suspeito e acabou sendo pronunciado”.
Os advogados de defesa dos demais réus não foram localizados por A Gazeta. Assim que se manifestarem, a reportagem será atualizada.

Atualização

27/06/2023 - 11:00
A matéria foi atualizada com a inclusão de um vídeo e com a atualização dos nomes dos seis réus que vão responder pelos assassinatos, segundo denúncia do MPES aceita pela Justiça estadual.

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