O atacante capixaba David Corrêa da Fonseca, o DVD, do Vasco da Gama, foi intimado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro a comparecer à 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), nesta sexta-feira (30), para apresentar o passaporte e tomar ciência de medidas cautelares determinadas pela Justiça do Espírito Santo.
A informação foi divulgada pelo g1 Rio de Janeiro. A ação foi realizada em apoio à Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), responsável pelas investigações da Operação A Tropa.
A operação apura suspeitas de participação em organização criminosa, tráfico interestadual de drogas e armas e lavagem de dinheiro. De acordo com a Polícia Civil, as investigações também buscam identificar possíveis conexões com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Ao g1 Rio de Janeiro, a corporação informou que a intimação ocorreu na quinta-feira (29), durante diligências realizadas por agentes da 14ª DP, sob a coordenação do delegado Alexandre Neto Cardoso.
Entre as medidas cautelares impostas ao jogador estão a proibição de deixar o país, a restrição de contato com outros investigados e testemunhas e a obrigação de comparecer periodicamente à Justiça.
Ainda segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, David deverá ser advertido de que o descumprimento injustificado das determinações judiciais poderá levar à decretação de sua prisão preventiva, mediante decisão judicial.
Em depoimento sobre o caso, em setembro, David negou envolvimento com o tráfico de drogas e armas.
A reportagem tenta contato com a defesa do jogador e o espaço segue aberto para manifestações.
* Com informações do g1 Rio de Janeiro.
A operação “A Tropa”, realizada pela Polícia Civil do Espírito Santo no final de agosto, investiga a relação de dois jogadores capixabas com o traficante Ruan de Freitas Camargo Cruz, apontado como executor de um assassinato no ES. David Corrêa, atacante do Vasco da Gama, e Hayner William Monjardim Cordeiro, lateral-direito do Vila Nova, de Goiás, foram alvos de mandados de busca e apreensão durante a ação.
Em setembro, a Polícia Civil capixaba realizou uma coletiva de imprensa e explicou que uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024, em Novo Porto Canoa, na Serra, levou a corporação a mensagens trocadas entre o atacante do Vasco da Gama e Edson Vander da Silva Júnior, de 32 anos. O conteúdo das conversas ajudou a polícia a chegar aos envolvidos e a aprofundar a investigação que resultou na operação.
Ainda de acordo com o delegado, a investigação apontou a participação de Ruan de Freitas Camargo Cruz, outro alvo da operação. Ele seria o proprietário do carro usado no crime e estava no banco do carona. Ruan é conterrâneo e amigo de infância de David. Edson, por sua vez, é apontado pela polícia como o responsável por organizar a ação e determinar a morte da vítima.
Em 20 de agosto de 2024, Ruan e Edson foram presos em um apartamento no bairro Itaparica, em Vila Velha. Segundo a Polícia Civil, o imóvel pertencia a uma pessoa para quem Edson trabalhava como agente na época. O nome não foi divulgado em razão do sigilo das investigações, mas a reportagem de A Gazeta apurou que essa pessoa é David Corrêa, jogador do Vasco.
A análise dos dados extraídos do celular de Edson, segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, revelou conversas que indicariam que ele e Ruan teriam assumido o controle do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada III, na Serra.
Ainda de acordo com o delegado, foram encontradas mensagens sobre armas de fogo, munições, compra de drogas, prestação de contas e divisão de tarefas dentro do grupo.
A investigação também identificou três diálogos entre Edson e o jogador David Corrêa. Em uma das conversas, Edson teria enviado informações sobre a vítima da tentativa de homicídio e relatado o motivo pelo qual ela teria sido atacada, além de informar sobre seu estado de saúde. Segundo o delegado, David respondeu: “Mereceu tomar uns tiros mesmo”.
Em outra conversa, Edson teria enviado uma fotografia de uma pistola a David, que respondeu: “Tem que matar um para ver de qual é”.
Um terceiro diálogo chamou a atenção dos investigadores. Segundo o chefe da DHPP da Serra, Ruan pediu a Edson que intermediasse com o jogador David a negociação de um veículo.
Em um áudio enviado por Ruan a Edson e posteriormente encaminhado a David, Ruan teria pedido dinheiro emprestado para trocar o veículo. Segundo o delegado, os envolvidos consideravam que o carro estava “queimado” por ter sido utilizado na tentativa de homicídio. A conversa ocorreu três dias após o crime.
“Esses fatos chamaram a nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas do bairro Serra Dourada III pelo investigado”, afirmou o delegado.
Diante dos indícios, a Polícia Civil compartilhou a extração dos dados do celular de Edson com o Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat) para aprofundar a investigação. Segundo o delegado, há outros diálogos que estão sob segredo de Justiça e não podem ser divulgados neste momento.
Os três diálogos apresentados pela polícia constam no relatório de análise do celular de Edson. Durante a operação “A Tropa”, o celular de David chegou a ser apreendido.
De acordo com o delegado, Edson era considerado agente de David e seria responsável por administrar aspectos da vida financeira e da carreira do jogador. A investigação também aponta que Edson e Ruan teriam assumido o controle do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada III.
“Controla a vida financeira, a carreira do investigado. E era um traficante também, posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos”, declarou o delegado ao ser questionado sobre o papel de Edson.
Na época do caso, a Polícia Civil informou que outros detalhes da investigação, inclusive a possível participação do lateral-direito Hayner William Monjardim Cordeiro, do Vila Nova, de Goiás, está sob sigilo e que não poderia fornecer mais informações.
O delegado Augusto Giorno, do Ciat, esclareceu que os clubes de futebol não têm relação com as investigações e foram colaborativos.
Os jogadores David e Hayner são citados no contexto da investigação, mas o inquérito ainda não havia sido concluído.
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