- Por volta das 17h do dia 9 de junho, a Polícia Civil recebe a informação de um possível disparo de arma de fogo na Praia da Costa. Uma equipe vai até o local, analisa imagens de videomonitoramento e constata a participação de um veículo modelo Fiat Pulse cinza. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) é acionada para tentar identificar o automóvel.
- Durante a noite, uma equipe da Polícia Civil vai até uma base da Guarda Municipal de Vila Velha e consegue identificar o veículo por meio de informações coletadas pelos agentes municipais. Constatam que o carro havia trocado de placa no dia do homicídio.
- No dia seguinte, os policiais civis de Vila Velha conseguem localizar o veículo abandonado próximo à alça da Terceira Ponte, em Vila Velha. Passam o número do chassi do carro para o setor de inteligência da Polícia Civil, PRF e guardas municipais. Identificam então que o automóvel havia saído de Minas Gerais e chegado ao Espírito Santo em 30 de maio com outra placa.
- Ao checar com a Polícia Civil de Minas Gerais, constatam que o veículo original estava em Minas e que o do Espírito Santo era um clone. A Polícia Científica é acionada e coleta as digitais deixadas no carro abandonado próximo à Terceira Ponte.
- A Polícia Civil começa a analisar as imagens do veículo e identifica que o carro estava sem insulfilm dianteiro. É possível ver o condutor, mas ainda sem identificar o rosto. Constatam que no dia 3 de junho o automóvel passa pela Avenida Darly Santos, às 8h30, sem insulfilm, e quando sobe a Segunda Ponte, por volta das 9h30, está com a proteção.
- Diante dessa informação, os policiais buscam durante dois dias e meio o local onde o veículo poderia ter instalado o insulfilm. Na sexta-feira após o homicídio, identificam o estabelecimento, mas o condutor está de cabeça abaixada e não é possível identificá-lo. Solicitam apoio da Guarda Municipal de Vitória para ter acesso a mais imagens de onde o carro havia passado. A partir daí, conseguem ver quem era o condutor. Com a identificação, pedem a prisão preventiva dele.
- A partir de um levantamento feito pelo setor de inteligência, é identificado que o condutor havia fugido para Minas Gerais. Montam uma força-tarefa e conseguem prendê-lo em terras mineiras em 17 de junho. Ele é identificado como Arthur Laudevino Candeias Luppi.
- Durante interrogatório, Arthur Laudevino confessa que havia participado do homicídio e que era o condutor. Indica Bruno Nunes da Silva como o intermediário que fazia o contato com o mandante; Arthur Neves de Barros como sendo o executor; e Eferson Ferreira Alves, como sendo o intermediário que havia desistido de última hora e ido embora para a Bahia.
- Com essas informações do interrogatório, a Polícia Civil pede a prisão desses outros três suspeitos. Arthur Neves é preso na Paraíba, em 19 de junho. Eferson se apresenta na delegacia em 23 de junho, confirma o que Arthur Laudevino havia relatado e diz que Bruno Nunes era o único que fazia contato com o mandante e que esse mandante realizava pagamentos mensais de R$ 10 mil em espécie a Bruno Nunes.
- No dia 27 de junho, circulou uma informação falsa de que Bruno Nunes havia sido preso. Na segunda-feira (30), um advogado vai até a delegacia e afirma que seu cliente Bruno Valadares fazia pagamentos a Bruno Nunes a pedido de Wallace. É feita uma investigação no celular do empresário e não é identificado contato de Wallace com Bruno Nunes.
- É solicitada, então, a prisão temporária de Bruno Valadares, uma vez que as informações informadas pelo seu advogado não batiam com as investigações. Ele é preso em 12 de julho, em casa, onde foram localizados dois carros de luxo, ouro e joias. Ele nega a participação, alega que só mandava dinheiro a Bruno Nunes a pedido de Wallace e, em um segundo interrogatório, só confessa os desvios de dinheiro da empresa, uma vez que era diretor-financeiro.
- Bruno Valadares alega que o dinheiro desviado era para comer em restaurante bom e ter uma vida melhor.
- No dia 11 de agosto, a Polícia Civil faz coletiva e divulga que concluiu o caso. Os investigadores afirmam que ainda procuram Bruno Nunes e suspeitam que ele esteja entre Minas Gerais e a Bahia.
A função de cada um no crime, segundo a polícia
Bruno Valadares de Almeida – Mandante (Está preso)
Bruno Nunes da Silva – Intermediário e principal organizador da logística do crime (Está foragido)
Arthur Laudevino Candeias Luppi – Motorista (Está preso)
Arthur Nunes de Barros – Atirador (Está preso)
Eferson Ferreira Alves – Intermediário (Está preso)
Defesa do diretor | Na íntegra
“A Assessoria Jurídica Pires & Pinho informa que representa o Sr. Bruno Valadares de Almeida e declara, de forma veemente, a sua inocência em relação ao crime de homicídio que lhe foi imputado.
Por respeito ao devido processo legal e ao trâmite do procedimento no âmbito do Poder Judiciário, não serão prestados esclarecimentos adicionais, além dos mencionados a seguir:
O agora réu, Bruno Valadares de Almeida, vem buscando constantemente esclarecer tudo o que sabe sobre o caso.
Conforme noticiado na imprensa, existiu, sim, um mecanismo de não comunicação financeira que não só envolvia o denunciado, mas também outros agentes — e isso ele vem denunciando repetidamente, porém não é devidamente compreendido.
O denunciado clama por sua inocência e vê, na imputação criminal que lhe é feita, uma solução fácil e simplista para o caso, tese que será amplamente refutada pela defesa.
Demais informações serão oportunamente divulgadas, conforme o regular andamento do processo e as decisões que forem sendo proferidas pela Justiça.”