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Publicado em 17 de março de 2026 às 14:04
A morte da pequena Alice Rodrigues, de seis anos, em Balneário de Carapebus, na Serra, foi consequência de uma série de ataques ligados à disputa entre facções criminosas. Segundo a investigação, a ofensiva teve origem após uma ideia sugerida por um detento do Primeiro Comando de Vitória (PCV), que apontou aos demais membros da facção um suposto avanço do Terceiro Comando Puro (TCP) na região.>
A partir dessa sugestão, integrantes da facção fora do presídio transformaram a informação em uma ordem para ataques no bairro. As ações começaram no dia 22 de agosto e se intensificaram nos dias seguintes. Em 24 de agosto, durante uma dessas investidas, o carro da família de Alice acabou no caminho dos criminosos.>
A Polícia Civil do Espírito Santo divulgou esses detalhes nesta terça-feira (17), ao anunciar a conclusão do inquérito. Ao todo, 14 pessoas foram indiciadas. Entenda abaixo o ponto a ponto, mostrando o contexto que culminou na morte de Alice. >
De acordo com as investigações, mensagens enviadas de dentro do sistema prisional indicavam que rivais do TCP estariam se fortalecendo e avançando sobre áreas próximas a Balneário de Carapebus. >
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"O presídio traz uma notícia de que haveria um avanço do TCP nos bairros próximos a Balneário de Carapebus. Essa carta vai para Serginho Cauê, que é o mandante desses crimes, e, a partir daí, ele determina que o bairro deve ser tomado. É quando entramos na dinâmica dos fatos", explicou o delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. >
Cartas interceptadas mostram a troca de informações entre os integrantes da facção, com alertas sobre movimentações dos rivais, avisando que eles estariam "se levantando para atacar bocas próximas" e ostentando armamentos nas redes sociais (veja abaixo).>
Cartas saídas de presídio ordenavam ataque no bairro Balneário de Carapebus
Segundo a polícia, o traficante Sergio Raimundo Soares da Silva Filho, conhecido como Serginho Cauê, é apontado como o responsável por autorizar os ataques do PCV. Ele está foragido no Rio de Janeiro. As cartas enviadas do presídio sugerindo as ofensivas eram endereçadas a ele. >
“O responsável por dar a ordem direta da execução foi o Serginho Cauê.Quando um bairro é atacado pelo PCV, a ordem tem que partir dele”, afirmou o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da DHPP da Serra.>
Com a autorização, os criminosos realizaram uma ligação de cerca de 35 minutos para organizar os ataques, iniciados no dia 22 de agosto. No dia 24, o alvo seria um traficante conhecido como “Batata”, que na ocasião era gerente do tráfico de Balneário de Carapebus e ligado ao TCP. Ele estaria em um festival de pipas e seria atacado ao deixar o local. >
Para executar o ataque, os traficantes montaram uma base em uma área de mata próxima ao bairro, com o objetivo de se esconder da polícia e de rivais. Na tarde de domingo, quatro suspeitos saíram de carro à procura do alvo. Durante a ação, perderam o traficante de vista e, ao deixarem o bairro, bateram na traseira do carro da família de Alice.>
Delegado Paulo Ricardo Gomes
Adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.No carro estavam Alice, os pais e a mãe, que está grávida. A família voltava da praia. "O pai desceu do veículo, suplicou pela vida da filha e pediu que parassem de atirar, explicando que se tratava de uma família. Ao perceberem o erro, os criminosos cessaram os disparos e fugiram", disse o delegado Paulo Ricardo.>
Alice foi baleada na cabeça e chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O pai foi atingido de raspão, e a mãe sofreu ferimentos por estilhaços de vidro.>
Após o crime, os suspeitos tentaram fugir de carro, mas o veículo quebrou com o impacto. Eles seguiram a pé, atirando para o alto. Durante a fuga, tentaram roubar uma motocicleta em uma sorveteria, sem sucesso. Em seguida, sequestraram um homem e o filho em um carro e os obrigaram a levá-los até a base na mata.>
Como a morte de Alice não foi um caso isolado, mas resultado de ataques planejados, 14 pessoas foram indiciadas pelo crime, com diferentes funções. Nove já foram presas e cinco seguem foragidas. Confira abaixo quem é quem. >
Caso Alice: 14 pessoas foram indiciadas pelo crime
Os investigados vão responder por organização criminosa armada, homicídio qualificado e porte ilegal de arma de uso restrito. Todos já foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). A reportagem tenta localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestação.>
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