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Erro de 'olheiro' resultou na morte de criança em carro na Serra, diz secretário

Erro de 'olheiro' resultou na morte de criança em carro na Serra, diz secretário

Polícia prendeu seis suspeitos: dois atiradores, um 'olheiro' e uma pessoa que auxiliaria na fuga, além de uma advogada e o marido dela, que seriam os mandantes

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Felipe Sena

Repórter / [email protected]

Publicado em 25 de agosto de 2025 às 09:52

Secretário de segurança deu entrevista sobre ataque na Serra
Secretário de segurança deu entrevista sobre ataque na Serra Crédito: Wagner Martins/ Divulgação PCES
Atualização
29/08/2025 - 07:35hrs
Em coletiva de imprensa na quinta-feira (28), o delegado Rodrigo Sandi Mori, explicou que, na verdade, o carro da família colidiu com o veículo dos executores, que estavam no bairro à procura de um gerente do tráfico do Terceiro Comando Puro (TCP) na região. Após o acidente, os criminosos confundiram o automóvel das vítimas com o do alvo e começaram a atirar.

A família que teve o carro atingido no domingo (25), durante um ataque cometido por criminosos que estavam em outro veículo no domingo (25), em Balneário Carapebus, na Serra, que resultou na morte de Alice Rodrigues, de seis anos, não era o alvo dos criminosos. O pai e a mãe da criança, que está grávida, também estavam no automóvel e ficaram feridos: ele levou um tiro de raspão e ela foi atingida por estilhaços. O secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, afirmou que o crime foi motivado por uma disputa entre o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e o Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo ele, o indivíduo apontado colo 'olheiro' de uma das facções teria confundido o automóvel com um veículo de traficantes rivais.

Segundo nossas investigações, houve uma tentativa de ataque entre facções criminosas. Uma delas, o PCV, teria um 'olheiro' e ele identificou o carro das vítimas como um dos carros utilizados pelo TCP. Por causa desse erro de avaliação do 'olheiro', os executores que estavam ali determinados a realizar esse ataque contra a facção rival, infelizmente, vitimaram essa família de forma muito trágica

Leonardo Damasceno

Secretário da Sesp

Seis pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no ataque a tiros que matou Alice. O secretário disse que as prisões aconteceram em etapas. Dois homens foram presos pela Força Tática da Polícia Militar logo após o crime. Durante as diligências, outros quatro envolvidos foram localizados: o "olheiro", uma pessoa que auxiliaria na fuga e uma advogada e o marido dela, que segundo a Sesp teriam ordenado o ataque.

Alice Rodrigues, de 6 anos, morta após ataque em Carapebus
Alice Rodrigues, de 6 anos, morta após ataque em Carapebus Crédito: Reprodução redes sociais

A Sesp informou que, conforme apontaram as investigações, o carro da família, um Peugeot prata, foi atingido por diversos tiros disparados de dentro de um Fiat Argo branco, alugado pelos criminosos e abandonado no local do ataque. Alice foi atingida na nuca e chegou a ser levada pelos pais ao Hospital Municipal Materno Infantil da Serra, mas não resistiu aos ferimentos. A perícia da Polícia Científica identificou pelo menos quatro perfurações no veículo da família. 

Secretário nega toque de recolher

Moradores de Balneário Carapebus relataram, por meio de mensagens enviadas à produção do programa Bom Dia ES, da TV Gazeta, no momento da coletiva de imprensa, que haveria um toque de recolher no bairro. No entanto, o fato foi negado pelo secretário Leonardo Damasceno.

A Polícia Militar reforçou o policiamento na região para garantir o direito de ir e vir da população. Conversei com o comando da PM para que o reforço seja permanente e nenhum comerciante precise deixar de exercer sua atividade

Leonardo Damascento

Secretário da Sesp

Prefeito pede prioridade na investigação

O prefeito da Serra, Weverson Meireles, se pronunciou sobre o caso em seu perfil no Instagram. Ele lamentou a morte da criança e disse que entrou em contato com o governador do Estado, Renato Casagrande, para pedir prioridade na investigação do crime. No post, o chefe do Executivo municipal afirma que a vítima teria nove anos, e na ocorrência registrada pela Polícia Militar consta seis anos. A reportagem tenta confirmar a idade da vítima.

Dois dias antes, morte em ataque com fuzil no mesmo bairro

Dois dias antes, na última sexta-feira (22), outro ataque a tiros em Balneário Carapebus matou Dionata Firmino de Paula, de 28 anos, e deixou ferido um jovem de 20 anos. Os atiradores, que estavam armados com pistolas e até fuzil, chegaram atirando próximo a um bar e atingiram as vítimas, que estavam na calçada. 

Os criminosos chegaram em dois carros, por volta de 22h40, e já saíram atirando, conforme apuração da TV Gazeta. Foram ouvidos mais de 40 disparos — que deixaram marcas também em postes e muros. O crime é investigado pela Polícia Civil. Qualquer informação que ajude o trabalho policial pode ser repassada pela Disque-Denúncia, por meio do número 181. A ligação é gratuita e não precisa se identificar. 

O que diz OAB-ES

A OAB-ES repudiou o ataque que resultou na morte de uma criança de seis anos na Serra e pediu respostas rápidas das autoridades. A entidade afirmou que vai acompanhar as investigações, inclusive sobre a possível participação de uma advogada no crime, e ressaltou que não admite condutas criminosas, sejam de advogados ou não.

Nota OAB | Íntegra

"A OAB-ES repudia e cobra a apuração rigorosa, assim como respostas efetivas das autoridades, em relação ao ataque que vitimou uma criança de seis anos no município da Serra. É inadmissível que a guerra do tráfico esteja fazendo no Estado vítimas inocentes de forma covarde - como aconteceu recentemente em Vila Velha. É preciso adotar medidas efetivas para preservar a vida das famílias, em especial das nossas crianças e jovens, que veem futuro interrompido pela violência. Vamos acompanhar de perto as investigações, em especial da advogada supostamente envolvida neste caso de brutal violência na Serra. A OAB estará sempre a postos para defender a boa advocacia, mas jamais para proteger condutas criminosas. Aos que cometem crimes, sejam eles advogados ou não, vamos exigir o rigor da lei."

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