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Inquérito conclui que sogra que matou genro em Guarapari agiu em legítima defesa

Inquérito conclui que sogra que matou genro em Guarapari agiu em legítima defesa

Inquérito sobre a morte de Felipe Catanio de Araujo foi encaminhado à Justiça sem indiciados; Ministério Público também pediu arquivamento do caso

Publicado em 13 de novembro de 2025 às 11:48

Vídeo mostra briga de casal e momento em que genro é morto com facada no peito pela sogra, em Guarapari. O crime aconteceu na tarde de domingo (27) e mulher confessou o crime. Segundo ela, a ação foi para defender a filha.

Polícia Civil concluiu o inquérito que apurava a morte do vendedor Felipe Catanio de Araujo, de 32 anos, e apontou que a suspeita do crime, a sogra da vítima, de 57 anos, agiu em legítima defesa. O homem, que também trabalhava como entregador via aplicativo, foi assassinado com uma facada no peito no dia 27 de julho, no bairro Muquiçaba, em Guarapari.

Segundo a corporação, o inquérito, conduzido pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari, foi encaminhado ao Poder Judiciário sem indiciados.

“Tendo a autoridade policial relatado pelo arquivamento do procedimento, diante do reconhecimento da legítima defesa. O Ministério Público (MPES) também se manifestou pelo arquivamento, considerando a mesma fundamentação”, explicou a Polícia Civil.

O advogado de defesa da mulher, Lucas Neto, disse que, desde o primeiro momento, sustenta que o fato não constitui crime e que todas as evidências apontavam que a atitude da sogra havia sido uma “reação proporcional a uma agressão”.

“Mas é importante frisar que, embora aliviados com a decisão da Justiça, ninguém se alegra pelo fim trágico dessa história. A violência só causa prejuízos”, concluiu o advogado.

A reportagem também procurou o advogado da família de Felipe Catanio de Araujo, e o espaço está aberto a manifestações.

Relembre o caso

Felipe Catanio de Araujo
Felipe Catanio de Araujo Crédito: Acervo Pessoal

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, Felipe Catanio de Araujo discutia com a companheira, de 22 anos, quando o homem passou a agredir fisicamente a jovem. Testemunhas relataram que ele portava um soco inglês (objeto de metal que é colocado entre os dedos) durante as agressões e que a mulher segurava uma criança no colo no momento do ataque.

Ainda segundo as testemunhas, a mãe da jovem interveio na discussão e, em defesa da filha, atingiu o genro com uma facada no peito. Após o crime, ela deixou o local, mas se apresentou posteriormente na Delegacia Regional de Guarapari.

O homem chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. A jovem foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, em seguida, também prestou depoimento na delegacia.

O advogado de defesa da mulher, Lucas Neto, disse em entrevista à TV Gazeta, na época do crime, que a jovem queria a separação, mas a vítima não aceitava. Também informou que a sogra está sofrendo por tudo que aconteceu.

"Ela reagiu a uma agressão que tinha acontecido e que iria continuar, então a defesa entende que, se ela não faz aquilo ali, hoje quem estaria morta seria a filha dela, ou o neto, ou ela própria. Ela está abalada, tem um sentimento de culpa. É uma senhora que nunca se envolveu com crime, então está abalada e chegou a dizer que preferia que tivesse acontecido com ela", disse o advogado.

Outro lado

Também na época do crime, a mãe de Felipe, Alessandra Braga Catanio, chegou a entrar em contato com a reportagem, lamentou o que aconteceu com o filho e pediu por justiça. "Preciso reforçar que a vítima foi meu filho, e quem cometeu o crime está em liberdade", escreveu. Para a mulher, o caso não deveria ser tratado como legítima defesa porque, segundo ela, a sogra do filho já estaria com a faca antes de encontrar com Felipe. “Elas estavam em segurança e poderiam ter acionado a polícia antes”, avaliou.

Ela acrescentou ainda que o filho tentou se afastar da agressão. "Se meu filho errou, que fosse preso, não morto. Não medirei esforços para que a justiça seja feita pela memória do meu filho. Lutarei até o último dia da minha vida”, desabafou.

Alessandra contou que Felipe era um bom pai e trabalhava em dois empregos para sustentar o filho. Quanto ao uso de soco inglês, disse que o filho trabalhava com o objeto para se defender porque já havia sido assaltado algumas vezes.

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