Uma quadrilha investigada por furtos em ônibus da Grande Vitória observava passageiros desbloqueando os celulares para descobrir as senhas antes de levar os aparelhos, segundo a Polícia Civil. O grupo também procurava coletivos lotados para facilitar os furtos. Cinco pessoas foram identificadas — três brasileiros e dois peruanos —, e quatro estão presas. Os detalhes da investigação foram divulgados em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (15).
De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra o Transporte de Passageiros (DCCTP), delegado Felipe Pimentel, duas mulheres, uma brasileira e uma peruana, eram as principais responsáveis pelos furtos dentro dos ônibus. Em algumas ocasiões, um ou dois homens também participavam diretamente das ações.
As suspeitas circulavam pelos terminais e embarcavam em diferentes linhas, à procura de veículos mais cheios. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, integrantes do grupo cercavam e pressionavam as vítimas com o corpo para dificultar que elas percebessem a retirada dos aparelhos.
"Eles cercam a pessoa e vão prensando a pessoa com o corpo mesmo. Então ela não sente o movimento de que está ali manuseando, puxando, porque ela está sendo imprensada", explicou Jordano.
A polícia também identificou furtos em coletivos que não estavam lotados, nos quais os suspeitos aproveitavam a exposição dos aparelhos.
Segundo Felipe Pimentel, as mulheres observavam os passageiros enquanto eles utilizavam os aparelhos para tentar descobrir as senhas de desbloqueio.
“Elas ficavam em pé no ônibus ao lado da vítima. Elas ficavam observando a vítima mexendo no celular, como ela desbloqueava o celular. E, com o primeiro vacilo, elas já conseguiam praticar o furto”, detalhou.
Após os furtos, as mulheres repassavam os aparelhos aos demais integrantes. Conforme a investigação, os homens ficavam responsáveis pela venda dos celulares ou pela retirada de dinheiro das contas das vítimas, inclusive com transferências via Pix para terceiros.
Até o momento, dez vítimas foram identificadas. Segundo o delegado, todas reconheceram os suspeitos apontados pela investigação. A polícia acredita que outras pessoas também tenham sido alvo do grupo e continua trabalhando para identificá-las.
A Polícia Civil identificou três brasileiros e dois peruanos entre os integrantes do grupo. Dos cinco investigados, quatro estão presos. As duas mulheres foram detidas em Cariacica no dia 7 de outubro. Um dos homens, de nacionalidade peruana, foi preso em São Paulo em julho. Já Washington foi preso em agosto.
Não foram informados os motivos das duas prisões anteriores. O quinto investigado ainda é procurado, segundo a Polícia Civil.
Durante a operação, os policiais apreenderam 11 celulares e cartões GVBus. Segundo Felipe Pimentel, todos os aparelhos apreendidos eram furtados e os cinco investigados já foram denunciados por organização criminosa.
A identificação dos suspeitos contou com análise de imagens e uso de reconhecimento facial, em um trabalho conjunto com a área de inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública. De acordo com Jordano Bruno, centenas de horas de imagens foram analisadas.
A investigação começou após a polícia identificar uma quantidade considerada elevada de furtos nos coletivos. Segundo Jordano Bruno, os registros passaram de 308 em maio para 145 em setembro.
O delegado-geral associou a redução às ações, prisões e apreensões realizadas durante a investigação. A apuração continua para identificar outras possíveis vítimas e verificar se mais pessoas participavam dos crimes.
Felipe Pimentel explicou que a investigação desses furtos é dificultada porque, muitas vezes, os passageiros só percebem a falta do celular depois de desembarcar. Assim, nem sempre conseguem informar em qual ônibus ou momento o aparelho foi retirado.
A Polícia Civil orienta que as vítimas registrem boletim de ocorrência mesmo quando não conseguirem identificar o responsável ou precisar onde e quando o furto aconteceu.
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