O Espírito Santo registrou quase mil roubos e furtos a mais no transporte coletivo em 2022, em relação a 2021: foram 3.551 ocorrências no ano passado, contra 2.635 no período anterior. Os dados do Painel de Crimes Contra o Patrimônio dão conta de que a quantidade de furtos (quando não há violência) cresceu pelo segundo ano consecutivo. Já a de roubos (quando há ameaça e agressão às vítimas) interrompeu uma tendência de queda de quatro anos no Estado.
Para a Polícia Civil, a alta está relacionada ao retorno dos usuários do transporte coletivo após as fases mais difíceis e com mais restrições da pandemia de Covid-19, além de uma maior conscientização sobre a importância de registrar o boletim de ocorrência.
Desde 2018, quando a estatística passou a ser disponibilizada pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), o índice de roubos vinha caindo. Foram 2.582 naquele ano, 1.933 em 2019, 1.816 em 2020, e 1.591 em 2021. Já em 2022, o número de ocorrências chegou a 2.039, uma alta de 28,1% em relação ao ano anterior.
O índice de furtos, por sua vez, teve alta pelo segundo ano seguido. Em 2018, foram 2.080 ocorrências, caindo para 1.727, em 2019, e para 924 em 2020, ano em que a pandemia de Covid-19 chegou ao Brasil e uma série de medidas, como restrições a circulação no transporte público, foram tomadas visando a reduzir a propagação da doença.
A partir de 2021, quando parte dessas restrições foram abolidas, o número de registros de furtos em coletivos passou a crescer e chegou a 1.044. No ano passado, houve a segunda alta consecutiva, com 1.512 ocorrências, um aumento de 44,8%.
Razões da alta
No Estado, a Polícia Civil conta com uma unidade destinada especificamente a investigar furtos e roubos em ônibus. Titular da Delegacia Especializada de Crimes Contra os Transportes de Passageiros (DRCCTP), o delegado Douglas Vieira afirma que a oscilação nos números tem relação com a circulação de passageiros durante os picos da pandemia de Covid-19.
“A população, em virtude das decisões para reduzir as contaminações, usou menos o transporte público. A tendência desses últimos dois anos foi o fato de as pessoas voltarem à normalidade. Em 2021, cresceu menos porque ainda havia restrições, mas em 2022 quase tudo já havia voltado ao normal”, destaca.
Segundo o delegado, não há no Estado uma organização criminosa ou quadrilha especializada em roubos e furtos a ônibus. Essas ocorrências são tratadas pela polícia como crime de oportunidade, ou seja, o criminoso analisa um cenário que pode ser mais vantajoso para ele conseguir a maior quantidade possível de bens materiais.
Somando as 468 ocorrências a mais de furtos em 2022 e as 448 a mais de roubos no ano, foram 916 registros a mais no total. Esse índice, no entanto, não significa que 916 ônibus a mais tenham sido alvo de criminosos. Isso porque, em uma única ocasião de roubo, várias vítimas registram boletins de ocorrência.
“Às vezes o motorista registra um boletim, os passageiros outros, porque não se conhecem, cada um faz um. Então ocorre que uma ocorrência de furto tem vários boletins gerados. Por isso vemos um número tão alto de ocorrência de furtos e roubos em ônibus”, contextualiza o delegado.
Ainda assim, a orientação de Douglas Vieira é que cada pessoa vítima continue registrando boletins diferentes.
Orientações para as vítimas
- Sempre registre o boletim de ocorrência;
- Nunca reaja à ação criminosa;
- Entre em contato com o 190 para ajudar no flagrante;
- Informe à polícia onde ocorreu o embarque e o desembarque dos criminosos.