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'Ele não precisava disso', diz mãe de capixaba morto em megaoperação no Rio

'Ele não precisava disso', diz mãe de capixaba morto em megaoperação no Rio

Mãe de Fabian Alves Martins, de 22 anos, que é de Cachoeiro de Itapemirim e foi morto no Rio de Janeiro, disse em entrevista ao jornal O Globo que o "mal" do filho "era ser muito fiel aos amigos"

Publicado em 31 de outubro de 2025 às 07:12

 - Atualizado há 3 meses

Fabian Alves Martins, de 22 anos, um dos mortos em operação no RJ
Fabian Alves Martins, de 22 anos, um dos mortos em operação no RJ Crédito: Reprodução

“Meu filho era bobo, trabalhava, e a nossa família não precisa de dinheiro. Não somos ricos, mas também não precisávamos de nada”, disse Fabiana Martins, emocionada, em entrevista ao jornal O Globo. Ela deu entrevista em frente ao Instituto Médico-Legal (IML) do Rio de Janeiro, onde aguarda há mais de dois dias a liberação do corpo do filho Fabian Alves Martins, de 22 anos, morto durante a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, na cidade carioca. 

Segundo a família, Fabian morava com os pais em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, e trabalhava com forros de PVC em uma empresa local. A mãe afirmou que ele viajou ao Rio para visitar a namorada, que mora na Penha. O corpo do jovem foi encontrado em uma área de mata conhecida como Vacaria, uma das regiões mais afetadas pela ação que terminou com 121 mortos — entre eles, quatro policiais.

No entanto, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo divulgou que Fabian era investigado pela Polícia Civil de Cachoeiro de Itapemirim e tinha mandados de prisão em aberto por homicídio e tráfico de drogas. "Era ligado ao grupo criminoso que atua no tráfico de drogas no bairro Nossa Senhora Aparecida, desempenhando função de destaque", informou. Segundo as investigações, ele também estaria diretamente envolvido em um assassinato ocorrido em 2024.

A Sesp divulgou ainda que Fabian era monitorado pela Polícia Civil e foi alvo da segunda fase da Operação Serodia em abril deste ano — que resultou na prisão de comparsas dele. Segundo a PC, ele fugiu e se escondeu no Rio de Janeiro.

Liberação para sepultamento

Fabiana reclamou na demora na liberação do corpo do filho. "Meu filho deve estar em decomposição e não me deixam vê-lo. Estou aqui desde ontem. Só queremos levá-lo para casa", desabafou.

No pátio do Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, Fabiana contou à reportagem de O Globo que recebeu fotos e vídeos que mostram o corpo de Fabian entre os mortos levados para a praça da Penha na quarta-feira (29). Segundo ela, o filho apresentava perfurações nas mãos e um tiro na nuca. "Meu filho está pelado aí. Eu trouxe essa camisa para ele. Ele é meu filho!". 

O mal dele era ser muito fiel aos amigos. Eu não conheço esses amigos dele. Mas o Fabian era bobo, trabalhava. Ele fazia de tudo naquela empresa. Aqui, conheceu a namorada e uns amigos que a gente nem sabe quem são

Fabiana Martins

Mãe de Fabian, capixaba morto em operação no Rio

Ainda conforme a reportagem de O Globo, um representante do IML informou à família que o processo de reconhecimento pode levar até sete dias, devido ao estado dos corpos e à complexidade da operação.

Atualização
31/10/2025 - 15:22hrs
A publicação foi atualizada com informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo sobre o histórico de Fabian.

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