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Ideia de detento do PCV levou a ataques e à morte da menina Alice na Serra

Ideia de detento do PCV levou a ataques e à morte da menina Alice na Serra

Polícia Civil indicia 14 pessoas e aponta que sugestão feita de dentro de presídio motivou ataques em Balneário de Carapebus que resultaram na morte de Alice Rodrigues, de seis anos

Publicado em 17 de março de 2026 às 14:04

Alice Rodrigues morta durante ataque na Serra
Alice Rodrigues, de seis anos, morta durante ataque na Serra Crédito: Redes Sociais

A morte da pequena Alice Rodrigues, de seis anos, em Balneário de Carapebus, na Serra, foi consequência de uma série de ataques ligados à disputa entre facções criminosas. Segundo a investigação, a ofensiva teve origem após uma ideia sugerida por um detento do Primeiro Comando de Vitória (PCV), que apontou aos demais membros da facção um suposto avanço do Terceiro Comando Puro (TCP) na região.

A partir dessa sugestão, integrantes da facção fora do presídio transformaram a informação em uma ordem para ataques no bairro. As ações começaram no dia 22 de agosto e se intensificaram nos dias seguintes. Em 24 de agosto, durante uma dessas investidas, o carro da família de Alice acabou no caminho dos criminosos.

Polícia Civil do Espírito Santo divulgou esses detalhes nesta terça-feira (17), ao anunciar a conclusão do inquérito. Ao todo, 14 pessoas foram indiciadas. Entenda abaixo o ponto a ponto, mostrando o contexto que culminou na morte de Alice. 

Cartas enviadas de dentro de presídio 

De acordo com as investigações, mensagens enviadas de dentro do sistema prisional indicavam que rivais do TCP estariam se fortalecendo e avançando sobre áreas próximas a Balneário de Carapebus.

"O presídio traz uma notícia de que haveria um avanço do TCP nos bairros próximos a Balneário de Carapebus. Essa carta vai para Serginho Cauê, que é o mandante desses crimes, e, a partir daí, ele determina que o bairro deve ser tomado. É quando entramos na dinâmica dos fatos", explicou o delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. 

Cartas interceptadas mostram a troca de informações entre os integrantes da facção, com alertas sobre movimentações dos rivais, avisando que eles estariam "se levantando para atacar bocas próximas" e ostentando armamentos nas redes sociais (veja abaixo).

Cartas saídas de presídio ordenavam ataque no bairro Balneário de Carapebus por Divulgação | Polícia Civil

Ordem foi dada por líder foragido

Segundo a polícia, o traficante Sergio Raimundo Soares da Silva Filho, conhecido como Serginho Cauê, é apontado como o responsável por autorizar os ataques do PCV. Ele está foragido no Rio de Janeiro. As cartas enviadas do presídio sugerindo as ofensivas eram endereçadas a ele.

“O responsável por dar a ordem direta da execução foi o Serginho Cauê.Quando um bairro é atacado pelo PCV, a ordem tem que partir dele”, afirmou o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da DHPP da Serra.

Ataque é planejado através de ligação

Com a autorização, os criminosos realizaram uma ligação de cerca de 35 minutos para organizar os ataques, iniciados no dia 22 de agosto. No dia 24, o alvo seria um traficante conhecido como “Batata”, que na ocasião era gerente do tráfico de Balneário de Carapebus e ligado ao TCP. Ele estaria em um festival de pipas e seria atacado ao deixar o local. 

Caso acabou vitimando a pequena Alice, de 6 anos

Base em área de mata e execução do plano

Para executar o ataque, os traficantes montaram uma base em uma área de mata próxima ao bairro, com o objetivo de se esconder da polícia e de rivais. Na tarde de domingo, quatro suspeitos saíram de carro à procura do alvo. Durante a ação, perderam o traficante de vista e, ao deixarem o bairro, bateram na traseira do carro da família de Alice.

Após esse acidente, um dos ocupantes que estava no banco traseiro se precipita e abre fogo contra o carro da família, ainda com o vidro fechado, e acaba atingindo a menina Alice na cabeça

Delegado Paulo Ricardo Gomes

Adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.

Pai suplicou pela vida da filha

No carro estavam Alice, os pais e a mãe, que está grávida. A família voltava da praia. "O pai desceu do veículo, suplicou pela vida da filha e pediu que parassem de atirar, explicando que se tratava de uma família. Ao perceberem o erro, os criminosos cessaram os disparos e fugiram", disse o delegado Paulo Ricardo.

Alice foi baleada na cabeça e chegou a ser socorrida, mas não resistiu. O pai foi atingido de raspão, e a mãe sofreu ferimentos por estilhaços de vidro.

Fuga teve tiros e sequestro

A Polícia Civil divulgou imagens que mostram o momento que quatro executores fogem após a morte de Alice Rodrigues, de seis anos, na Serra.

Após o crime, os suspeitos tentaram fugir de carro, mas o veículo quebrou com o impacto. Eles seguiram a pé, atirando para o alto. Durante a fuga, tentaram roubar uma motocicleta em uma sorveteria, sem sucesso. Em seguida, sequestraram um homem e o filho em um carro e os obrigaram a levá-los até a base na mata.

Quem são os 14 indiciados no caso

Como a morte de Alice não foi um caso isolado, mas resultado de ataques planejados, 14 pessoas foram indiciadas pelo crime, com diferentes funções. Nove já foram presas e cinco seguem foragidas. Confira abaixo quem é quem. 

Izaque de Oliveira Moreira por Divulgação | Polícia Civil

  1. Lucas Almeida Pinheiro, vulgo Nakamura: preso ► responsável por enviar uma carta através da advogada Marina, e nela dizia que eles teriam que "explodir" o bairro Balneário de Carapebus, pois integrantes do TCP estavam se fortalecendo e poderiam atacar bairros controlados pelo PCV.
  2. Maik Rodrigues Furtado, vulgo MK: preso ► responsável por transmitir a ordem dos mandantes aos executores; por identificar os pontos de Balneário de Carapebus que deveriam ser atacados; por identificar as vítimas que deveriam ser executadas e escolher os soldados do tráfico que deveriam ir na execução.
  3. Marlon Furtado Castro, vulgo Ivo ou Logan: preso ► responsável por planejar o crime e recrutar os soldados do tráfico que deveriam ir nas execuções.
  4. Marina de Paula dos Santos: presa ► advogada, esposa de Marlon e principal responsável por intermediar o contato dos membros do PCV presos com os de fora através de cartas com ordens para o tráfico de drogas e homicídios.
  5. Pedro Henrique dos Santos Neves, vulgo PB ou Pedro Bala: preso ► responsável pelos disparos que culminaram na morte da Alice.
  6. Luiz Fernando de Jesus Santos Brum, vulgo Barba: preso ► responsável por dirigir o veículo usado no dia do ataque.
  7. Bruno Serri Cavalcante, vulgo Cavalcanti: preso ► estava com arma e com uma granada no dia do crime.
  8. Arthur Folli Rocha: preso ► pago pelo Marlon e Marina, responsável por vigiar o deslocamento das viaturas de Novo Horizonte até Balneário de Carapebus.
  9. Izaque de Oliveira Moreira: preso ► tinha ciência do crime e ajudou na fuga.
  10. Sergio Raimundo Soares da Silva Filho, vulgo Serginho Cauê: foragido ► líder do PCV e responsável por ordenar ataques dados pela facção.
  11. Ryan Alves Cardoso, vulgo R7: foragido ► controla o tráfico de drogas no bairro Lagoa de Carapebus e foi responsável por adquirir o veículo roubado usado no crime; também participou do planejamento.
  12. Matheus Farias Pacheco Souza, vulgo Boca Preta: foragido ► comanda o ponto de tráfico de Jardim Carapina, participou da ligação e planejamento do crime.
  13. Carlos Alberto dos Santos Gonçalves Junior, vulgo Bequinha: foragido ► responsável por, poucos minutos antes do crime, iniciar uma ligação de aproximadamente 35 minutos entre os envolvidos, planejando o ataque.
  14. Vagner Antonio de Jesus Santos, vulgo Boca de Lata: foragido ►comanda o tráfico de drogas do ponto final do bairro Feu Rosa, foi responsável por fornecer armamento e munições.

Os investigados vão responder por organização criminosa armada, homicídio qualificado e porte ilegal de arma de uso restrito. Todos já foram denunciados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). A reportagem tenta localizar a defesa dos citados. O espaço segue aberto para manifestação.

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