No dia 12 de julho deste ano, o jovem Tiago Azevedo, de 22 anos, tinha nos planos comer um pastel na rua, na companhia da namorada. Enquanto seguiam parar o momento de lazer, os dois se viram em meio a um tiroteio em uma distribuidora de bebidas no bairro Novo Horizonte, na Serra. Sem qualquer envolvimento com a situação, o rapaz acabou acertado na cabeça e morreu, enquanto a companheira dele foi acertada em um dos braços. O casal foi vítima de um ataque que ainda resultou na morte de mais duas pessoas e os detalhes do caso foram divulgados pela polícia nesta terça-feira (18).
Um vídeo (veja abaixo) mostra o momento em que os dois aguardavam a comida ficar pronta. Enquanto conversavam, um grupo de seis traficantes chegou em um T-Cross já atirando. Conforme o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, os disparos foram efetuados por integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que domina o Morro da Garrafa, em Vitória.
Os alvos eram faccionados do Primeiro Comando de Vitória (PCV) que haviam tomado o ponto de tráfico do TCP. Além de Tiago, outras duas pessoas - que eram alvo do grupo - foram assassinados, sendo eles: Marcelo Henrique dos Santos Silva, 35 anos, que levou nove tiros, e Marcos Vinícius de Souza Rodrigues, 18, atingido por cinco balas. Além do casal, um motoboy foi baleado e dois policiais foram alvos de disparos do grupo.
Conforme Sandi Mori, a ação foi comandada por Lucas Henrique Soares da Silva, preso desde 2019, mas que continua comandando o tráfico no Morro da Garrafa. A colunista Vilmara Fernandes divulgou na manhã desta terça-feira que um advogado foi preso por organização criminosa após mensagens serem encontradas durante a investigação do ataque. Nelas, a polícia identificou que o advogado levava e trazia informações de Lucas.
“Um traficante que era a ponte do Morro da Garrafa no bairro da Serra pulou de lado e se uniu ao Sérgio Raimundo, vulgo Serginho Cauê, membro do PCV e foragido do Rio de Janeiro, sendo que ele tem mandado de prisão em aberto por homicídio e tráfico de drogas. Eles impediram os traficantes do Morro da Garrafa de continuar colocando drogas naquele local. Em razão disso, eles deram um ataque. Tudo ocorreu a mando de um traficante preso desde 2019”, explicou o chefe da DHPP na Serra.
Seis pessoas foram presas por envolvimento no crime e outras três segue foragidas. Além do casal, um motoboy foi baleado e dois policiais foram alvos de disparos do grupo.
Foragidos
Os envolvidos no triplo homicídio ocorrido no dia 11 de julho de 2025 em uma distribuidora em Novo Horizonte, na Serra, foram identificados. Seis estão presos, porém, três seguem foragidos. Igor Daniel dos Santos Rafasque, vulgo Gaspar, conseguiu escapar por uma área de mata. Já Samuel Cararo de Paula, Secão, e Gabriel Tadeu Santana Leite, conhecido como Paquetá, invadirem um condomínio no mesmo município e depois pegarem uma corrida por aplicativo para o Morro da Garrafa, em Vitória.
Um vídeo mostra os dois, junto do parceiro de crime Carlos Eduardo Gomes da Silva, vulgo 2k, entrando e saindo do condomínio (veja abaixo). Segundo a Polícia Civil, o trio que segue foragido estava dentro do T-Cross de onde partiram os disparos.
A investigação apontou que o trio estava no banco traseiro do SUV e atuaram como executores. Porém, Igor teve uma participação "especial". O traficante foi quem apontou que o ataque deveria acontecer após o planejamento do crime por parte de Rafael. Toda a situação ocorreu a mando de Lucas Henrique Soares, que está preso desde 2019, mas segue mandando no tráfico do Morro da Garrafa, segundo a PC.
"O crime ocorreu por volta das 22h55 e perto das 8h50 da noite os dois veículos, primeiro o T-Cross, que trouxe os seis indivíduos que participaram do crime, sendo que eles foram sem armas de fogo para verificar se tinha blitz. Atrás dele veio o veículo do Rafael, um Ford EcoSport, que trouxe as seis pistolas utilizadas no crime. Os dois carros saíram em comboio do Morro da Garrafa, passaram pela Reta da Penha, e chegaram em Novo Horizonte, onde ficaram em uma residência próxima ao local organizando o ataque" detalhou o delegado.
Os demais envolvidos foram presos em épocas diferentes, são eles: Lucas Henrique Soares da Silva, vulgo 2B, (mandante) Cleiton Ronai Dias Lino, Rafael Martins, conhecido como Barata, Carlos Eduardo Gomes da Silva, apelidado de 2k, Raone Bernardo Soares Bomfim e José Augusto Rodrigues do Nascimento, vulgo Tuiu.
O advogado foi indiciado pelo crime de organização criminosa, com aumento de pena pelo emprego de arma de fogo.
Os oito traficantes foram indiciados por triplo homicídio qualificado por motivo torpe, com perigo comum, com recurso que resultou a impossibilidade de defesa das vítimas e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito; tripla tentativa de homicídio, com as mesmas qualificadoras; dupla tentativa de homicídio qualificada por assegurar a execução do crime anterior, por ser contra integrantes das forças de segurança (policiais militares) e pelo emprego de arma de fogo de uso restrito e organização criminosa e receptação, tendo em vista que o veículo utilizado na execução dos crimes — um T-Cross clonado — foi identificado no local.