Aflita com o desaparecimento do caminhoneiro Iago Lucas Peroni, de 22 anos, que parou de dar notícias nesta sexta-feira (4) após buscar uma carga em São Paulo, a família ainda sofre com trotes em ligações telefônicas, entre as quais de pessoa se passando por membro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Iago voltaria para o Espírito Santo neste sábado (5), mas o caminhão que ele dirigia foi encontrado abandonado em um posto de combustível em Itaquaquecetuba, no estado paulista.
O irmão do jovem, Wilker Peroni, contou que os pais deles estão em São Paulo para tentar conseguir mais informações sobre o paradeiro do filho. Por lá, eles têm recebido muitos trotes de pessoas que fingem ter notícias sobre o caminhoneiro ou que se passam por criminosos.
Em um áudio enviado por Whatsapp, a mãe de Iago, Claudiana Lucas, relatou a Wilker que, em uma das ligações, um homem teria se identificado como membro do PCC, a facção criminosa atuante tanto em São Paulo quanto no Espírito Santo.
"É tão complicado, tem tanta gente passando trote. Passaram um trote aqui agorinha, perguntando se eu conhecia o Iago, eu respondi por alto. Aí a pessoa falou que era o 'Falcão do PCC'. Eu percebi que era trote e aí já parou de falar. Ligou várias vezes de novo e eu não atendi", relatou a mãe, em áudio, para Wilker.
ENTENDA O CASO
Morador de Cariacica, Iago Lucas deveria voltar para o Espírito Santo neste sábado (5), depois de pegar uma carga em São Paulo. Iago não retornou e o caminhão que ele dirigia foi encontrado abandonado em um posto de gasolina em Itaquaquecetuba, no estado paulista. A família do jovem acredita que ele tenha sido vítima de um sequestro.
O último contato com o rapaz foi feito às 17h40 de sexta-feira (4), quando ele ligou para o pai, que também é caminhoneiro, para avisar que já estava em um galpão em Guarulhos para buscar uma carga. Ele teria negociado o frete com a empresa através de um aplicativo.
"Ele costuma pegar cargas nesse aplicativo de frete para caminhão, mas foi a primeira vez que ele ia carregar para essa empresa. A gente tentou ligar para o local, mas não atende. Pode ser uma empresa de fachada, a gente não sabe", opinou Wilker Peroni, irmão do jovem.
Segundo Wilker, o rastreador do caminhão que Iago dirigia mostrou que ele esteve próximo a vários bancos. Foi quando a família reparou que foram sacados cerca de R$ 5 mil da conta dele. O aparelho também indicou o local onde o veículo tinha sido abandonado.
"A seguradora foi até um posto de gasolina e achou o caminhão, estava todo revirado e meu irmão não estava lá. Por meio do aplicativo de banco, a gente viu que foi feito um saque da conta dele. Acreditamos que ele foi sequestrado", disse.
Iago mora em Novo Horizonte, em Cariacica. Ele saiu do município capixaba na quarta-feira (02) para levar uma carga de coco para São Paulo. O pai do rapaz foi para a capital paulista auxiliar nas buscas pelo filho e registrar um boletim de ocorrência no Estado. De acordo com Wilker, o irmão trabalhava com o pai. Era a terceira viagem que ele fazia sozinho como caminhoneiro.
"Ele sempre avisa meu pai quando sai com a carga. Só que depois que ele ligou ontem, a gente não conseguiu mais falar com ele. O celular está desligado e a última vez que ele ficou on-line foi às 18h20. Estamos muito preocupados", afirmou.