O artigo de Bruno Carazza no jornal Valor Econômico, de 25 de maio, descreve um país governado por políticos medíocres que tomam decisões medíocres. Para o professor, isso só acontece no Brasil porque nós permitimos e porque a sociedade é acomodada.
A verdade incômoda, segundo Carazza, é que o “brasileiro médio” não entende como o sistema político funciona. Vota em pessoas achando que escolhe indivíduos, quando na prática fortalece máquinas partidárias que operam nas sombras.
Reclama do Congresso, mas não sabe quem é seu deputado. Indigna-se nas redes sociais, porém não acompanha votações, não pressiona e não cobra. Trata-se de uma cidadania muito superficial.
E a elite brasileira? De acordo com o Índice de Qualidade das Elites (EQx 2026), ela ocupa a posição 54 de um ranking de 151 países, revelando um país dominado por modelos de negócios extrativistas. Ela segue lucrando com juros altos, subsídios, privilégios regulatórios e renúncias fiscais.
O “andar de cima”, diria Elio Gaspari, gosta de se autoproclamar como modernizador e reformista. Sejamos sinceros, a elite brasileira quer um país que continue servindo aos seus interesses. Interesses extrativos e reformas regressivas caminham juntos no Brasil.
Enquanto isso, o Congresso trabalha incansavelmente para se blindar. A minirreforma eleitoral conseguiu reduzir punições, flexibilizar regras e ampliar privilégios. Tudo aprovado com muita naturalidade, sem debate e sem resistência popular.
O sistema eleitoral favorece quem já está no poder, desestimula renovação, marginaliza mulheres e negros, e transforma partidos em cartórios de distribuição de recursos. A cada ciclo, o Legislativo se distancia das dificuldades diárias da população.
Afinal, queremos bons serviços públicos, mas não queremos o trabalho cívico que sustenta uma democracia saudável. Queremos políticos melhores, mas não queremos mudar as regras que selecionam os piores. Queremos reformas progressivas, mas não queremos conflito com o “andar de cima”.
Reformas progressivas são mudanças institucionais que aumentam a criação de valor para a sociedade e reduzem a extração de valor por grupos privilegiados. Vivemos em um país que se acostumou a aceitar o inaceitável.
A política brasileira não irá melhorar enquanto continuarmos tratando o sistema político como uma entidade separada de nós. A sociedade precisa se organizar para exigir transparência, renovação, responsabilidade e reformas progressivas.