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Advogado do ES é preso suspeito de ser pombo-correio de líderes de facção na cadeia

Advogado do ES é preso suspeito de ser pombo-correio de líderes de facção na cadeia

Além dele, outras oito pessoas foram presas durante ação integrada entre as polícias Federal e Penal

Publicado em 14 de outubro de 2025 às 10:11

Ação foi realizada nesta terça-feira (14)

Um advogado e outras oito pessoas, entre elas um pastor, foram presas durante a Operação Scriptor, das polícias Federal e Penal, que mira desarticular um esquema de comunicação entre lideranças de facção presas e comparsas no "mundo externo". A ação ocorreu na manhã desta terça-feira (14). As investigações apontaram que o profissional mantinha contato com pelo menos quatro criminosos do Espírito Santo e facilitava a comunicação deles com os faccionados do lado de fora da cadeia. O nome dele não foi divulgado.

Foram expedidos 13 mandados de prisão temporária, e nove deles foram cumpridos. Dessas nove pessoas, sete já estavam atrás das grades e dois alvos — entre eles o advogado, segundo a Polícia Penal — foram capturados nas ruas. Até o momento, quatro procurados seguem foragidos.  

Também foram expedidos oito mandados de busca e apreensão e três de medidas cautelares. Todos saíram do Juízo de Garantias de Marechal Floriano, na Região Serrana do Estado

Advogado era monitorado desde 2024

A PF informou que o advogado preso nesta terça-feira já tinha sido suspenso do exercício da advocacia por decisão judicial em julho de 2024, durante a Operação Recado Reverso, que investigou a atuação de advogados na transmissão de ordens e mensagens entre lideranças criminosas e os subordinados. Apesar da proibição, ele continuou realizando atendimentos jurídicos a detentos em unidades prisionais, em descumprimento de medida cautelar judicial.

Em 10 de junho de 2025, durante ação de monitoramento, o advogado foi flagrado prestando atendimento jurídico a presos, o que configura infração. Na ocasião, ele assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e teve celulares, manuscritos, a carteira da OAB e outros materiais apreendidos.

Como funcionava o esquema

Foi após a análise desses materiais que a Polícia Federal conseguiu provar que o advogado mantinha comunicação ativa com ao menos quatro lideranças criminosas de alta relevância no cenário capixaba, funcionando como mensageiro e articulador externo.

Por meio de suas ações, o advogado viabilizava a transmissão de ordens estratégicas e a coordenação das atividades ilícitas, permitindo que os líderes continuassem comandando os núcleos operacionais mesmo de dentro dos presídios.

Nome da operação

O nome “Operação Scriptor” foi escolhido em referência ao termo latino scriptor, que significa “escritor” ou “aquele que redige”. A denominação remete ao papel desempenhado pelo advogado investigado, que atuava como mensageiro e redator de comunicações entre lideranças criminosas e seus subordinados, servindo como elo de transmissão das ordens emanadas de dentro dos presídios.

Operação integrada

A ação foi realizada através da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco/ES), coordenada pela Polícia Federal (PF), e composta pelas Polícias Militar e Penal, pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), e pelas Guardas Municipais de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Viana.

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