Antes de matar e enterrar a irmã no quintal de casa, na Serra, na Grande Vitória, Abraão de Oliveira Soares, de 43 anos, e Miriam de Oliveira Soares, de 39 anos, brigaram devido ao fato de água de esgoto ter sido jogada nas plantas que ela cuidava. Ele vai responder por feminicídio.
A mãe de Miriam encontrou o corpo da filha enterrado no sábado (16), após ficar cinco dias desaparecida. O irmão foi preso, mas não falou sobre o assunto com a polícia.
Motivo banal
A delegada Gabriela Enne disse que Abraão deu versões desconexas e parou de falar sobre o assunto, mas ele possuía marcas nas mãos que poderiam ser pelo esforço em enterrar o corpo da irmã.
"Foi por um motivo banal. Ele estava mexendo no esgoto e acabou respingando nas plantas dela, que ela cuidava com muito carinho. Eles discutiram. Uma enxada foi encontrada no quintal", afirmou.
Segundo a delegada, a mãe tinha saído de casa e os irmãos ficaram sozinhos no imóvel no dia do desaparecimento da vítima, na última terça-feira (12). "Quando retornou, a Miriam já não estava mais em casa. Ela estranhou porque não era comum a filha sair e ficar tanto tempo fora", explicou.
A polícia informou que o caso será encaminhado para a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM) e tratado como feminicídio. O inquérito ainda não foi concluído. Uma irmã de Abraão e Miriam, que também vivia na mesma casa, ainda será ouvida.
Histórico de agressividade
De acordo com a investigação inicial, Abraão já possuía histórico de agressividade dentro de casa. Segundo a delegada, ele tinha um boletim de ocorrência por ter ameaçado o próprio pai com uma faca.
A polícia também apura relatos de conflitos frequentes entre ele e Miriam. A vítima não aceitava que o irmão passasse os dias em casa sem trabalhar, enquanto era sustentado pela mãe.
"O conflito maior da casa era isso. A Miriam não aceitava que ele não trabalhava e passava o dia sem fazer nada", relatou a delegada.
Corpo encontrado pela própria mãe
O corpo de Miriam foi encontrado pela própria mãe no sábado (16), após ela sentir um forte cheiro vindo do quintal enquanto lavava roupas. A mulher percebeu a terra remexida perto das plantas da filha e começou a cavar o local.
"Logo que ela começou a mexer na terra, encontrou a barriga da filha", contou a delegada.
A perícia identificou diversos ferimentos no corpo da vítima, principalmente na cabeça e no pescoço. Segundo a delegada, os machucados não deixam dúvidas de que Miriam foi assassinada antes de ser enterrada. O laudo final da causa da morte ainda não foi concluído.
Suspeito ficou vendo TV quando irmã sumiu
A mãe da vítima e do suspeito, Magali Moraes de Oliveira, de 65 anos, contou que o filho agiu normalmente após matar a irmã. “Ele estava tranquilo lá em cima, sentado vendo televisão. “Frio, frio, frio”, afirmou.
Magali afirmou que a relação entre os dois filhos era marcada por conflitos constantes e acredita que o crime foi premeditado. "Os dois batiam de frente, brigavam mesmo. Ela não gostava de ver coisa errada", relatou.
A mulher disse ainda que não pretende dar qualquer suporte ao filho na prisão. "Não vou pagar advogado, não vou visitar. Ele vai pagar pelo que fez com a minha filha", completou.
O corpo de Miriam foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Vitória. Já o suspeito foi levado para o Centro de Triagem de Viana, onde permanece à disposição da Justiça. Abraão nunca tinha sido preso antes.
*Com informações da repórter Viviane Machado, do g1 ES