O vídeo que mostra o momento em que a cachorra Nala, de 2 anos, conseguiu se soltar da funcionária que cuidava dela e sair da clínica veterinária foi divulgado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de Maus-tratos nesta segunda-feira (11). A cadela morreu atropelada às margens da BR 262 após fugir do local onde estava internada para tratar de uma intoxicação alimentar no dia 2 de dezembro.
Na gravação é possível ver que o animal, de 2 anos, saiu pela porta de entrada após o vento empurrar o local de acesso à clínica. Logo depois, a mulher que segurava a cadela começa a correr atrás de Nala.
Em seguida, o vídeo corta para o momento no qual os donos da cachorra descobrem sobre a morte do animal enquanto o corpo de Nala está em cima da bancada da recepção.
Entenda o caso
De acordo com Sâmela de Andrade Celestino, tutora da vira-lata Nala, o animal foi deixado no local no início da noite de sábado (2) com diarreia, com outra cachorrinha de 3 meses, depois de as duas terem comido chocolates.
“A clínica que eu sempre levo minhas cachorras estava fechada e decidi deixar nesta que não conhecia. Por volta das 21 horas, liguei para a clínica e a veterinária disse que estava tudo bem. Minutos depois, ela retornou a ligação dizendo que a Nala tinha fugido e precisava de ajuda para procurá-la. Passamos a procurar também e só no início da manhã a encontramos atropelada, já sem vida”, relata Sâmela.
Segundo a tutora da cachorra, a veterinária responsável alegou que estava sozinha no momento do ocorrido e não conseguiu impedir a fuga. Conforme o boletim de ocorrência registrado por Sâmela, ao levar o animal sem vida à clínica, houve uma discussão. De acordo com ela, um homem, que teria se identificado como irmão do proprietário do estabelecimento, estava armado. A tutora disse ter se sentido intimidada e, depois disso, procurou a polícia.
“A responsabilidade é da clínica. Deixei minhas cachorras internadas para serem cuidadas e uma delas morre. O tempo todo o caso foi tratado com descaso. Em nenhum momento, foi me pedido desculpa ou houve comoção. Só disseram que não podiam fazer nada”, desabafa Sâmela.
O que diz a clínica
Procurada pela reportagem de A Gazeta, a clínica Vets Help afirmou que se compadece com a fatalidade ocorrida com a fuga do animal da clínica e informou que em momento algum foi de interesse do tutor um diálogo cordial para a eventual situação.
"O posicionamento da tutora em relação ao ocorrido foi de causar desordem, depredação ao patrimônio da clínica, além de ameaças a médica veterinária responsável pelo atendimento, imputação inverídica de ter sofrido ameaças pelo irmão do proprietário da clínica e veiculação nas redes sociais de informação distorcida da realidade", disse por meio de nota.
A Clínica Vets Help afirmou que não se isenta do fato e se solidariza com a dor dos familiar. "Novamente não nos isentamos do fato ocorrido, uma vez que houve a fuga do pet, devido a terceiros deixar a porta do estabelecimento entreaberta, levando-se em consideração que o atendimento se deu em horário de plantão médico. Cabe a nós, neste momento, nos solidarizar com a dor dos familiares e estamos abertos para futuros esclarecimentos, visto que o caso certamente será acompanhado na esfera judicial, para devida elucidação dos fatos e apuração das responsabilidades", pontuou a clínica.
Investigação
A Polícia Civil disse que a dona do animal compareceu na manhã de domingo (3), na 4ª Delegacia Regional de Cariacica e registrou um boletim de ocorrência por ameaça. A vítima informou que deixou duas cachorras na clínica para tratamento de intoxicação. Após um desdobramento, uma das cachorras fugiu e foi encontrada atropelada e sem vida nas proximidades da Viação Águia Branca. Ao retornar à clínica, a vítima foi informada pela veterinária que não poderia fazer nada.
Ainda segundo a vítima, durante uma discussão, um indivíduo, aparentemente irmão do proprietário da clínica, desceu armado. Sentindo-se ameaçada, a mulher se dirigiu- à Delegacia Regional de Cariacica para registrar a ocorrência. O caso será investigado e a vítima foi orientada a procurar a Delegacia de Campo Grande, a quem compete a investigação.