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Operação Stuttgart

Justiça recebe denúncia do MP contra empresários envolvidos em lavagem de dinheiro

Hugo Soares de Souza, Fernanda Cruz da Silva e Rodrigo Bonatti de Moraes foram denunciados pelos crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Esquema foi desmantelado em agosto de 2022

Publicado em 18 de Julho de 2023 às 19:38

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 jul 2023 às 19:38
Carros apreendidos pela Polícia Civil do ES na Operação Stuttgart
Carros apreendidos pela Polícia Civil do ES na Operação Stuttgart Crédito: PCES/Divulgação
O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) conseguiu na Justiça uma denúncia contra Hugo Soares de Souza, Fernanda Cruz da Silva e Rodrigo Bonatti de Moraes, pelos crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Alvos de uma operação em 2022, eles são suspeitos de participarem de uma organização criminosa que lucrou milhões com empresas de fachada. Também foram denunciados os empresários mineiros Vanderlei da Silva Contine e Guilherme Bonilha Contine pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
As investigações apontam que Soares de Souza e Rodrigo Bonatti de Moraes foram responsáveis pela idealização da fraude em Goiás, e que as empresas eram utilizadas para emitir e receber documentos fiscais simulados, com o objetivo de assegurar vantagens fiscais indevidas aos verdadeiros envolvidos nas operações. 
Ficou constatado ainda que a empresa distribuidora de bebidas sediada em Minas Gerais, pertencente à Vanderlei da Silva e Guilherme Bonilha, faturava mercadorias para as fictícias empresas goianas, para se livrar do recolhimento do imposto por substituição tributária. No entanto, os produtos eram entregues aos verdadeiros adquirentes, sediados em vários Estados do País.
Além do recebimento de documentos fiscais simulados, as empresas goianas pertencentes a Hugo Soares também eram utilizadas para intermediar os pagamentos realizados pelos verdadeiros compradores das mercadorias em favor da empresa mineira, para “lavar” os valores provenientes de sonegação fiscal.
O esquema foi desmantelado pela Operação Stuttgart, deflagrada pela Polícia Civil em agosto de 2022, com apoio da Polícia Civil de Minas Gerais e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gaeco-MPES). Na época, levantou-se que a organização possuía vários imóveis de luxo e 23 veículos de alto custo, avaliados em aproximadamente R$ 13,5 milhões.

Comissão e patrimônio

De acordo com o MPES, as provas demonstraram que Hugo Soares de Souza recebia uma comissão para intermediar as vendas realizadas por terceiros, que variava entre 0,5% a 5% do valor de cada operação. Para dissimular a origem ilícita dos valores recebidos, ele utilizou três empresas “de fachada” sediadas no Espírito Santo para receber os recursos, duas delas tendo como sócia Fernanda Cruz da Silva, esposa dele.
Operação Armistício
Equipe do Gaeco participou da Operação Stuttgart, deflagrada pela Polícia Civil em agosto de 2022 Crédito: Carlos Alberto Silva
A denúncia do órgão também destacou o patrimônio acumulado por Hugo com recursos provenientes da atividade criminosa, com destaque para 19 veículos (incluindo um Audi Q7, um Audi RS5 e um Porsche 911 Carrera) e três imóveis (incluindo uma mansão na Ilha do Boi, em Vitória, com vagas personalizadas para seus carros de luxo).
A reportagem de A Gazeta tentou contato com as defesas dos acusados no dia da publicação. Em 11 de outubro, o advogado que faz a defesa de Vanderlei da Silva enviou nota à imprensa. Veja abaixo:

Outro lado | Na íntegra

A defesa esclarece que as operações tributárias questionadas na ação penal em face da empresa Minas Club foram realizadas com amparo legal e jurídico, bem como se trata de uma tradicional empresa que se pauta na ética e que conta com uma atuação sólida no ramo de varejo alimentício. Confiamos que após uma análise cuidadosa dos documentos e provas do processo ficará constatado que, no tocante à Minas Club, se trata de um equívoco de interpretação jurídica que ocorreu na investigação sobre o caso concreto, eis que, no regular exercício de sua atividade, forneceu mercadorias para contribuintes formalmente constituídos e devidamente habilitados e regulares perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas e o Cadastro de Contribuintes do ICMS dos seus respectivos Estados, com o devido destaque e recolhimento dos tributos incidentes, e não poderia presumir qualquer suposta irregularidade na atividade dos estabelecimentos destinatários (clientes) e/ou de seus respectivos representantes (agentes de compra e venda de mercadorias). 

O espaço segue aberto para manifestações das demais partes acusadas pela Justiça e citadas na reportagem.

Relembre

Polícia Civil do Espírito Santo deflagrou, em agosto de 2022, a Operação Stuttgart, com objetivo de desarticular uma estruturada organização criminosa, com atuação interestadual. Segundo a corporação, o grupo atuava de forma estruturada com a finalidade de praticar diversos crimes, entre eles lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.
A operação foi realizada na Grande Vitória, no interior do Estado, em Baixo Guandu e em Minas Gerais. Foram cumpridos oito mandados de prisão temporária e 24 mandados de busca e apreensão, além de 42 ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias.

Atualização

11/10/2023 - 2:19
A defesa de Vanderlei da Silva enviou nota à imprensa. O texto foi atualizado.

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