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Ilha Dr. Américo

Chacina na ilha: após dois meses, polícia do ES conclui inquérito

A chacina que causou a morte de quatro jovens ocorreu em 28 de setembro. Ao todo, seis pessoas foram indiciadas por envolvimento nas mortes, sendo quatro maiores e dois adolescentes

Publicado em 25 de Novembro de 2020 às 22:16

Redação de A Gazeta

Publicado em 

25 nov 2020 às 22:16
Chacina na ilha: vídeo mostra grupo momentos antes de ser executado
Chacina na ilha: vídeo mostra grupo momentos antes de ser executado Crédito: Reprodução
Após quase dois meses da chacina na Ilha Dr. Américo de Oliveira, na Capital, em que foram mortas quatro pessoas, a Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, concluiu o inquérito do caso. Os assassinatos ocorreram em 28 de setembro e, ao todo, seis pessoas foram indiciadas por envolvimento, sendo quatro maiores e dois adolescentes. De acordo com informações da PC, três autores estão presos e mais detalhes serão informados nesta quinta-feira (26) em coletiva de imprensa.
A ilha fica na Baía de Vitória, próxima ao bairro Santo Antônio. Na outra margem, fica o bairro Porto de Santana, já em Cariacica. A ilha é um ponto usado por moradores das duas margens para diversão. No dia do crime, seis amigos que moravam em Santo Antônio estavam no local. Eles foram surpreendidos por bandidos que chegaram de barco.
Os criminosos renderam os jovens e atiraram contra o grupo. Quatro deles morreram, um conseguiu fugir e outro, baleado, se fingiu de morto para escapar. Os mortos foram identificados como sendo o marítimo Wesley Rodrigues de Souza, 29 anos, Yuri Carlos de Souza, 23, Vitor da Silva Alves, 19, – corpos que permaneceram na ilha – e Pablo Ricardo Lima, 21, que chegou a ser levado a um pronto-atendimento por um tio, mas já deu entrada na unidade sem vida. O jovem que se fingiu de morto foi alvo de dois disparos nas costas e foi hospitalizado. O outro foi baleado no pé.

MOTIVAÇÃO

A chacina que resultou na morte de quatro jovens na ilha Doutor Américo Oliveira, na Baia de Vitória, foi um grande quebra-cabeça para a Polícia Civil. Inicialmente a linha de apuração já tratava as mortes como o resultado de uma briga entre facções criminosas que atuam no Espírito Santo.
"As investigações apontam que os autores eram do tráfico do Morro do Quiabo, em Cariacica, e que possuem ligação com uma organização criminosa que atua na Grande Vitória. A princípio, consideramos que os assassinos acreditavam que esse grupo de amigos estivesse ligado ao PCV, mas mataram um monte de gente inocente", descreveu Marcelo Cavalcanti, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, em entrevista concedida em outubro.
A sigla PCV, citada pelo delegado, é referente ao Primeiro Comando de Vitória, facção que tem base no Bairro da Penha, na capital, e ramificações em diversas cidades do Espírito Santo. A facção conta com força armada conhecida como Trem-Bala, criando ou tomando pontos de venda de drogas, além de manter relações comerciais de drogas com os traficantes aliados dessas localidades.
Já a organização criminosa em que o tráfico do Morro do Quiabo tem aliança, à qual o delegado se refere, seria a chamada Associação Família Capixaba (AFC). De acordo com fontes policiais ouvidas pela reportagem de A Gazeta, a Família Capixaba é, atualmente, uma facção criminosa que tenta fazer frente ao PCV e possui um ponto forte no bairro Mucuri, em Cariacica.

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